Artigo

QUEM CUIDA DO JARDIM de Cristina Carvalhal

“Pode ser o nosso fim absoluto. Pode ser o momento inaugural de uma nova forma de estar no mundo. É preciso continuar a experimentar.”

Cristina Roldão (socióloga)

O espectáculo da actriz e encenadora Cristina Carvalhal e da estrutura teatral Causas Comuns“Quem Cuida do Jardim”, aterra por fim na capital portuguesa para 10 apresentações.

Nesta distopia sobre os últimos dias da humanidade, em cena de 14 a 25 de Maio, no CAL – Centro de Artes de Lisboa, na Graça, procura-se rir dos padrões societários que conhecemos em busca de outros caminhos para essa praga chamada espécie humana.

Depois de plateias repletas em Vila Nova de Famalicão, Loulé e Porto, o espectáculo volta a apresentar Alice AzevedoBruno HucaCarla Bolito e Diogo Freitas como quatro sobreviventes de um mundo a colapsar. Um deles é um exemplar de uma nova espécie de ser humano que estava a ser desenvolvido em laboratório no momento da extinção civilizacional. Modificado geneticamente segundo uma ética do cuidado, possui capacidades extraordinárias, o que levanta algumas questões éticas entre o grupo.

“Quem Cuida do Jardim” nasce de um sentimento de absurdo e da enigmática sugestão “devemos cuidar do nosso jardim”, deixada no final de “Cândido ou o Optimismo”, uma adaptação da obra de Voltaire que Cristina Carvalhal dirigiu em 2008. Misturando ficção com uma pesquisa sobre o percurso das sociedades pré-históricas até à actualidade, com especial enfoque na Europa, o texto reflecte acerca de alguns dogmas que influenciam o nosso pensamento quando questionamos o modo de vida actual. Será possível errar melhor?

“Há partes da história que não contamos e essas partes têm que ser contadas urgentemente”, explica Cristina Carvalhal, acrescentando que “é preciso imaginarmos outras hipóteses de vivermos todos juntos antes de acabarmos”.

Entre os dias 14 e 25 de Maio – de quarta a sábado, às 21h00, e domingo, às 16h00 –, “Quem Cuida do Jardim” ocupa o CAL – Centro de Artes de Lisboa. Os bilhetes estão à venda na BOL e no local, e custam 10€ (7€ para menores de 30 anos, maiores de 65, pessoas portadoras de deficiência e profissionais das artes do espectáculo)

Em Junho, a peça passa pelo Ponto C, em Penafiel (dias 6 e 7), e pelo Teatro-Cine de Torres Vedras (dia 14).

O espectáculo é uma co-produção da Causas Comuns, Momento – Artistas Independentes, Casa das Artes de Famalicão e Cineteatro Louletano.

A Causas Comuns é uma estrutura financiada pelo Governo de Portugal – Ministério da Cultura / Direcção Geral das Artes e é membro da Performart – Associação para as Artes Performativas em Portugal.

 

Fonte: thisisgroundcontrol.pt

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