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Retrospectiva em Londres do Último Surrealista Português

Retrospectiva em Londres do Último Surrealista Português

A 37ª edição da London Art Fair será o palco de uma retrospetiva única dedicada a João Artur da Silva, o último Surrealista Português. Aos 96 anos, e radicado no Canadá desde 1991, João Artur continua a pintar diariamente, mantendo uma ligação inquebrável à sua arte e ao surrealismo. Esta exposição, que marca o seu regresso ao Reino Unido após mais de quatro décadas de ausência do circuito artístico internacional, oferece uma rara oportunidade de reviver a obra de um mestre cujas criações desafiavam as convenções e exploravam o inexplorado da imaginação. A Perve Galeria traz a Londres a visão singular de João Artur, permitindo ao público redescobrir a força e a atualidade do surrealismo português, enquanto reafirma a importância de um artista que, ao longo de sete décadas, nunca deixou de questionar a realidade.

Após ter se retirado das exposições e do mercado de arte ao estabelecer-se no Canadá, João Artur viu o seu trabalho, desenvolvido entre Inglaterra e Portugal, perder o reconhecimento que havia conquistado nas décadas anteriores. Recentemente, o artista decidiu retomar o seu percurso artístico, confiando à Perve Galeria a sua representação. Com exposições em cidades como Lisboa, Vancouver e Seattle, o artista celebrou ainda em 2024 o marco dos 96 anos com a sua primeira exposição retrospetiva, que reavivou a sua trajetória. A sua participação na London Art Fair surge como uma continuação desse regresso, uma oportunidade para revisitar uma carreira marcada pela versatilidade e resiliência ao longo de diferentes períodos e geografias.

A mostra não só destaca o seu percurso no surrealismo português, como também explora as várias fases da sua produção, especialmente a sua evolução após a mudança para Londres na década de 1950. Foi nesse período que João Artur ampliou os seus horizontes artísticos, incorporando novas técnicas, como a fotografia e os têxteis, e colaborando com instituições prestigiadas, como Harrod’s e Liberty’s. Essas colaborações não passaram despercebidas, recebendo elogios de figuras como Henry Moore e Lynn Chadwick. A exposição oferece um mergulho na sua vasta obra, refletindo a inovação e a constante reinvenção do artista, que segue desafiando os limites da sua arte.

Com a curadoria de Pryle Behrman, a Perve Galeria marca novamente presença na secção ‘Encounters’ da London Art Fair, um espaço dedicado a promover encontros criativos e diálogos intergeracionais. Neste contexto, a obra de João Artur não só ganha nova relevância, como também estabelece um elo entre o passado e o presente da arte contemporânea, reafirmando o seu legado e a sua capacidade de continuar a surpreender novas gerações.

Na capital britânica, como única galeria portuguesa a integrar o certame, a Perve apresenta também obras de Teresa Roza d’Oliveira (1945–2019) e Renée Gagnon (n. 1942), duas artistas cujas obras atravessam os territórios lusófonos e refletem contextos de resistência e transformação.

Teresa Roza d’Oliveira (1945–2019), luso-moçambicana e ativista pelos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQ+, apresenta uma seleção de obras que refletem o seu compromisso com a justiça social e a identidade. A sua produção artística foi fortemente influenciada pelas suas vivências nos movimentos de independência de Moçambique e na luta contra a ditadura em Portugal. A sua participação na London Art Fair segue a sua recente estreia individual em Londres, em fevereiro de 2024, e antecipa a sua inclusão numa exposição de grande relevância no Smithsonian Institute, em Washington D.C., dedicada a artistas LGBTQ+ africanas, prevista para 2025.

A par da artista, a Perve Galeria apresenta também as poderosas representações de Renée Gagnon (n. 1942), artista canadiana radicada em Portugal. As suas obras, centradas nos musseques de Angola, capturam a resiliência das comunidades marginalizadas. Gagnon, que viveu em Luanda nos anos 1970, foi uma das primeiras a documentar artisticamente esses bairros informais e as suas realidades. A sua série, que funde pintura e gravura à fotografia, permanece como um dos mais importantes testemunhos da luta pela sobrevivência em tempos de adversidade, refletindo as memórias coletivas e a resistência social. A participação de Gagnon na London Art Fair sucede à sua recente exposição na Perve Galeria, em Alfama, Lisboa.

Na 37.ª edição da London Art Fair, a Perve Galeria apresenta uma narrativa marcante sobre diáspora, identidade e reinvenção artística, através das trajetórias de três artistas. A jornada transatlântica de João Artur, o legado ativista de Teresa Roza d’Oliveira e a abordagem sociocultural de Renée Gagnon revelam o poder transformador da arte como resposta ao deslocamento e às transformações históricas. As suas obras, que cruzam memórias e resistência, sublinham a importância de revisitar legados esquecidos e de promover o diálogo entre gerações e culturas.

Mais informações: www.pervegaleria.eu

Fonte: perveglobal.com

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