Artigo

PROJETO SOILTRIBES Exposição dá o primeiro passo no Solo de Serralves antes de seguir pela Europa

Fundação de Serralves apresenta Soil Art Tales. Living Ecosystems for Shared Futures, uma exposição que propõe uma reflexão profunda sobre as ligações entre o solo, a água e a vida, convocando perspetivas artísticas diversas para pensar o solo enquanto agente vivo e aliado fundamental na construção de futuros sustentáveis. Soil Art Tales. Living Ecosystems for Shared Futures tem curadoria de Stefano Cagol e reúne quatro artistas de diferentes contextos culturais e gerações, cujas obras exploram o solo como um campo de interação, transformação e responsabilidade partilhada.
A proposta do português Miguel Teodoro foi uma das selecionadas para figurar no projeto, cuja primeira paragem acontece no Celeiro e Lagar do Parque de Serralves e que seguirá depois, até 2027, para outras seis instituições europeias: Villa Altieri – Città Metropolitana di Roma, em Itália, o Posavski Muzej Brežice, na Eslovénia, a Galeria Nacional da Bulgária, em Sófia, o Milanowskie Centrum Kultury, na Polónia, o Castel Belasi – Centro de Arte Contemporânea para o Pensamento Ecológico, em Campodenno, Itália, e o Experimenta, La Biennale, em Grenoble-Alpes Métropole, France.
Miguel Teodoro mostrará o filme Peripheral Deserts no Celeiro, onde será também apresentado o trabalho de Nikki Lindt (Países Baixos e Estados Unidos). As artistas Binta Diaw (Itália e Senegal) e Jo Pearl (Reino Unido) exibirão as suas propostas, Paysage Corporel XIV Dirty Secret, respetivamente, no Lagar.
Instalada num território de transição entre o continente e o oceano, a exposição encontra em Serralves um contexto particularmente significativo. Para Stefano Cagol, “iniciar esta exposição itinerante no Porto, numa fronteira entre a terra e o mar, amplifica de forma profunda as questões da interligação entre solo, água e seres vivos. Estar na Fundação de Serralves, uma instituição de referência onde a cultura e a arte contemporânea se integram num exemplo singular de arquitetura paisagística, reforça a ideia do solo como um arquivo de relações e transformações”.
As obras apresentadas convidam o público a uma experiência imersiva, onde o solo deixa de ser pano de fundo para se afirmar como presença ativa, atravessada por histórias ecológicas, sociais e políticas. A exposição propõe uma mudança de perspetiva, afastando visões hierárquicas e incentivando uma compreensão mais profunda da interdependência entre todos os sistemas vivos. Como sublinha o curador, “o solo está vivo e vive connosco. Não é uma superfície passiva, mas uma presença que coexiste com a humanidade e com todas as formas de vida, guardando histórias, transformações e relações que alimentam qualquer futuro que possamos imaginar”.
Organizada pela Global Network of Water Museums, WAMU NET, em colaboração com a Fundação Serralves – Parque de Serralves, a exposição tem curadoria de Stefano Cagol e coordenação local de Marta Tavares.
Soil Art Tales. Living Ecosystems for Shared Futures integra o projeto europeu SoilTribes, Glocal Ecosystems Restoring Soil Values, Roles and Connectivity, apoiado pelo programa Horizonte Europa, e é apresentada em Serralves no contexto do projeto Soilscape.
Vai estar patente de 11 de fevereiro a 26 de abril.
// Sobre as obras
  • Peripheral Deserts | Miguel Teodoro
    Miguel Teodoro apresenta o filme de dois canais Peripheral Deserts, resultado de um trabalho de investigação que cruza paisagens do Mediterrâneo e do Atlântico. A obra analisa processos de degradação do solo e desertificação em regiões periféricas da Europa, com foco em Chipre e Portugal. Através de trabalho de campo e de colaborações com cientistas e agricultores locais, o artista examina as ligações entre ação humana, políticas ambientais e transformações ecológicas, revelando desafios comuns em territórios marcados por fronteiras climáticas e geopolíticas.
  • Paysage Corporel XIV | Binta Diaw
    Em Paysage Corporel XIV, Binta Diaw apresenta uma instalação de grande escala concebida especificamente para o contexto expositivo. Através da utilização de óleos, imagens murais e tranças de cabelo artificial, a artista constrói uma narrativa crítica sobre os solos europeus, cruzando perspetivas sociológicas e pós-coloniais. A obra evoca histórias de dominação e exploração, tanto sobre corpos humanos como sobre o território, relacionando práticas agrícolas intensivas, migração e extração de recursos. As tranças afrodescendentes surgem como metáfora de resistência cultural e como gesto simbólico de entrelaçamento, apontando para a fertilidade enquanto construção coletiva.
  • Subterranean Voice. Sonic Rhythms | Nikki Lindt
    Nikki Lindt apresenta Subterranean Voice. Sonic Rhythms, uma instalação participativa que transforma processos subterrâneos em experiência sonora e visual. Utilizando solos vivos, plantas, geofones e um sistema de captação de som, a artista revela vibrações produzidas por organismos e por condições ambientais como o vento, a chuva ou a presença humana. O público é convidado a interagir com uma máquina de desenho que regista estas variações num longo suporte de papel, criando um retrato coletivo e em contínua transformação das dinâmicas do solo.
  • Dirty Secret | Jo Pearl
    Em Dirty Secret, Jo Pearl desenvolve uma instalação multimédia que combina escultura em cerâmica, projeção de vídeo em stop motion e superfícies orgânicas modificadas por microrganismos. A obra centra-se na vida microscópica do solo, abordando com rigor científico a importância dos micróbios para o equilíbrio dos ecossistemas. Ao chamar a atenção para formas de vida habitualmente ignoradas, a artista reflete sobre a relação entre práticas agrícolas convencionais, perda de biodiversidade e a ideia de um futuro saudável ancorado em solos vivos.
// Sobre os artistas
 
Miguel Teodoro (Viana do Castelo, Portugal, 1997) é artista visual e investigador, trabalhando entre Portugal e os Países Baixos. A sua prática artística, baseada na investigação, analisa as interdependências entre materialidade, geopolítica, ecologia e cultura visual. Desde 2021, coordena a Hiperlocal, uma plataforma dedicada a práticas que se situam entre a arte e a ecologia no Parque Ecológico Urbano de Viana do Castelo. É membro dos coletivos FIELD e Pousio, e é mestre em Geo-Design pela Design Academy Eindhoven, tendo concluído a licenciatura em Artes Plásticas na Universidade do Porto.
Binta Diaw (Milão, Itália, 1995) é uma artista italiana de origem senegalesa. O seu trabalho tem sido amplamente exposto a nível internacional, com destaque para eventos como a Bienal de Gwangju (2024), a Manifesta (2024), a Bienal de Liverpool (2023), a Bienal de Berlim (2022), os Rencontres de Bamako — Bienal Africana de Fotografia (2022) e a Bienal de Dakar (2022). É licenciada pela Accademia di Belle Arti di Brera, em Milão, e pela École d’Art et de Design de Grenoble.
Nikki Lindt (Delft, Países Baixos, 1971) é uma artista nascida nos Países Baixos e radicada em Nova Iorque. O seu trabalho foi apresentado no Art Institute of Chicago, Hudson River Museum, White Mountains Museum e no Museum of the North, no Alasca, entre outras instituições, e inclui The Underground Sound Project, uma instalação permanente no Prospect Park, em Brooklyn. Colabora com ecologistas, cientistas especializados no solo, detentores de saberes indígenas e investigadores sociais, criando obras interativas e sensíveis ao lugar que promovem a escuta, a ligação e a consciência ambiental. Estudou na Gerrit Rietveld Academie e na Universidade de Yale.
Jo Pearl (Grã-Bretanha, 1968) é uma artista britânica sediada em Londres. O seu trabalho apresenta frequentemente uma vertente interventiva que denuncia questões sociais contemporâneas, num exercício multidisciplinar que abrange a animação em stop-motion com argila, a escultura cerâmica, o envolvimento público e o ativismo através do barro. A sua obra esteve em destaque na exposição SOIL: The World at Our Feet (Somerset House, Londres, 2025) e foi apresentada em Florença, Berlim, Filadélfia e Nova Iorque. Os seus filmes de animação integraram vários festivais internacionais. Formou-se em cerâmica na Central Saint Martins, em Londres.
// Sobre o projeto Soiltribes
O Projeto SoilTribes visa estabelecer, ativar e capacitar ecossistemas ‘glocais’ em prol dos valores, funções e conectividade do solo, através de narrativas de ‘regresso à Terra’ que unem a ciência, a tecnologia, as artes e a ação comunitária. Através da partilha de conhecimento, da colaboração interdisciplinar e de iniciativas de base comunitária, a missão do projeto é promover uma abordagem sistémica e glocal à restauração do solo, assegurando a sua sustentabilidade a longo prazo como um recurso fundamental para as gerações futuras
Créditos: Binta Diaw, Paysage Corporel XIV
Fonte: serralves.pt
215 views
cool good eh love2 cute confused notgood numb disgusting fail

Este site utiliza cookies para permitir uma melhor experiência por parte do utilizador. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Mais informação

Se não pretender usar cookies, por favor altere as definições do seu browser.

Fechar