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RELUCTANT GARDENER Território #9

exposição Reluctant Gardener, com curadoria de Sofia Lemos, é apresentada de 26 de maio a 5 de setembro, com inauguração, no dia 23 de maio, às 18:00, na Fidelidade Arte. O nono momento do ciclo Território – uma parceria entre a Fidelidade Arte e a Culturgest – apresenta obras – escultóricas, sonoras, fotográficas, fílmicas e performativas – de artistas como o espanhol Álvaro Urbano, radicado em Berlim, Ariel Schlesinger, que vive e trabalha em Nova Iorque, a sueca Nina Canell, também radicada em Berlim, e a japonesa Rei Naito.

Segundo a curadora, esta exposição convida quem a visita “a entrar no jardim não apenas como referência, mas como expressão — experiencial e performativa — da ecologia: um espaço onde vidas humanas e não-humanas se cruzam; onde o visível e o invisível permanecem presentes; onde a realidade não é nem fixa nem ilusória; onde o crescimento implica tanta incerteza como o cultivo; e onde o jardim se revela como espaço transformador, acessível a cada um de nós, com ou sem relutância”.

Desde o Japão, onde a curadora descobriu uma forma de ver com todos os sentidos – “ali, a beleza reside precisamente naquilo a que a visão não acede de imediato – até aos intrincados jardins persas de Damasco, Córdova e Granada, onde aprendeu a etimologia da palavra «paraíso», oriunda do persa pairidaeza, que designa um jardim murado – “uma fronteira desenhada entre natureza e cultura, entre o bem e o mal, entre o dentro e o fora”, passando pela metáfora, tantas vezes repetida, que descreve Portugal como um “jardim à beira-mar plantado”, a exposição, mostra-nos que cada jardim conta uma história, oferecendo modos inesperados de imaginar o nosso lugar no mundo.

Segundo a curadora, entre ondas de nacionalismos ressurgentes, a figura do “jardineiro relutante” reconfigura com persistência as histórias das nossas origens, questionando os mundos que cultivamos e as naturezas que preservamos à semelhança do que fazem os próprios jardins.

Sofia Lemos, curadora da 11ª edição da bienal Contour (Mechelen, Bélgica, 2026), que tem desenvolvido trabalhos de investigação no âmbito da intersecção entre a arte, o discurso e a performance, com um contínuo enfoque na ecologia, apresenta-nos uma exposição na qual cada obra germina na seguinte, movendo-se entre impressões vagas, estados anímicos e intensidades operáticas que se entrelaçam como o tempo do jardim, em ciclos de vida e decomposição, revitalizando a nossa perceção dos ritmos e sincopações do mundo.

Em setembro, por ocasião da finissage da exposição, será lançado o livro Reluctant Gardener, que acompanha o projeto expositivo.

A exposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 11:00 às 19:00, com entrada gratuita.

Sobre Sofia Lemos
Curadora e escritora cujo trabalho incide nas interseções entre arte, performance e discurso, com um foco sustentado na ecologia. Sofia Lemos será a curadora da Contour Biennale 11, em Mechelen, Bélgica, que irá realizar-se em 2026. De 2021 a 2024, foi curadora da TBA21–Thyssen-Bornemisza Art Contemporary, onde lançou um programa centrado em práticas ecológicas e comunitárias, comissionando novos trabalhos e convocando artistas, performers e pensadores. Entre 2018 e 2021, foi curadora dos Programas Públicos e de Investigação na Nottingham Contemporary, onde desenvolveu projetos ao vivo e colaborativos, incluindo o plurianual Sonic Continuum, que explorava o som e a sua relação com a transformação social. Editou Meandering: Art, Ecology, and Metaphysics (Sternberg Press, 2024), Sonic Continuum (Nottingham Contemporary, 2021), e Metabolic Rifts (Anagram, 2019). Lemos participa regularmente em palestras e contribui para publicações internacionais, incluindo e-flux criticismFriezeMousse e Spike.

Sobre Nina Canell (1979, Växjö, Suécia)
Artista cujo trabalho aborda relações materiais do ponto de vista do processo e da sinergia inerentes. As suas esculturas emergem de atos de transformação—evaporação, condutividade, erosão—dando ênfase ao movimento em detrimento da estabilidade. Frequentemente inconcluso e duracional, o seu trabalho abraça o inesperado, envolvendo-se com as forças invisíveis que ligam, dissolvem e reconfiguram a matéria. Canell tem exposto o seu trabalho em grandes bienais e instituições em todo o mundo, colaborando regularmente com Robin Watkins em instalações e livros de artista. 
Estudou em Dublin, e vive e trabalha em Berlim.

Sobre Rei Naito (1961, Hiroshima, Japão)
Trabalha com a luz, o ar e tudo o que é quase impercetível, evocando uma reverência tranquila pela existência. As suas instalações desdobram-se em gestos subtis—gotas de água, tecidos translúcidos, combinações sem peso—onde a presença é mais sentida do que vista. Desde a sua representação oficial na 47.ª Bienal de Veneza, em 1997, tem continuado a criar espaços de profunda contemplação nas principais instituições do Japão e do mundo, explorando a fragilidade da vida e as forças invisíveis que a moldam. Obras permanentes como 
Matrix (Teshima Art Museum, Teshima) e Being Given (Kinza, Art House Project, Naoshima) integram a paisagem e a arquitetura, dissolvendo a fronteira entre a arte e o que a rodeia. Naito vive e trabalha em Tóquio.

Sobre Ariel Schlesinger (1980, Jerusalém, Israel)
Cria disrupções poéticas através de uma prática concetual pós-minimal, retirando o caráter funcional a objetos do quotidiano com intervenções inesperadas. Trabalhando com artigos domésticos e tecnologias simples, constrói tensões delicadas
folhas de papel em movimento perpétuo, bicicletas que exalam fogo, tapetes carbonizados esticados como pinturas fantasmagóricas. As suas esculturas e instalações expõem a fragilidade da função, oscilando entre o humor e o desconforto, o jogo e a destruição. Embora enraizadas em correntes pessoais e geopolíticas, as obras de Schlesinger resistem a significados fixos, convocando encontros ilimitados. Vive e trabalha entre Berlim e Nova Iorque.

Sobre Álvaro Urbano (1983, Madrid, Espanha)
Trabalha na interseção entre arquitetura, teatro e instalação, criando ambientes imersivos onde a memória e o desejo ganham forma. A partir da cenografia e do cinema, orquestra narrativas espaciais onde a iluminação, os objetos, o som e os figurinos evocam o liminar, transformando os espaços expositivos em recipientes para fantasmas e aparições. Muitas vezes estruturados em sequência ou sob a forma de capítulos que se vão desenrolando, os seus projetos, caracterizados pela particularidade de responderem ao local onde são instalados, exploram a fronteira porosa entre presença e ausência. 
Urbano vive e trabalha entre Berlim e Paris.

Sobre a Fidelidade Arte
A Fidelidade Arte é a expressão do Programa de Responsabilidade Social do Grupo Fidelidade na vertente cultural. Na Galeria Fidelidade Arte, situada no Largo do Chiado, 8, em Lisboa, o Grupo Fidelidade promove o acesso gratuito da população em geral, a projetos artísticos nacionais e internacionais, partilhando um espaço emblemático no centro de Lisboa.Inaugurada em 2002, a Galeria Fidelidade Arte é já uma referência no roteiro cultural da cidade de Lisboa.
Sobre a Culturgest
A Culturgest – Fundação Caixa Geral de Depósitos dedica-se à criação contemporânea,
apresentando uma programação regular nas áreas das artes performativas, da música, das artes visuais, do cinema e do pensamento contemporâneo. Dirige-se a um público alargado – incluindo público escolar, crianças e jovens – convidando-o a usufruir de uma programação nacional e internacional de qualidade e a participar em atividades culturais atraentes e enriquecedores.
A Culturgest abriu as portas, em Lisboa, em 1993, desenvolvendo, desde então, um papel significativo no desenvolvimento do tecido artístico da cidade e do país. No Porto, inaugurou em 2002, tendo, hoje em dia, uma programação, essencialmente, dedicada às artes visuais.

 

Fonte:speak.pt

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