Artigo

Portugal e o Ocidente, do historiador britânico Tom Galagher, uma análise do pais de 1890 a 1975

A Dom Quixote edita na próxima terça-feira, 10 de março, “Portugal e o Ocidente”, do historiador britânico Tom Galagher,  autor de “Quando Salazar Dormia”. Do ultimato britânico e de Salazar à revolta utópica a obra analisa o complexo papel de Portugal durante o período transformador da história ocidental desde 1890 até 1975, quando os conflitos ideológicos e os realinhamentos geopolíticos reformularam a ordem global.

A obra traça a trajetória de Portugal de nação periférica a ator momentaneamente autónomo, revela como o país, sob a liderança de António de Oliveira Salazar, assegurou a sua soberania e identidade euro-africanas perante as ambições competitivas das grandes potências.

Através de uma análise meticulosa, investiga as manobras estratégicas de Portugal, incluindo a sua emergência como país fundador da NATO em 1949, e a sua resistência às correntes pós‑nacionais que redefiniram o Ocidente nos anos 1960. Também investiga as consequências da revolução de 1974, que acabou com o regime autoritário e deu origem a uma retirada caótica de África, reduzindo a influência de Portugal a nível internacional.

Baseado em conhecimento histórico e geopolítico, “Portugal e o Ocidente” oferece uma perspetiva diferenciada do governo de uma pequena nação num contexto global conturbado. Esclarece a interação entre o interesse nacional, as correntes ideológicas, e as forças transnacionais, tornando a sua leitura essencial para todos os que se interessam pelo papel de Portugal no mundo durante o século XX.

“São nove capítulos que cobrem períodos que variam em exten­são. É dedicado um espaço particular aos anos de 1936 a 1945. Foram aqueles em que houve uma intensificação do conflito, com o Ocidente a mergulhar em crises e guerras. Revelam a capaci­dade de ação, ou a margem de manobra, de que Portugal gozou num ponto crucial da era moderna sob uma liderança capaz de definir e defender objetivos políticos com invulgares níveis de firmeza e clareza. Foi um ponto alto na capacidade de Portugal moldar o seu próprio destino e escudar-se contra o infortúnio num tempo de agressividade sem paralelo nos assuntos interna­cionais. Talvez nenhum outro pequeno país tenha sido tão hábil como Portugal em preservar a sua liberdade de ação neste conflito que definiu o século XX. Durante ainda algumas décadas Portugal preservaria a sua margem de manobra num contexto geopolítico em acelerada mutação. Um sistema político nacionalista mante­ve-se num clima intelectual ocidental que crescentemente ques­tionava a validade de uma perspetiva nacionalista na comunidade de nações norte-atlântica. Este livro conclui com uma aprecia­ção da revolução de 1974-75 que pareceu alinhar Portugal com uma visão pós-ocidental, questionando numerosos pressupostos sobre os quais tinham assentado a singularidade e a atratividade do Ocidente.”

Tom Gallagher é um historiador britânico especializado em Europa Moderna e professor emérito da Universidade de Bradford. Escreveu e é coautor de mais de 20 livros. A sua primeira obra foi Portugal: A Twentieth Century Interpretation, publicada em 1983. Em 2023 publicou Europe’s Leadership Famine: Portraits of Defiance and Decay. Vive no Lake District, em Inglaterra, e visita regularmente Portugal.

 

Fonte: LeYa

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