TRADIÇÕES DE VISEU

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Em Viseu, no coração da Beira Alta, as portas abrem-se sempre com a hospitalidade que define a cidade e que convida todos a visitar e a viver o destino de excelência que é, com fortes tradições e uma história com mais de 2500 anos, que atravessa tempos, civilizações e gerações.

Viseu é, hoje, um destino cultural com uma agenda de eventos para todos os públicos, 365 dias por ano, que exalta os atributos de Viseu como cidade vinhateira – uma grande marca da região do Dão -, cidade-jardim – com os belos parques e recantos ajardinados espalhados pela cidade -, e cidade de Viriato, com um rico e diversificado património cultural.

Recentemente, o Município de Viseu foi o centro das atenções na apresentação pública do estudo da associação “Escolha do Consumidor”, no qual o Município foi considerado o melhor do país em 7 das 30 categorias objeto de análise: melhor cidade para ser feliz; melhor cidade para ter qualidade de vida; melhor cidade para ser mais saudável; melhor cidade para sentir mais segurança; melhor cidade para comprar casa; melhor cidade em limpeza do espaço público; e melhor cidade para idosos.

Quanto às tradições que caracterizam uma cidade com 2500 anos, estas são centenárias e identificam Viseu e os viseenses. É o caso Flores de Papel de Fragosela, que os namorados ofereciam às donzelas; da Broa de Vildemoinhos, que ainda hoje é produzida; do Mel de Várzea, das Rendas de Bilros e dos Bordados de Tibaldinho. E das que apresentamos de seguida, indissociáveis de Viseu e da região:

 

FEIRA DE SÃO MATEUS

A Feira de São Mateus é a guardiã das feiras populares do país. Com 626 anos, realiza-se em Viseu, todos os verões, durante mais de um mês. É uma verdadeira montra viva das tradições, produtos e cultura da região para além de também ser palco de concertos, espetáculos, desfiles e atividades para toda a família, com programação diária. Em 2018, contou 1.15 milhões de entradas e o novo Bairro da Restauração foi a novidade mais marcante, com uma arquitetura inovadora, para além dos grandes concertos mais concorridos do certame: Richie Campbell, D.A.M.A, Calema e Xutos & Pontapés. Em 2019, realiza-se de 8 de agosto a 15 de setembro e comemora 627 anos!

A origem da Feira Franca de Viseu, como também é conhecida, reporta-se à presença de D. João I e da corte em Viseu, durante 6 meses, entre 1391 e 1392. Essa presença está relacionada com o apoio de Viseu à sua causa durante o conflito com Castela. Nesse período, nasceu na cidade o futuro rei D. Duarte e realizaram-se as Cortes de 1391. No ano seguinte, D. João I “querendo fazer graça e mercê” a Viseu, concedeu à cidade uma Feira Franca anual.

Algumas tradições da Feira de São Mateus:

  • Os pórticos de iluminação artística nas 4 entradas da Feira, que são uma imagem de marca ansiosamente esperada a cada ano;
  • As enguias de escabeche da Murtosa, que são uma das iguarias incontornáveis da Feira de São Mateus, tipicamente degustadas com batatas cozidas com pele e, de preferência, acompanhadas por um bom vinho Dão;
  • As farturas, um pitéu introduzido há pouco mais de 100 anos, seguindo as tendências das feiras de Lisboa;

Saiba tudo em www.feirasaomateus.pt!

 

FESTAS POPULARES: MARCHAS DOS SANTOS POPULARES, CAVALHADAS DE TEIVAS E CAVALHADAS DE VILDEMOINHOS

As Marchas dos Santos Populares saem à rua no mês onde os santos e as tradições são celebrados: junho. O habitual cortejo das marchas infantis, juvenis e seniores enche de cor, animação, música e coreografias harmoniosas o centro da cidade, atraindo milhares de pessoas. Anualmente, decorre um concurso para eleger um tema inspirado em Viseu e nas tradições populares portuguesas, que é interpretado por todos os grupos marchantes em dia de desfile.

Já as Cavalhadas de Teivas, seculares segundo reza a tradição local, também em junho saem da sua povoação em direção às ruas de Viseu, num deslumbrante desfile de carros alegóricos, acompanhados de bombos e fanfarras, ao qual não falta a já tradicional “Dança da Morgadinha”, com os pares nos seus trajes coloridos.

Toda esta panóplia de cores, sons e danças remete-nos para um tempo marcado pelos ritmos da natureza e pela celebração dos santos populares, entre o trabalho e a festa.

As Cavalhadas de Vildemoinhos desfilam todos os anos em mês de santos populares, no dia de São João, a 24 de junho. A população de Vildemoinhos deixa para trás a sua aldeia e ruma em direção à cidade, num desfile de animação e carros alegóricos que atrai milhares de viseenses e visitantes. Desde os mais tradicionais, aos mais artísticos ou satíricos, a cor, as tradições, as quadras, os manjericos e a famosa broa são ingredientes que acompanham este cortejo centenário, cuja origem remonta ao ano de 1652. Acima de tudo, mais do que festividade da cidade, as Cavalhadas de Vildemoinhos são parte da história desta povoação viseense, de moinhos e moleiros, e do seu triunfo perante as adversidades e as épocas amargas do labor. A tradição é pois uma festividade simbólica, um ritual anual de agradecimento a São João, o santo milagreiro que acudiu às preces de moleiros e aldeões em épocas de desespero. Em quase quatro centenários de existência, esta passou sobretudo a uma festa coletiva, de todos os viseenses, ansiosamente aguardada ao longo do ano.

 

O FOLCLORE NA REGIÃO

Após o final da 1ª Grande Guerra e, sobretudo, a partir dos anos 30, iniciava-se em Portugal um processo de construção e de institucionalização de práticas performativas, construídas a partir da cultura popular e, de forma geral, rural. Nessas exibições públicas de música, dança e trajes procurava-se representar as tradições de uma determinada localidade ou região. Na região de Viseu e Dão Lafões, esse processo de “folclorização” teve início nos anos 20, com a criação dos primeiros grupos folclóricos na região.

Atualmente, a região regista uma dinâmica notável de instituições culturais que se esforçam para preservar e revitalizar as manifestações culturais locais e regionais. Os ranchos folclóricos da região, bem como os grupos de cantares e de Zés-Pereiras, têm assumido a missão de pesquisar, inventariar e divulgar as danças, cantares e trajes das terras de Dão Lafões.

Esse tecido associativo (que inclui cerca de 60 grupos etnográficos e artísticos locais) tem procurado dar vida à cultura tradicional e popular do território ao divulgar, em diferentes palcos, as danças de roda das Beiras, as modas de Lafões, os trajes de antanho como a capucha, o ciclo do linho ou do pão, os pregões de tantas profissões extintas ou o ambiente das desfolhadas ou da romaria, numa montra de toda a diversidade e ancestralidade das tradições regionais.

 

RANCHO À MODA DE VISEU

Diz a tradição que o “Rancho à Moda de Viseu” nasceu no século XIX, durante a Guerra Civil entre liberais e absolutistas (1828-1834), embora existam diferentes versões que tanto atribuem a origem a um regimento de cavalaria como a um regimento de infantaria aquartelado em Viseu.

As razões que presidiram à sua criação variam também entre o abastecimento à população civil em tempo de racionamento e a motivação a uma unidade militar que partiria para a frente de batalha. Segundo esta última versão, o comandante de um regimento aquartelado em Viseu, que deveria partir para a defesa da linha do Buçaco, ordenou ao quarteleiro que fornecesse à cozinha tudo o que estivesse disponível na despensa para uma refeição moralizadora e substancial. Assim foi: na panela, juntou-se carne de galinha, porco e vitela, grão-de-bico, massa, batata, hortaliças, surgindo um prato que entrou na tradição militar e civil em Viseu.

Seja qual for a versão mais correta das suas origens, sabemos hoje que o “Rancho à Moda de Viseu” afirmou-se como uma das tradições gastronómicas do concelho, de tal modo que nos anos 50 e 60 estava perfeitamente enraizado nos gostos locais.

 

CULTURA DO LINHO DE VÁRZEA DE CALDE

O ciclo do linho de Várzea de Calde constitui um património cultural, popular e imaterial, de dimensão nacional e internacional.

Em grande parte das aldeias beirãs, a cultura do linho é uma recordação de infância ou deriva de relatos de anciãos que viveram na primeira metade do século XX. A produção de linho era uma atividade doméstica, que servia para responder às necessidades da casa, na lógica da autossuficiência, sendo os excedentes vendidos nas feiras.

Em Várzea de Calde, ainda hoje se cultiva o linho através de todas as fases originais: lavrar a terra, semear o linho, regar e mondar o linho, arrancar, ripar, aguar, maçar, tascar, sedar, fiar, ensarilhar as meadas, cozê-las, desemborralhá-las, lavá-las e batê-las, secá-las, embarrelá-las, corá-las, dobrar os novelos, urdir a teia, montá-la, encher a canela e tecer o linho.

A aldeia-milagre de Várzea de Calde é território da cultura do linho artesanal milenar da Beira Alta. Desafiamo-la/o a visitar este local ímpar, não perdendo de vista a Barragem de Várzea de Calde e os típicos espigueiros, eiras, lagaretas e moinhos da aldeia, desfrutando, também, de um “percurso de natureza” pela Ribeira de Várzea e de uma visita à Casa de Lavoura e Oficina do Linho.

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