Em 2026, o Museu de Lisboa amplia a oferta do programa Percorrer Lisboa com mais dois itinerários, passando a contemplar 21 percursos. Com estas duas propostas “procuramos explorar novos territórios porque a cidade está em constante transformação, e é nossa missão acompanhar essa dinâmica, revelando novas histórias, perspectivas e patrimónios que enriquecem o conhecimento sobre Lisboa e a aproximam ainda mais dos seus habitantes”, explica David Felismino, diretor-adjunto do Museu de Lisboa.
Uma das novidades do próximo ano é o percurso Nas Margens da Cidade, criado no âmbito do Festival Todos 2025, sobre Arroios. Durante grande parte da sua formação, este bairro desenvolveu-se à margem dos principais centros de poder e decisão urbana, sendo muitas vezes relegado a um papel secundário no planeamento da cidade. No entanto, ao longo do tempo, Arroios consolidou-se como um território de encontro, diversidade e resistência, um reflexo vivo das margens sociais que historicamente lhe deram forma e identidade.
A outra estreia do programa Percorrer Lisboa propõe um olhar atento ao chão que pisamos. Trata-se do percurso Com Lisboa aos pés, desenvolvido em parceria com a Associação da Calçada Portuguesa, no ano em foi formalizada a candidatura da “arte e saber-fazer da calçada portuguesa” a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO. Mais do que um simples revestimento, a calçada portuguesa é um património vivo que reflete o engenho humano e a relação íntima entre Lisboa, a luz e o seu chão. Da reconstrução pós-terramoto à modernidade das grandes avenidas, a calçada transforma-se em narrativa: um mosaico de experiências, memórias e épocas que, juntas, contam a própria história da cidade.
Os percursos “criados em parceria com organizações não governamentais, associações cívicas, grupos de cidadãos e movimentos ativistas contribuem diretamente para um ambicionado compromisso social do Museu de Lisboa e a sua transmutação num lugar relevante de transformação, participação e responsabilidade social, nomeadamente junto de comunidades tradicionalmente fora da esfera dos museus”, refere ainda David Felismino.
Desde 2017 que o Museu de Lisboa promove percursos orientados e temáticos pela cidade que ajudam a compreender a sua história e crescimento. Do período romano ao período islâmico, da Lisboa das Chaminés à Lisboa das Avenidas Novas, passando pelas judiarias ou os lugares invisíveis da escravatura, pelos locais de memória de ativismo queer ou pelos espaços históricos de emancipação da mulher, são muitos os caminhos que nos permitem conhecer as «Lisboas» que ao longo dos séculos criaram a identidade da nossa Lisboa e das comunidades que nela habitam.
É esta cidade diversa e plural, antiga e moderna, gravada na memória das suas ruas, edifícios e gentes, que o Museu de Lisboa revela, passo a passo, no seus 21 percursos pela cidade.
Fonte: museudelisboa.pt



