A Casa das Letras edita na próxima terça-feira, 13 de janeiro, o romance “Tokyo Sympathy Tower”, da escritora japonesa Rie Qudan, vencedora do Prémio Akutagawa, o mais importante reconhecimento literário japonês, que pode ser comparado ao Prémio Saramago. A escritora, de 33 anos, foi catapultada para os media internacionais ao assumir ter recorrido ao ChatGPT para escrever cinco por centro de uma obra a que o júri deu nota máxima e considerou “praticamente perfeita”.
A polémica instalou-se de imediato até porque a escritora admitiu que considera o ChatGPT uma espécie de segundo editor, mas salientando que só recorreu a essa ferramenta nos pequenos extratos em que a protagonista interage com a IA. Passado num Japão do futuro próximo, o romance gira em torno de uma ideia radical prestes a tomar forma: tratar criminosos com compaixão ilimitada, em vez de os punir. A expressão máxima deste conceito é a torre-prisão de luxo no coração de Tóquio – a Tokyo Sympathy Tower, encomendada à aclamada arquiteta, Sara Machina. No auge da sua carreira, vítima ela própria de violência, é assaltada por dúvidas existenciais sobre os valores do próprio projeto.
Reflete então sobre se a atitude pública a respeito destes condenados deve ser a da empatia, empreendendo uma crítica (satírica) da própria sociedade japonesa — Rie admitiu ter-se baseado no assassínio do primeiro-ministro Shinzo Abe, em 2022, e na circunstância de o atirador, por motivos vários, ter sido olhado com alguma benevolência pela opinião pública. No romance, os condenados são submetidos a um “teste de simpatia” que deteta, por exemplo, traumas familiares, para determinar se são ou não merecedores de compaixão e, portanto, de ocupar um lugar na ‘prisão de luxo’, cabendo à inteligência artificial (IA) dar a última palavra. O mesmo faz a arquitecta que num acesso de crise criativa e existencial, recorre a um chatbot de Inteligência Artificial em busca de conselhos, apenas para descobrir que este também não dá respostas isentas de ideologia.
Tokyo Sympathy Tower é um romance cativante entre a utopia e a distopia, que fascina e questiona o leitor sobre o poder da linguagem, a moralidade, o papel da beleza e a era da inteligência artificial.
«Tão incrivelmente atual que podia ter sido escrito esta manhã, mas é muito mais do que meramente tópico, à medida que profundos problemas morais, sociais e linguísticos colidem. Uma joia contemporânea.»
SPECTATOR
Rie Qudan nasceu em Saitama, no Japão. Após a sua estreia em 2021 com Bad Music, que venceu o Prémio para Novos Escritores da Bungakukai, foi rapidamente aclamada como uma das mais promissoras escritoras da literatura japonesa. Em 2022, a sua segunda obra, “Schoolgirl”, foi finalista do Prémio Akutagawa, o mais prestigiado galardão literário do Japão. A sua terceira obra, “The Poetry Horse”, venceu o Prémio Noma para Novos Talentos Literários. O seu quarto romance e bestseller, “Tokyo Sympathy Tower”, foi publicado em 2024 e venceu o Prémio Akutagawa.
Font: LeYa




