(…) A Fé, que pode ou não ser questão de religião, sempre trouxe consigo interrogações e dúvidas, aceitação ou negação (perguntava Oliveira nas suas reflexões sobre o seu Palavra e Utopia: “Não há ateus convertidos? E crentes que perderam a fé?”, ele que frequentemente citava Régio e o seu “crer não crendo” ; num outro filme de Bresson, Pickpocket, Michel diz: “Acreditei em Deus durante três minutos” e o realizador comentava que “poucas pessoas podem dizer que acreditaram em Deus durante tanto tempo”).
Escolhemos uma dúzia e meia de filmes, todos eles de grandes cineastas, todos eles obras-primas, de várias épocas e cinematografias (mas muitos outros se poderiam acrescentar). Organizamos ainda, a meio, a seguir à projeção de Ordet, de Dreyer, um debate sobre estas questões, colocadas por realizadores que sempre assumiram a sua religiosidade, como Bresson ou Rossellini, ou, por outro lado, Buñuel, que, tendo tido em criança uma educação religiosa, se dizia “ateu, graças a Deus” (e em cuja obra a religião teve sempre forte presença, com filmes que foram proibidos e o realizador a ser condenado à prisão e excomungado). Obras de despojamento e ascetismo, como as daqueles dois cineastas, ou Dreyer, Pasolini e Godard, outras, barrocas, como o filme de Verhoeven, e tanto umas como outras acabariam por causar escândalo. (…) Medeia Filmes
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