Artigo

PARA ALÉM DA FOTOGRAFIA – DIA 13 El Chaltén (Cerro Laguna), Patagónia, Argentina

Por detrás desta fotografia estão cores. Não as cores do arco-íris que, antes de tirar esta fotografia, se apressou a plantar diante de nós. Não, trata-se de outras cores, de uma palete muito característica da Patagónia. E falar da Patagónia é falar de cores. Não de uma ou duas, mas de uma data delas.

Há o azul característico dos lagos turquesa que facilmente se distingue do azul do céu, onde as montanhas se perdem de vista, bem como do gelo do glaciar que, no final do Sendero Cerro Laguna, e ainda que de forma mais tímida que o Perito Moreno, nos cumprimenta e deseja boa sorte para os dez quilómetros de caminho de volta até El Chaltén.

Há ainda os incontáveis tons de verde que por todo o lado se fazem notar e nos chamam a atenção. Do verde mais escurecido que, ao longe, nos permite delimitar a orla da floresta da neve e da terra, aos tons mais claros que, desde mais de perto, sobressaem das copas das árvores e dos inúmeros arbustos que jazem perante nós ao longo do trilho que acabámos de percorrer. Um verde que não existe sozinho e desemparado, já que salpicos de todas as cores, vermelhos, amarelos, roxos, lilases, por aí fora, provenientes de frutos e flores, pintam a tela natural com cores de perder de vista.

Mas não só de azul e verde se faz a paisagem daqui, nem nada que se pareça.

Há o castanho da terra e dos centenários troncos que suportam as magníficas e largas copas da floresta espalhada por toda a parte, como há o cinzento das pedras, pedrinhas e pedregulhos que formam as cordilheiras e por todo o lado descansam sob o caminho, sinal de que rebolaram desde o topo da montanha e têm, portanto, muitas histórias para contar. Afinal de contas, estão cá há mais tempo que nós e de vivência na montanha tem sido feita a sua existência. Há o branco da neve que, calma e serenamente, repousa nas íngremes colinas que se agigantam perante nós, ou ainda do amarelo proveniente dos raios de sol refletidos em todas as superfícies que nos iluminam o caminho enquanto, simultaneamente, aquecem não só o corpo, mas também a mente.

Na Patagónia há mil e uma cores. É como se cada arco-íris que por cá se forma – e formam-se muitos, em abono da verdade – acabe por se desfazer, derramando cada uma das suas cores numa parte específica da paisagem. Cada cor partindo para o seu canto, dispersando-se por toda a parte, dando sinais de vida e lembrando-nos constantemente de que há mais cores que aquelas que sequer julgamos conhecer.

 

Por João Barros

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