A Voz de Hind Rajab estreia, em exclusivo, na Filmin, esta semana, dia 16 de abril.
Realizado por Kaouther Ben Hania, o filme conta a história de Hind Rajab, uma menina de seis anos palestiniana, em Gaza, que fica presa num carro debaixo de fogo, e a sua chamada desesperada para o Crescente Vermelho tanto capta o terror como uma frágil esperança. O filme transforma esta gravação real num drama perturbador, onde o que permanece invisível – o silêncio, o medo e a espera insuportável. Fundindo testemunho, ausência e contenção cinematográfica, é um grito universal contra a indiferença.
A Voz de Hind Rajab esteve nomeado ao Óscar 2026 de Melhor Filme Internacional e foi distinguido com o Grande Prémio do Júri – Leão de Prata – no Festival de Veneza 2025, além de ter sido selecionado e premiado em vários festivais internacionais e nomeado para os Globos de Ouro na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa.
Hind Rajab, a menina assassinada por Israel
Tenho muito medo, por favor venham foram algumas das últimas palavras de Hind Rajab numa chamada telefónica para os serviços de emergência, depois de o carro da sua família ter sido alvo de disparos na cidade de Gaza. Hind, o seu tio, a sua tia e os seus primos tentavam fugir das forças israelitas que se aproximavam. Presa no veículo e rodeada pelos corpos dos seus familiares, durante três horas implorou ao Crescente Vermelho — organização humanitária equivalente à Cruz Vermelha — que fosse resgatada.
A organização enviou uma ambulância para a socorrer, mas esta foi atacada, perdendo-se o contacto com Hind. De facto, a organização acusa Israel de ter atacado deliberadamente apesar da coordenação prévia para permitir que a ambulância chegasse ao local para resgatar Hind, declarou Nebal Farsakh, porta-voz do Crescente Vermelho.

O silêncio de muitos
Foi precisamente enquanto promovia o seu filme anterior em Los Angeles que Kaouther Ben Hania tomou conhecimento do assassinato de Hind Rajab. Ao ouvir parte da gravação da chamada, sentiu-se como a própria voz de Gaza. A realizadora explica que o que a perseguiu não foi apenas a violência do que aconteceu, mas sobretudo o silêncio que se seguiu: Recorri à única ferramenta que tenho — o cinema — para preservar uma voz. Para resistir ao esquecimento. Para honrar um momento que o mundo nunca deveria esquecer, afirma.
A realizadora entrou em contacto com a mãe de Hind para lhe pedir autorização para realizar o filme e, após o seu consentimento, esta partilhou tudo sobre a filha: a sua personalidade, os seus sonhos, a sua forma de rir. Senti que, ao partilhar tudo isto comigo, estava a tentar manter a filha viva, garantir que a sua memória não desapareceria nem se tornaria apenas mais uma notícia, comenta.
A Voz de Hind Rajab, segundo a realizadora, aborda também a nossa responsabilidade coletiva, a forma como os sistemas falham às crianças de Gaza e como o silêncio do mundo faz parte da própria violência.
A Voz de Hind Rajab estreia, em exclusivo, na Filmin esta semana, dia 16 de abril.
Fonte: Filmin



