Paulo Moura – Um olhar humano sobre o mundo

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Paulo Moura é repórter, aliás, dos melhores repórteres portugueses de sempre, o que em outro tempo e em outro local talvez fosse suficiente para atestar da sua qualidade como escritor e contador das histórias alheias que marcaram o nosso tempo. Mas, nesta época de jornalismo de “meia página”, é melhor acrescentar que Paulo Moura é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e em Comunicação Social pela Escola Superior de Jornalismo, sendo actualmente professor de Reportagem e Jornalismo Literário na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa e na Escola de Tecnologias de Inovação e Criação.

Talvez seja igualmente bom explicar que Paulo Moura é herdeiro do new journalism americano dos anos 60 e 70 do século passado, uma espécie de mescla entre literatura e jornalismo, imortalizado por nomes como Gay Talese, Norman Mailler, Tom Wolf, Truman Capote, Jimmy Breslin, entre muitos outros e que teve na New Yorker um dos seus principais veículos editoriais. Classificado como “parajornalismo” por Dwight MacDonald no acérrimo ataque que desferiu nas páginas da New York Review of Books contra o texto que Tom Wolf publicara no suplemento de fim de semana do New York Herald Tribune, em que parodiava a New Yorker e o seu editor William Shawn, o novo jornalismo foi larga- mente acusado de ser subjectivo e exageradamente criativo, subvertendo muitas vezes a própria realidade dos factos. A verdade é que foi no jornalismo literário que Paulo Moura encontrou inspiração para refutar estas acusações, provando ser dos mais imparciais e rigorosos representantes da sua profissão, não deixando nunca de entregar às suas reportagens o olhar humano e muitas vezes tocante que as tornaram inconfundíveis.

Paulo Moura é jornalista e foi como jornalista que integrou os quadros do Público desde a sua fundação e, durante mais de 20 anos, foi sucessivamente repórter de internacional, correspondente nos EUA, jornalista de cultura e sociedade, editor da Pública, a revista de Domingo e, de novo, repórter de internacional. Há algumas semanas, por decisão da Direcção, cessou o vínculo de uma vida com o jornal onde publicou mais de uma dezena de reportagens premiadas e centenas de outras que acabaram compiladas em 7 livros que são um passeio pela história do bom jornalismo nacional.

Foi sobre os seus livros e em particular o mais recente “Depois do Fim” que conversámos com Paulo Moura, em Belém, numa entrevista que de tão entusiasmante que fez esquecer o almoço e se prolongou tarde dentro.

Ler a entrevista na íntegra aqui

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