Artigo

"Ku "Klux Klan - Uma História Americana"

“Ku “Klux Klan – Uma História Americana”

A Casa das Letras edita esta semana, “Ku Klux Klan – Uma História Americana”, do historiador britânico Kristofer Allerfeldt, para quem o “estado moribundo” do grupo “não significa que a supremacia branca tenha diminuído ou desaparecido”. Para o autor, os grupos de ódio estão a crescer devido à presidência de Donald Trump e ao seu discurso agressivo e directo, que levou a uma alteração dos limites de quem – e do que – era ‘aceitável odiar’. “O ódio passou a ser uma prática comum. Na década de 1920, assistimos a uma conjugação de políticas que pode ser comparável com a que vivemos hoje.”

O Ku Klux Klan espalhou o terror e fez um incontável número de vítimas nos últimos 150 anos. Ainda hoje, embora adormecido, ergue a sua cabeça encapuzada. Nascido nos escombros de um Sul inconformado com a derrota na Guerra Civil Americana, tornou-se um verdadeiro movimento de massas na década de 1920 e ganhou um novo ímpeto cerca de 40 anos mais tarde, em plena era dos Direitos Civis nos Estados Unidos.

Tanto as ações como o número de membros do grupo diminuíram drasticamente desde então – mas o poder simbólico do KKK, enquanto marca do terror da supremacia branca, permanece intacto. Com base em 20 anos de pesquisa, este livro procura desmistificar uma das organizações mais violentas, temidas e mal compreendidas da história, ao mesmo tempo que analisa a forma como os novos grupos racistas dos Estados Unidos se relacionam com o peso do seu legado. No mundo polarizado em que vivemos, o mito do KKK é muito mais perigoso do que a sua realidade.

“O Klan da década de 1920 parecia ter soluções para problemas tão diversos como a imigração em massa, a desintegração dos valores familiares, a corrupção política e a pobreza rural. A mensagem era popular. O Klan tornou-se um movimento nacional que atraía milhões de pessoas. O seu último verdadeiro crescimento ocorreu nas décadas de 1950 e 1960. É o Klan de inúmeros filmes e programas de televisão: um grupo abertamente racista, ultraviolento, de terrorismo interno. Este Klan dedicou-se a bombardear e a assassinar em todo o Sul dos Estados Unidos antes da queda provocada pela onda de pressão popular por detrás do movimento dos Direitos Civis e da paz. É um fenómeno surpreendente: uma pequena minoria de brancos privilegiados foi capaz de usar mais de três milhões e meio de escravos para manter cerca de cinco milhões de brancos pobres amplamente satisfeitos. Tendo esta lógica em consideração, era natural que a emancipação (dos negros) representasse uma ameaça para a vida de toda a sociedade sulista. E isso foi crucial para o desenvolvimento do Klan.”

KRISTOFER ALLERFELDT nasceu em Inglaterra. Educado em Dorset, viveu na Califórnia, e voltou às raízes para se dedicar à criação de ovelhas. Na viragem do século XXI, depois de dois surtos de EEB e de uma pandemia de febre aftosa, que forçaram muitos agricultores a procurar outras fontes de rendimento, inscreveu-se na Universidade de Exeter e, sem largar em definitivo a agricultura, fez um doutoramento em História dos Estados Unidos. Escreveu quatro livros académicos e vários artigos, deu palestras na Europa e na América e deu aulas sobre diversos assuntos, incluindo o sentimento anti-imigrante, o crime organizado, a escravatura, os grupos de ódio norte-americanos do início do século xx e a história do Ku Klux Klan. Vive numa aldeia piscatória da Cornualha com a sua mulher e um cão chamado Napoleão.

Fonte: LeYa

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