(…) Fernán-Gómez (1921-2007), nascido em Lima, no Peru, porque a sua mãe, atriz de teatro, se encontrava em digressão pela América do Sul, foi um polivalente hiperativo – e como escreveu Miguel Marías, talvez por isso mesmo, e por uma certa aura de elegância diletante, tenha sido chamado de “preguiçoso”. Como ator foi uma das principais vedetas do cinema espanhol a partir dos anos 40 e praticamente até ao fim da vida. (…)
Teve intensa atividade teatral, como ator, encenador e diretor de companhia. Publicou livros de todo o tipo, romances, ensaios, poesia, memórias, literatura para crianças. Alguns destes interesses passaram para o seu trabalho como realizador de cinema, porque muitos dos seus filmes são variações sobre matrizes do teatro popular, farsas e sátiras, e porque também filmou adaptações de algumas das ficções que publicou. O mais marcante do seu trabalho como realizador, no entanto, encontra-se nos momentos em que Fernán-Gómez concentrou a relativa dispersão dos seus interesses numa crónica realista, severa, por vezes muito violenta (e muito perturbadora para a censura), da vida no franquismo, seja a vida urbana, seja a vida rural. (…)
Mostramos neste ciclo uma seleção dos filmes realizados por Fernán-Gómez, representativa de uma obra que se estendeu por meio-século, dos anos 50 ao princípio do século XXI. Para que, como é imperativo, as “estranhas viagens” de Fernán-Gómez nos sejam menos estranhas. Cinemateca Portuguesa
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