A fascinante (r)evolução da arte urbana

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“Urban [R]Evolution” chegou à Cordoaria Nacional

Até início de dezembro, Urban [R]Evolution explora o movimento da arte urbana, desde as suas fases iniciais na forma de tagsgraffiti e pinturas nos comboios e no metro, passando pelo influente período intermédio até, finalmente, dar origem à street art. De entre as 17 instalações especialmente concebidas para a exposição, destacam-se peças dos portugueses Vhils e Tamara Alves, e dos históricos norte-americanos Lee Quiñones e Shepard Fairey.

Reunindo alguns dos mais reconhecidos nomes da arte urbana nacional e internacional, a mostra, com curadoria de Pauline Foessel e Pedro Alonzo, apresenta instalações originais de 17 artistas que moldaram e continuam a moldar o panorama mundial do movimento. Paralelamente, um conjunto de fotografias da mítica Martha Cooper documenta a evolução da street art ao longo das últimas décadas, fazendo “uma caracterização do lado mais subversivo” do fenómeno, nas palavras da própria.

A arte urbana, que inicialmente se desenvolveu tendo por base a tinta spray e a pasta de trigo, rapidamente evoluiu e incorporou diversas técnicas. Mais tarde, as ideias, a moda, a música, a dança e imagética da arte urbana chegaram aos media, o que a tornou num definidor da cultura popular.

“Esta exposição surge da vontade de dar a conhecer a evolução do movimento de arte urbana no mundo. Para isso, convidámos a fotógrafa americana Martha Cooper, reconhecida pelas suas imagens captadas desde o início da cultura urbana, na década de 1970, em Nova Iorque”, avança Pauline. “Além de Martha Cooper, convidámos mais 17 artistas, nacionais e internacionais, e desafiámo-los a criar in situ. Para nós, curadores, era importante dar aos artistas espaços com limitações, como na rua, mas num local que pode dar ao visitante uma experiência imersiva, não possível fora de um espaço de arte”, acrescenta. “A abertura do movimento de arte urbana, a versatilidade dos artistas e das criações, a facilidade de disseminação do movimento e a acessibilidade são os quatro conceitos que, para nós, fazem da arte urbana um movimento imperdível e que vai ficar na história da arte”, conclui a curadora.

±MaisMenos±, Add Fuel, AkaCorleone, André Saraiva, Barry McGee, Felipe Pantone, Futura, Jason Revok, Lee Quiñones, Maya Hayuk, Nuno Viegas, Obey SKTR, Shepard Fairey, Swoon, Tamara Alves, Vhils e Wasted Rita formam o restante alinhamento deste ambicioso projeto, que nasce de uma parceria entre a Everything is New e a Galeria Underdogs.

Créditos: Nocturnal Untamed Echoes, Tamara Alves (2023)

 

Para Tamara Alves, que apresenta na Cordoaria uma instalação com som, luz e sombra, é importante que o visitante crie uma relação direta com a peça. “Quero atrair o público para o mundo do meu trabalho, o meu desejo é que o espetador sinta que há uma certa intimidade com a minha obra”, diz a artista visual, fascinada pela estética da rua e contexto urbano.

Já AkaCorleone considera que este é um “projeto de sonho”. “Estamos a falar de um projeto que integra artistas que fizeram parte do início do movimento do graffiti e a da street art e de artistas que estão a definir o que é o futuro desta prática”, sublinha o artista que é reconhecido pela multidisciplinaridade e pela procura contínua de novas formas de apresentação do trabalho. Sobre a sua obra na Cordoaria, AkaCorleone avança: “A minha instalação quer ser o mais imersiva possível, de contemplação, onde o visitante entra e faz parte do seu universo. Espero que as pessoas percam algum tempo a explorá-la, a procurar as nuances do trabalho e, quem sabe, a encontrarem-se a elas próprias”.

Urban [R]Evolution, a mostra que explora a explosão criativa que varreu o mundo, pode ser visitada na Cordoaria Nacional até 3 de dezembro.

 

Por:Ana Rita Vaz

Créditos: Bright Journey, Obey SKTR (2023)©CML/ACL

Fonte: AgendaLx

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