Artigo

LX90, a Lisboa em que Tudo Era Possível

A Dom Quixote edita na próxima terça-feira, 14 de abril, “LX90, a Lisboa em que Tudo Era Possível”, de Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes. De temas incontornáveis como a Expo 98 aos escândalos do último Governo de Cavaco Silva passando pelo referendo sobre a legalização do aborto, LX90 transporta-nos à década do optimismo financeiro, das grandes mudanças sociais e das últimas novidades tecnológicas. 

É lançado quase dez anos depois de Lx80 – Lisboa Entra Numa Nova Era e seis depois Lx Joga – Lisboa Como Nunca a Viu, um “spin-off” da série Lx para pais e filhos. «É a altura certa. Passaram mais de 25 anos desde 1999 e esta é uma década fundamental para reflectirmos sobre o país do presente, nos surpreendemos com histórias enterradas na memória e nos divertimos com as grandes tendências do momento.»

Em 1990, Lisboa entra na rota dos megaconcertos com uma tríade de magníficos: Rolling Stones, David Bowie e Tina Turner.  

Podia ser só mais um prémio literário, mas, para surpresa de todos, o subsecretário de Estado da Cultura resolve vetar O Evangelho Segundo Jesus Cristo do prémio Nobel. Com o país dividido, José Saramago deixa Portugal.  

Primeiro Lisboa-Cascais, logo a seguir Lisboa-Porto. A conclusão da A5 e da A1 assinala o arranque da década das auto-estradas. Para Cavaco Silva, fundamentais para a economia; para os críticos, um desperdício de fundos comunitários.  

A entrada dos privados no mercado audiovisual dá início a um novo tipo de guerra e a uma revolução de costumes. A SIC é a primeira, de Carnaxide para o país. 

O buzinão na Ponte 25 de Abril e as manifestações dos estudantes são apenas a face mais visível da insatisfação. Na primeira metade da década, o país torna-se um campo de batalha com um inimigo comum, o Governo.

A interrupção voluntária da gravidez é considerada uma matéria tão sensível que os eleitores são chamados a pronunciar-se. É o primeiro referendo na história do país

Antes da Burger King e do KFC, um ano depois da Pizza Hut, a McDonald’s chega a Cascais e a Lisboa quase em simultâneo. A era dos franchises e da fast-food à americana está só a começar.

Ápice da euforia consumista lisboeta, o maior centro comercial da Pensínsula Ibérica é comparado pelo Governo ao Scala de Milão e coroado o mais lucrativo pelo público. A crise económica que se adivinha é apenas um pormenor.

Ao fim de três anos de obras, vários atropelos ambientais e dois acidentes que causam a morte de duas crianças e seis adultos, a Ponte Vasco da Gama é inaugurada. São 17 km de comprimento, 12 dos quais suspensos sobre o estuário do Rio Tejo, a ligar Lisboa e Sacavém ao Montijo. O Presidente da República Jorge Sampaio e o primeiro-ministro António Guterres presidem à cerimónia. Membros do executivo anterior, incluindo Cavaco Silva, são convidados. Mas antes deles, já 15 mil pioneiros andaram por ali. E não foi à socapa. Foi para uma feijoada.

São anos de obras e polémicas até que a Exposição Universal de Lisboa abre por fim ao público. Os primeiros visitantes chegam de madrugada, cheios de curiosidade, carregados de expectativas e, felizmente, com o seu próprio farnel. O  timorense Tomas Ko é o primeiro a entrar na Exposição Mundial de 1998. São dez horas da manhã de sexta-feira, dia 22 de Maio. Tal como ele, centenas de pessoas passaram a madrugada ao relento à espera de estrear o recinto de mais de 70 hectares. São os pioneiros dos cerca de 100 mil curiosos do fim-de-semana inaugural, que vêem na zona oriental de Lisboa, antes ocupada por baldios, contentores e edifícios abandonados.

Aos 79 anos, Amália Rodrigues, musa maior do país do fado, despede-se para sempre.

Só na área metropolitana de Lisboa, 132 mil pessoas vivem em barracas. Muitas, sem esgotos, luz ou água. Em 1999, começa o realojamento no Casal Ventoso, um dos bairros mais complicados da capital

 O bug do milénio. Num sistema informático global em que os anos são representado apenas pelos dois últimos dígitos, o que acontecerá quando a década chegar ao fim e entrarmos num ano que se lê como 1900? Com o Governo reunido na sede da Portugal Telecom, a 31 de Dezembro de 1999, há quem se agarre aos kits de sobrevivência, outros, saem para celebrar. Vem aí o ano 2000

Joana Stichini Vilela (n. 1980) é jornalista freelance, consultora editorial e adestradora de coelhos. Publica em vários títulos, incluindo Expresso, Monocle e Observador. Criou formatos escritos e audiovisuais, como Siga o Coelho Branco e criar.pt para a RTP, e o primeiro guia internacional da revista Observador Lifestyle, sobre Marrocos. Nos anos 90, leu A Lua de Joana, ouviu centenas de vezes o CD Palma’s Gang ao Vivo no Johnny Guitar e não viu O Império dos Sentidos. Teve um Twingo verde de 1994, mas só no século xxi. É criadora e co-autora da série de livros Lx60, Lx70, Lx80, Lx90 e LxJoga.

Pedro Fernandes (n. 1976) é designer gráfico. Trabalhou como designer e diretor de arte em várias publicações portuguesas como A Capital, jornal i, Diário de Notícias e Time Out. Nasceu e vive em Lisboa, onde nos anos 90 foi ver os The Cult, Metallica e Suicidal Tendencies ao Estádio de Alvalade, treinou o olhar com um auto-estereograma colado na parede do quarto, participou no dia de teste da Expo ‘98 e viu O Império dos Sentidos. É co-autor dos livros Lx70, Lx80, Lx90 e LxJoga.

 

 

Fonte: LeYa

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