Artigo

STBY – meta-tempo e liberdade

STBY é uma performance multimédia de Rodrigo Miragaia. Vai ser apresentada dia  28 de fevereiro, às 19h30, na Casa do Comum, no Bairro Alto, em Lisboa. Nesta performance, com música ao vivo e vídeo manipulado e emitido em direto,  propõe-se a desintegração da imagem e da música como resistência ao tempo tal  como ele tem vindo a ser construído pelo tecno-capitalismo.  

STBY é o acrónimo para Stand By e refere-se ao modo de pausa dos aparelhos electrónicos, quando  aguardam uma acção do utilizador. No contexto desta performance adquire o significado de  suspensão do tempo, de descontinuação de uma acção ou movimento, que corresponde à recusa  radical do movimento do tempo, tal como este nos chegou através de uma tradição ocidental  caracterizada por uma mentalidade elitista, xenófoba e altamente predatória. Esta tradição,  legitimada pelas ciências exactas, foi construindo aquilo a que se denomina agora o “tecno capitalismo integrado global”, movimento que rege os sistemas de ensino, as leis do trabalho e as  máquinas de guerra. STBY propõe um meta-tempo, em consonância com o cosmos, o ritmo da  natureza e os desígnios da arte.  

STBY é uma performance multimédia onde se inclui uma instalação de vidros acrílicos que  funcionam como cenário escultórico e suporte para vídeo projeções manipuladas ao vivo, que se  refletem pelo espaço, criando um ambiente imersivo. A música, também tocada ao vivo, dialoga com  as imagens e propõe ao público uma relação entre a estética low-fi retro com aspetos  contemporâneos sobre o tempo e a liberdade. 

Os músicos são Carolina Miragaia (voz, baixo e sintetizadores), Ronaldo Januário (guitarra,  harmónica, voz e outros) e Rui Rodrigues (percussão). A construção musical responde a alguns  apontamentos sonoros do vídeo e à própria imagem, oscilando entre o drone, paisagens futuristas e  linhas de percussão esporádicas e incisivas.

No vídeo, estão Carolina Soares e Rodrigo Miragaia, ambos muito próximos nas estratégias visuais  com recurso ao loop e ao glitch. As projecções incluem imagens capturadas e misturadas ao vivo e imagens gravadas previamente, tais como gráficos 3D de Gonçalo Cabaça. Tanto o som como o  vídeo utilizam tecnologia retro, misturada com tecnologia atual. 

A performance é constituída por seis actos, ou momentos, que partiram da nomenclatura das  funções de várias câmaras de vídeo: STBY; MIRROR; INTERNAL MEMORY; TIME ZONE; 3D  NOISE REDUCTION; e LONG TIME RECORDING. Estas funções, algumas das quais existem  noutros aparelhos electrónicos, derivaram para um significado poético e para uma articulação com  pensamentos de artistas e filósofos, o que inspirou Rodrigo Miragaia a desenvolver uma estrutura de  seis exercícios conceptuais de orquestração do vídeo com o som.  

A sequência narrativa obedece a propostas de diálogo entre música e imagem a partir das quais é dada alguma liberdade de improvisação e abstração aos intérpretes, tanto na música como no vídeo,  numa prática semelhante à dos Vj’s. 

Esta performance, com uma estética assumidamente retro, quer no que respeita à imagem, quer à  música, recorre a aparelhos electrónicos considerados obsoletos e é inspirada nos videogames dos  anos 80 e no tipo de imagens de baixa resolução emitidas pelos antigos monitores. Mas os assuntos  que aborda são contemporâneos e prementes.  

STBY é um projeto em permanente mutação. As imagens foram pensadas em função dos reflexos  múltiplos da instalação para representar aspetos da memória, da perceção do tempo e as suas  relações com a liberdade. Diante deste cenário de hipóteses e possibilidades, a nossa intenção é que este projeto promova a desintegração da imagem tal como a desintegração do que acreditamos  ser definitivo. A mudança existe a cada momento, existe no fluxo de energia que a tecnologia  aprendeu a manobrar, para que possamos desenvolver a percepção e olhar com novos moldes e  referências para o tempo, esse conceito escorregadio que se multiplica por cada entidade vivente.  Pensamos, assim, estar a contribuir para a diluição das fronteiras entre o que é considerado “erro” e  “belo” pois ambos são duas faces complementares da mesma ordem de ideias, tanto ao nível  tecnológico como ao nível sociológico.” Rodrigo Miragaia 

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STBY 

Dia 28 fevereiro (quarta-feira), 2024, 19h30 

Casa do Comum, Rua da Rosa, nº 285, Lisboa 

Duração: aprox. 45 min. 

Entrada livre 

FICHA TÉCNICA 

Concepção: Rodrigo Miragaia  

Música: Carolina Miragaia, Ronaldo Januário e Rui Rodrigues 

Vídeo: Carolina Soares e Rodrigo Miragaia  

Gráficos 3D: Gonçalo Cabaça 

Direção de produção: Stella Zim  

Assessoria de imprensa: Levina Valentim 

Apoio: DLPROD Audiovisuais 

Media: 

Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=l3J5Fz8eHGo 

Instagram: https://www.instagram.com/stby.performance/ 

Rodrigo Miragaia: www.rodrigomiragaia.com 

Foto: © Rodrigo Miragaia

Fonte: levina.valentim

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