Artigo

Breve História do PREC, do jornalista Rui Cardoso, recorda o inicio da democracia portuguesa para preservar memória colectiva

A Oficina do Livro edita na próxima terça-feira, 8 de abril, “Breve História do PREC”, do jornalista Rui Cardoso, um retrato conciso do início da democracia portuguesa, escrito em defesa da “memória colectiva” que procura “impedir que solidifiquem narrativas construídas à medida”. “Porque, como cantou Chico Buarque, a festa foi bonita e, mesmo que tenha murchado, uma semente há-de ter ficado esquecida nalgum canto deste jardim à beira-mar plantado”, escreve no preefácio o autor que considera que ler este livro permite viver ou reviver uma sucessão quase alucinante de acontecimentos, conhecer o pulsar de um país que chegou a ser comparado a um “manicómio em autogestã”, mas onde, pelo menos durante alguns meses, “foi o povo quem fez a História.”

Uma ditadura, que durava há mais de quatro décadas, caiu em menos de 24 horas. Que revolução era esta onde jovens capitães faziam causa comum com as classes populares e as ruas se enchiam de povo em festa? Derrotada a via autoritária de Spínola, a 28 de Setembro e a 11 de Março, e resolvida a questão colonial, duas legitimidades não tardaram a entrar em confronto: a das novas instituições democráticas e a revolucionária. A Assembleia Constituinte será cercada e o Governo sequestrado. Os soldados do Regimento de Artilharia de Lisboa farão um juramento de bandeira de punho erguido, declarando-se “ao lado do povo e ao serviço da classe operária”, a embaixada de Espanha será saqueada e o Conselho da Revolução mandará detonar os emissores da Rádio Renascença. Isto enquanto uma direita não tão democrática como isso se empenhava na contra-revolução armada. “Breve História do PREC” traça o retrato dessa época frenética e recorda a sua cronologia.

“Houve perseguição aos milionários e grandes patrões em 1975? Houve gente presa de forma ilegal, sem acusação ou identificação especificadas nos mandados de captura executados pelo COPCON? Houve boicotes violentos a reuniões de partidos de direita e ataques a instalações destes? Rigorosamente verdade. Mas tão verdade como o abandono deliberado de fábricas pelos patrões ou a sabotagem económica por parte destes. Além dos assaltos às sedes do PCP, de partidos mais à esquerda ou de sindicatos. Ou ainda da campanha de terror levada a cabo a tiro e à bomba por uma rede clandestina de extrema-direita, responsável por meio milhar de atentados e mais de uma dezena de mortes. Ou seja, se em 1974/75 houve uma revolução com os concomitantes excessos, também houve uma contra-revolução e esta não foi nada meiga.”

Rui Cardoso (1953) licenciou‑se no Instituto Superior Técnico, universidade onde, entre 1970 e 1974, participou na luta contra a ditadura. Entre 1978 e 1988, foi jornalista no Diário Popular, um jornal onde, durante o PREC, não houve saneamentos e a direcção foi eleita pela redacção. Esteve no Expresso, entre 1989 e 2019, como responsável pelos guias de viagem e editor da secção internacional. Foi também director da revista Courrier Internacional. Presença habitual na antena da SIC Notícias na análise da actualidade internacional, é autor de uma dúzia de livros, sendo os mais recentes Conta‑me como não Foi: Mitos e Mentiras da História de Portugal (Casa das Letras, 2022) e Mapa Cor-de‑Sangue: As Lutas, as Revoltas e as Tragédias em Portugal no Tempo das Invasões Francesas (Oficina do Livro, 2024).

 

Fonte: LeYa

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