Artigo

Americanah | Chimamanda Adichie

Americanah | Chimamanda Adichie

Chama-se “Americanah”, saiu da admirável @chimamanda_adichie e relembra-me de que grande parte daquilo que hoje sou, devo-o a livros como este que seguro nas mãos.
A minha mundividência, a minha sede de saber (e conhecer), o sentimento (quase) inexplicável de identificação que nutro para com as minorias raciais e étnicas, o meu sentido acutilante de justiça (mas também o reconhecimento e respeito pelas zonas cinzentas, que os anos me têm trazido), a par da minha (creio eu) notória sensibilidade para todas as nuances da condição humana.
Vêm daqui. Não no sentido literal e concreto. Não deste livro, em particular. Mas de outros similares. Muitos outros. Ao longo do tempo.
Tenho, finalmente, vindo a perceber o papel da leitura na minha vida. Começou por ser um hábito, progressivamente passou de passatempo a actividade preferida, mas deixou raízes profundas – ainda que invisíveis – na forma como, todos os dias, existo no mundo.

Mais do que um manifesto político, religioso, cultural ou “abre-olhos” para as eternamente-em-voga-porque-urgentes questões de género, mais do que uma história acerca do velhinho “sair para voltar a entrar”, este livro é um fantástico pedaço de vida, com quem inúmeros se identificarão. (E não é esse sentimento de espelho que todos tão subconscientemente procuramos?)

“- Eu sou de um país onde a raça não era um problema; não pensava em mim própria como negra, só me tornei negra quando vim para a América. Quando uma pessoa que é negra na América se apaixona por uma pessoa branca, a raça não importa quando as duas estão juntas sozinhas, porque são só eles e o seu amor. Mas mal se põe um pé fora da porta, a raça assume importância. Mas nós não falamos sobre isso. (…) Não dizemos nenhuma dessas coisas. Deixamo-las amontoarem-se dentro da nossa cabeça e quando vimos a simpáticos jantares liberais como este dizemos que a raça não importa, porque é isso que se espera que digamos, para deixar os nossos simpáticos amigos liberais à vontade.”

Achei que estava perante um livro-Verão. Enganei-me.
É um livro-todas-as-estações.
Leiam-no, vão (muito) a tempo.

Gabriela Cunha

 

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