Artigo

Isto não é um Misterioso Assassinato: um whodunit surrealista inspirado em personagens históricas

A 20 de abril chega em exclusivo à Filmin Isto Não é Um Misterioso Assassinato, a minissérie belga que reúne alguns dos mais importantes artistas surrealistas da história, com ecos de Agatha Christie, e que foi distinguida com o segundo prémio de Melhor Ficção Televisiva nos Prix Europa 2025.

Lord James, uma excêntrica milionária britânica, convida alguns dos artistas mais influentes da época a participarem numa exposição coletiva na sua isolada mansão rural. Entre os convidados encontram-se figuras como René Magritte, Lee Miller, Man Ray e Salvador Dalí. Após uma noite marcada pelo excesso e pela libertinagem, surge um cadáver cuja encenação parece inspirada em “Os Amantes”, de Magritte. Presos na mansão e sem possibilidade de a abandonar, todos os presentes se tornam suspeitos.

A origem da série remonta a uma conversa entre os seus argumentistas, Matthias Lebeer e Christophe Dirickx: Uma casa de campo. Agatha Christie. Surrealismo. Não seria uma excelente combinação?. A partir desta premissa nasce uma proposta que dialoga com o universo do whodunit clássico — um mistério em que é necessário descobrir o culpado — ao mesmo tempo que incorpora o imaginário surrealista como parte essencial da narrativa.

O próprio título, Isto Não é Um Misterioso Assassinato, faz uma referência direta a A Traição das Imagens, de René Magritte, popularmente conhecida como Isto não é um cachimbo. Na série, o pintor belga assume um papel semelhante ao de um Hercule Poirot que coloca o seu olhar artístico ao serviço da investigação.

A história inspira-se também num contexto histórico real: a relação entre o magnata e mecenas Edward James, proprietário da propriedade de West Dean, em West Sussex, e o círculo surrealista internacional, do qual fizeram parte artistas como Salvador Dalí e René Magritte, cujas obras chegaram a ocupar os interiores da casa. A personagem de Lord James, anfitriã que reúne os artistas na série, é uma reinterpretação ficcional desse mesmo Edward James.

Este pano de fundo remete igualmente para a Exposição Internacional Surrealista de 1936, em Londres, um acontecimento que reuniu mais de 60 artistas e cerca de 400 obras, e que marcou a afirmação do surrealismo no Reino Unido, com performances tão memoráveis como a aparição de Dalí vestido de mergulhador. Com esta mistura de história da arte, mistério e humor, a série propõe uma releitura do género policial a partir de uma perspetiva assumidamente surrealista.

Evitar a caricatura

Os realizadores Hans Herbots e Matthias Lebeer procuraram manter uma representação fiel das figuras históricas protagonistas. O maior desafio foi honrar o seu legado sem os transformar em caricaturas, explica Herbots. Investigámos minuciosamente as suas vidas, mas acabámos por nos permitir alguma liberdade criativa. O nosso objetivo era imaginar como se poderiam comportar se estivessem envolvidos num whodunit.

O elenco jovem humaniza estas lendas: Pierre Gervais capta o carácter reservado de Magritte, Iñaki Mur a excentricidade provocadora de Dalí, Florence Hall a inteligência de Lee Miller, e Frank Bourke o magnetismo de Man Ray, evidenciando as rivalidades e paixões entre eles. Todos os surrealistas eram muito jovens nessa altura, por isso tentámos encontrar paralelismos entre a forma como nós nos comportávamos quando éramos estudantes de arte e como eles se comportavam então, afirma Van Loo, diretor de produção da série. Isso não só a tornou uma série de época, como também lhe conferiu algo mais moderno e reconhecível.

 

Isto Não é Um Misterioso Assassinato estreia em exclusivo na Filmin a 20 de abril. 

 

Fonte: Filmin

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