I wanna be adored

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Através da minha janela vejo todo o céu, o meu e o vosso. E, preso em memórias, procuro outros momentos e sons de outros tempos. Sinto-me na puberdade, mais uma vez. Podia-vos falar de novos álbuns, novos temas, mas não. Não, porque sob ameaça procuramos refúgio num momento, numa época, numa sonoridade onde o abrigo é asséptico e nos sentimos seguros. Senhoras, Senhores, Sem Género, apresento-vos os “Lusíadas” do Madchester, desafio-vos a ouvir um dos melhores álbuns de todos os tempos… Estou em Manchester no final da década de 80. Um grupo de rapazes mudaram a música, tal como a conhecíamos, redefiniram um género. Ian, John, Mani e Reni formavam os “Stone Roses”. Uma perfeita simbiose de egos e génios. O baixo de Mani, dá o tom para os celestiais acordes de John Squire, uma percussão perfeita de bateria e, como se já não bastasse, surge-nos essa cândida voz a cantar. “I Wanna be adored”, agora e para todo o sempre. Há pop, rock, jazz, blues, melodias folk (Elizabeth my dear), há anarquia e revolta, em Maio de 68 (Bye Bye Badman) há eletrizantes temas de dança (Elephant Stone). Há poemas em todos as canções, “Kiss me where the sun don’t shine/ The past was yours but the future’s mine/ You’re all out of time” é uma carta de amor, canta Ian em “She bangs The Drums”. Há baladas perfeitas “She wakes up with the sun, She asked me what is all the fuss, As she gave me more than she thought she should, She wakes up with the sun ,I think what have I done, As I gave her more than I thought I would)” Há um baixo e uma bateria que se digladiam e dão um mote a uma qualquer rave (I am the Ressurection) e cantem com os pulmões cheios de ar..”Down down, you bring me down, I hear you knocking at my door and I can’t sleep at night, Your face, it has no place, No room for you inside my house I need to be alone, Don’t waste your words I don’t need anything from you, I don’t care where you’ve been or what you plan to do…I am the resurrection and I am the light, I couldn’t ever bring myself to hate you as I’like”….deixem-se levar pelo instrumental até ao fim.

São temas que vos fazem sentir alegres, tristes, confusos, revoltados, calmos, mas presentes. Vivenciem todos estes sentimentos. Ouçam em vinil (mais puro), em cd, mp3 ou streaming. Mas ouçam. Há todo um belo poema para descobrir. “I Wanna be adored”, mas não é o que todos nós queremos.

 

Por Nuno Baptista

 

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