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Suíça: Língua portuguesa ganhou espaço no Salão do Livro de Genebra

A nossa reportagem acompanhou a edição 2026 do “Salão Internacional do Livro de Genebra”, considerada a maior feira editorial da Suíça francófona, que decorreu entre 18 e 22 de março, celebrando a sua 40ª edição com cerca de 100 mil visitantes e 1.500 autores. Um evento que contou com a presença da língua portuguesa através do stand E-Linia Brandt, integrado no “Europa Literatura Network – Clube de Networking Literário”, que recebeu escritores portugueses, brasileiros e de outras geografias lusófonas.

Num ambiente marcado pela diversidade cultural, o espaço destacou-se como ponto de encontro para autores da lusofonia, refletindo a importância da comunidade portuguesa e brasileira na Suíça, e afirmando a língua portuguesa num contexto editorial internacional.

Em entrevista, Linia Brandt explicou que a criação do projeto nasceu de uma necessidade pessoal, afirmando que “a iniciativa nasceu da necessidade de falar para o mundo que eu era escritora”, numa trajetória que começou de forma individual e evoluiu para uma plataforma coletiva de apoio a outros autores.

A entrada no Salão do Livro surgiu de forma quase inesperada, quando percebeu as limitações de acesso ao evento.

“Procurei ter uma mesa aqui no Salão e não tinha mais espaço disponível, apenas um stand”, destacou. Foi neste sentido que Linia procurou estruturar um projeto próprio e criar um espaço dedicado à literatura independente. A partir desse momento, o stand E-Linia Brandt passou a assumir um papel agregador dentro da comunidade lusófona.

“Convidei escritores a virem partilhar comigo esse momento”, disse, recordando que, hoje, o seu espaço “é dedicado a todos os escritores independentes que não sabem para onde ir”, posicionando assim “como uma porta de entrada para novos autores no circuito internacional”.

A iniciativa responde também a uma lacuna identificada ao longo dos anos no próprio evento.

“Sempre procurava no Salão um livro em português”, sublinhou, porém, a reduzida presença de obras lusófonas reforçou a sua missão de “criar um espaço próprio para essa representação”. Um compromisso que se traduziu na abertura do projeto a novos participantes.

“Todos que queiram estar no Salão, participando no meu stand, são bem-vindos”, afirmou.

Para além da promoção de outros autores, Linia Brandt apresentou também os seus próprios livros, centrados na experiência da imigração, identidade e desenvolvimento pessoal. Entre as obras destacam-se “Uma Edelweiss com Raízes Brasileiras”, onde reflete sobre 26 anos de imigração na Suíça; “Quer Imigrar para a Suíça?”, dedicado aos desafios emocionais e sociais do percurso migratório; e “A Arte de Viver Bem, Praticando o Jejum”, baseado na sua experiência pessoal de transformação.

A autora assume a sua identidade como um equilíbrio entre culturas, manifestando ter orgulho em dizer que é suíça, assim como em dizer que é brasileira.

No âmbito do evento, foi ainda apresentada a nova revista “40 anos, 40 Mulheres Construtoras de Pontes”, lançada no próprio Salão do Livro de Genebra, reunindo testemunhos femininos ligados à diáspora e à construção de percursos entre culturas.

“Essa revista é para todas as mulheres que atravessam pontes”, disse.

“Posso dizer que a nossa presença no Salão do Livro de Genebra afirma-se como uma plataforma de visibilidade para a língua portuguesa, contribuindo para a afirmação da literatura lusófona num evento de dimensão internacional e reforçando o papel das comunidades emigrantes na difusão cultural”, finalizou Linia Brandt.

 

Por: Ígor Lopes

Imagem: Linia Brandt, responsável pela iniciativa.

Foto: Agência Incomparáveis

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