Obras inéditas de João Artur da Silva, fundador de “Os Surrealistas” a viver no Canadá, na Celebração do Centenário de Mário Cesariny

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Celebrando a extraordinária vida e o profundo legado de Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006), a Casa da Liberdade e a Perve Galeria inauguram, em Alfama, duas exposições que apresentam um amplo espólio documental, na sua maioria inédito, e de que o público poderá levar consigo cópias numeradas. Com inauguração às 18h de 9 de agosto, dia em que o mestre surrealista completaria cem anos, as mostras exploram o seu compromisso inabalável com a liberdade, permitindo certamente múltiplas e variadas revelações.

“Primeira Pessoa”, na Casa da Liberdade, destaca a voz própria, o pensamento e a produção plástica de Mário Cesariny, pela apresentação de perto de uma centena de obras visuais, entre esculturas, joias, poemas-objeto e colagens, realizadas pelo autor. A estas juntam-se inúmeras cartas e fotografias que integram os vários espólios da instituição. Na Perve Galeria destacam-se as relações estabelecidas entre Cesariny “… e os seus contemporâneos” de vários décadas, apresentando mais de uma centena de obras de artistas nacionais e internacionais, muitos deles tendo coincidido com o autor nas múltiplas exposições em que participou na Perve Galeria entre 2000 e 2006.

No âmbito das exposições será exposto pela primeira vez um núcleo de obras e documentação das décadas de 1940 e 1950, proveniente do recém-doado espólio de João Artur da Silva (1928, Cascais), membro fundador de “Os Surrealistas” que, aos 94 anos, se mantém ativo e a viver no Canadá desde 1991. Este conheceu Mário Cesariny, Artur do Cruzeiro Seixas e demais companheiros de aventura surrealista no final da década de 1940, apresentando a sua obra na primeira exposição do anti-grupo, em 1949, na antiga sala de projeções da Pathé Baby, em Lisboa. Com estes continuou a expor até 1953.

A par deste importante espólio, mediante a curadoria de Carlos Cabral Nunes, sublinham-se as relações estabelecidas entre Cesariny e demais companheiros surrealistas, com a apresentação de obras colaborativas realizadas sobretudo em processo de Cadavre Exquis, com Cruzeiro Seixas, Fernando José Francisco ou David Evans, entre outros, ou o tríptico de Pedro Oom realizado sobre as folhas-catálogo da exposição de 1949. Num dos núcleos destaca-se a obra gráfica de Cesariny, Maria Helena Vieira da Silva, Arpad Szenes, Picasso ou Man Ray, apontando também para as relações com o Grupo Surrealista de Paris, mediante a apresentação de fotografias de André Breton assinadas por Henri Cartier-Bresson, o retrato de Almada Negreiros realizado por José Francisco Aranda, biógrafo de Luís Buñuel, dedicado a Mário Cesariny, entre outras revelações. Noutra secção evidenciam-se as ligações estabelecidas entre a obra de Cesariny com a de artistas latino-americanos, destacando-se os “Poemas Linguísticos” de Paulo Bruscky, realizados na Bienal de Veneza em 2017 e posteriormente doados à Casa da Liberdade, nos quais o artista brasileiro utiliza a própria língua como elemento pictórico. Nota ainda para a apresentação de obras de referência de artistas africanos de língua portuguesa, algumas delas de grande escala, nunca antes apresentadas, como as recém-realizadas pela mestre moçambicana Reinata Sadimba.

Neste ciclo de comemoração da vida e obra de Mário Cesariny, coincidindo com as inaugurações das exposições, realizar-se-á uma sessão de leitura de poemas do autor e dos seus contemporâneos, por vários intervenientes, entre os quais António Cândido Franco, Rui Zink e Nicolau Santos, que apresentará um poema da sua autoria, realizado em homenagem ao mestre surrealista.

As exposições estarão patentes até 26 de novembro, dia em que se assinalam 17 anos sobre a morte de Cesariny, permitindo também desse modo assinalar o 10.º aniversário da Casa da Liberdade, a 2 de novembro, com duas mostras que celebram a inspiração maior por trás da sua fundação.

Fonte e mais informações: www.pervegaleria.eu

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