A Viarco (1907), única no mercado de lápis em Portugal, aderiu à ideia da obra O lápis azul, recentemente publicada pelas Edições Vieira da Silva e assinada por Laurinda Aguiar da Silva (ilustrações de Andrea Ebert).
A autora convoca com esta obra a ideia de que é importante questionar, para transformar, recriar. A empresa Viarco, ela própria um elemento de resistência, associa-se, assim, à ideia de que é necessário ser agente de divulgação da história, da identidade de um povo, e, paralelamente, atribuir a esse património um novo papel. O do questionamento e da criação. Porque, atrás das perguntas (ingrediente fundamental da Filosofia para Crianças e Jovens, área na qual a autora se move há duas décadas) vem o diálogo, onde cada parte tem o seu espaço de intervenção com igualdade de oportunidades, contribuindo para a geração de ideias. O emblemático e olímpico lápis azul é, na verdade, o lápis da liberdade. Fomentador da imaginação, da crítica e da criatividade.
“É bom que a nossa história recente esteja presente. Portugal viveu durante quase 50 anos debaixo de uma ditadura e após 50 anos de democracia os ares que se respiram são de quem já não se lembra. Para uma criança com 10 anos, algo que aconteceu em 1974 é uma coisa do milénio passado, mas este é um do presente”, refere José Vieira, diretor da Viarco.
A autora afirma ser um privilégio que a Viarco se tenha associado a esta primeira edição de O lápis azul. “O facto de a Viarco se juntar à proposta da obra traz uma materialidade renovada à expressão, que há muito passou a ser idiomática da língua portuguesa, e que é um dos caminhos que a história contém”, refere Laurinda Aguiar da Silva.
“Sabemos que o equilíbrio entre um Estado de direito e uma ditadura é algo muito precário… (se calhar os ditadores sempre foram eleitos pelo povo). Este livro traz o assunto da censura para cima da mesa, apresenta-o a novas gerações, educando-as para o pensamento livre», adianta ainda a Viarco.
O lápis azul continua a ser um objeto resistente, capaz de riscar sobre qualquer superfície. Ao longo de 48 anos teve o papel e o poder de visar, restringir e eliminar quaisquer registos que fragilizassem os valores do Estado Novo, abatendo-se sobre milhares de livros, sobre a imprensa ou qualquer manifestação cultural. Hoje, reescreve a sua história e transforma o mundo em seu redor pela via da criação.
E, porque não existem boas sínteses sem boas análises, o lápis azul da Viarco, que foi elemento de inspiração, corre agora bibliotecas, livrarias, e outros espaços culturais lado a lado com a obra O lápis azul para escrever, desenhar, e despertar com miúdos (e graúdos, por que não?) a invenção e a reinvenção de ideias. Juntos, vão continuar o périplo por bibliotecas escolares e municipais e outros espaços culturais.
Fonte: DA COMUNICAÇÃO




