Artigo

“Corpos Modernos do Palco”

Fotografias de Silva Nogueira reabrem a galeria de exposições temporárias do Museu Nacional do Teatro e da Dança

O Museu Nacional do Teatro e da Dança (MNTD) inaugura no próximo dia 27 de janeiro, às 18:00, a exposição temporária “Corpos Modernos do Palco”, composta por 26 retratos em grande formato, que revelam os valores modernistas na fotografia das décadas de 1920 e 1930 de Silva Nogueira, também conhecido como o fotógrafo dos atores. A mostra, com curadoria de Paulo Ribeiro Baptista, fica patente ao público de 28 de janeiro a 13 de março de 2022.

 

Joaquim da Silva Nogueira (1892-1959) nasceu numa família de fotógrafos e cedo ingressou num dos mais prestigiados estúdios fotográficos lisboetas, a Fotografia Brasil, de Carlos Silva. No início dos anos 20, após o falecimento do proprietário, assumiu a direção artística do estabelecimento que viria a adquirir pouco depois. O seu olhar fez-se sentir, desde logo, no trabalho do estúdio, cujas condições renovou para o dotar dos mais avançados meios para o retrato, sobretudo em termos de iluminação e espaços amplos, características que agradavam aos atores e bailarinos dos palcos portugueses.

 

A relação que Silva Nogueira estabeleceu com esses artistas foi muito para além da prática do retrato convencional e aproxima-se de um registo de performance, pela liberdade que assume na sua relação com os retratados. As longas séries fotográficas que realizou nas décadas de 20 e 30 com Luísa Satanela, Francis Graça, Corina Freire ou Mafalda Evanduns provam, pelos limites que quase transgridem, a profunda cumplicidade que conseguiu estabelecer com cada um deles. A novidade das imagens que resultaram dessas sessões testemunha a importância do trabalho de Silva Nogueira no contexto da fotografia portuguesa desse tempo, e também a sua inédita capacidade de transformar a imagem visual e pública desses artistas.

 

Em “Corpos Modernos do Palco” é possível explorar diferentes dimensões de modernidade no início do século no nosso país: na mudança estética do retrato, incorporando novidades do cinema, como o grande plano ou os efeitos de luz; na transformação do espetáculo teatral em Portugal, não só em termos de repertório mas, sobretudo, na sua dimensão visual; na disseminação, por amplas franjas do público, das imagens fotográficas através dos novos magazines ilustrados, expoentes do cosmopolitismo; e na revelação de uma emancipação e empoderamento da mulher, que assume o próprio corpo como uma estética moderna e com uma dimensão performativa.

 

O curador, Paulo Ribeiro Baptista, doutorado em História da Arte Contemporânea e da Fotografia com uma tese sobre Silva Nogueira, é investigador do MNTD e do Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem estudado as ligações entre artes plásticas, fotografia e teatro, particularmente no período modernista. É autor de livros, artigos científicos, comunicações e artigos de divulgação sobre temas de fotografia, história do teatro e museologia.

Com “Corpos Modernos do Palco”, o MNTD inaugura um novo ciclo de exposições temporárias que irão ocupar diferentes espaços do museu. Após meses de encerramento, devido à situação pandémica e obras de melhoramento, esta é a primeira de um conjunto de exposições que pretende dar a conhecer peças únicas e nunca expostas da vasta coleção do Museu, bem como contribuir para o conhecimento e divulgação da história das artes performativas em Portugal.

 

Depois de Lisboa, esta exposição estará em circulação nacional, estando prevista ser apresentada no Centro Português de Fotografia, no Porto, entre abril e junho deste ano.

 

Fonte: Direção-Geral do Património Cultural

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