Artigo

Instalação de Robert Wiley transforma vestígios arqueológicos do Teatro Romano

O Museu de Lisboa – Teatro Romano apresenta uma nova instalação site-specific do artista Robert Wiley, construída a partir de fragmentos de vidro e cerâmica provenientes de escavações arqueológicas realizadas no próprio museu.

 

A arqueologia é feita de fragmentos – vestígios de objetos que tiveram outra forma, função e significado. Produzidos, usados, perdidos ou esquecidos, estes materiais regressam séculos depois como testemunhos incompletos de histórias passadas. Mas o que acontece quando esses fragmentos ganham um novo valor artístico?

 

Partindo dessa questão, Robert Wiley desenvolveu uma instalação que dialoga diretamente com os espaços do museu, os seus acervos históricos e uma seleção de materiais recolhidos durante intervenções arqueológicas na área do Teatro Romano.

 

A peça nasceu de um processo intuitivo e colaborativo, resultado de um diálogo próximo com a equipa do museu. Segundo Wiley, a instalação procura dar uma nova vida a alguns fragmentos que estavam guardados nas reservas: “São pedaços da cidade que tiveram uma vida, foram usados, depois morreram, ficaram esquecidos, voltaram a viver ao serem descobertos na escavação, depois foram para as reservas e agora voltam mais uma vez. Um pouco como a maré, que vai e volta, e como a história. Quando à nossa volta temos um mundo em guerra, é bom termos estes momentos de leveza.”

 

Fiel ao seu processo criativo, com uma prática artística muito baseada no “pensar com as mãos”, o artista criou uma estrutura em rede onde fragmentos antigos convivem com vidro contemporâneo, unidos por fios metálicos e garrafas de água de plástico, formando uma composição escultórica, na qual o valor histórico se cruza com novas leituras poéticas e visuais.

 

A instalação reflete também sobre o papel contemporâneo dos museus enquanto espaços vivos, ativos e acessíveis, capazes de promover diálogos entre passado e presente. “Um museu não pode ser estático”, sublinha Wiley, por isso quis fazer uma obra que, apesar de instalada num “espaço poderoso, possa ser visto como o meu toque pessoal, um pedaço do meu coração”.

 

Ao ver uma primeira experiência de montagem, ainda no ateliê, Robert Wiley confessa que as redes de pesca que achava ter tecido, afinal também nos podem transportar para o universo das decorações populares dos arraiais lisboetas. “O que mais me orgulha é que esta peça permite várias leituras e convida as pessoas a pensar sobre aquilo que estão a ver. Espero que seja suficientemente estranha e esotérica, mas familiar ao mesmo tempo”, afirma o artista, que pela primeira vez expõe num museu em Lisboa.

 

Biografia 

Desde 2009, Robert Wiley tem centrado a sua prática artística, docência e investigação na Unidade de Investigação VICARTE para o Vidro e a Cerâmica nas Artes, na FCT-NOVA, onde é Professor Assistente Convidado no Departamento de Conservação e Restauro da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa.

A sua prática artística e investigação têm origem não apenas nos desafios específicos do seu principal material de trabalho, o vidro, mas também em questões relacionadas com hierarquias de valores e ortodoxias do conhecimento no pensamento académico contemporâneo.  Robert possui um doutoramento em Escultura pela Universidade do Porto, um mestrado em Belas Artes na área do Vidro e uma licenciatura em Belas Artes, ambos pela Universidade Estadual de Ohio.

Fonte: museudelisboa.pt

144 views
cool good eh love2 cute confused notgood numb disgusting fail

Este site utiliza cookies para permitir uma melhor experiência por parte do utilizador. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Mais informação

Se não pretender usar cookies, por favor altere as definições do seu browser.

Fechar