O Cinema Nimas recebe uma retrospetiva que exibe toda a obra de Jean Eustache (1938-1981) e várias obras de Philippe Garrel. Dois cineastas franceses ligados à Nouvelle Vague, influenciados por Godard e Truffaut, com um trabalho menos conhecido do grande público que espelha uma realidade difícil, muitas vezes autobiográfica, pautada pela irreverência. O programa apresenta, no total, 26 filmes (em cópias digitais restauradas), entre 1964 e 2005, com especial incidência nas obras dos anos 1960 e 1970.
Jean Eustache, realizador independente e um dos nomes lendários da pós-Nova Vaga francesa, ficou conhecido pela sua primeira longa-metragem A Mãe e a Puta, uma variação do clássico triângulo amoroso e uma das obras mais citadas da história do cinema, hoje um filme de culto (o único do programa já exibido pela Medeia Filmes. Todos os outros são inéditos em sala). O seu cinema, inicialmente de ficção, virou-se para um trabalho mais documental, em parte devido à falta de meios financeiros. No entanto, o cineasta negava a dicotomia documentário/ficção, evidenciando antes a arbitrariedade da criação. Os seus filmes são influenciados pela própria experiência: a desilusão pós-Maio de 68, a complicada vida amorosa e os retratos precisos, quase antropológicos, das tradições rurais de Pessac, sua cidade natal. Provocador, porta-voz de uma geração em declínio, Eustache suicidou-se em 1981, após um longo período de depressão.
Philippe Garrel, cineasta da geração que nasceu da Nouvelle Vague, realizou filmes de baixo orçamento, muitas vezes recorrendo à participação de amigos e amantes. O seu cinema, inicialmente experimental e underground, espelha a desilusão da geração que assistiu à derrocada das promessas do Maio de 68. A partir de meados dos anos de 1980, Garrel ganha um maior protagonismo vencendo vários prémios em Cannes e Veneza. Os Amantes Regulares (2005), galardoado no Festival de Veneza, com o Leão de Prata para Melhor Realizador, é um dos filmes exibidos nesta retrospetiva. O trabalho mais recente do cineasta continua a retratar o quotidiano e mantém a estética minimalista e poética do passado. O amor romântico, os sentimentos e dramas que dele resultam são temas recorrentes das suas narrativas. Histórias melancólicas, quase sempre a preto e branco, que refletem a história pessoal de Garrel.
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Filmes em cópias restauradas



