O outro lado da cena

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Para além do trabalho de atores e encenadores, o teatro comporta um conjunto de atividades decisivas para que tudo aconteça. Parte desse trabalho é desenvolvido pelos técnicos e maquinistas, antes e durante um espetáculo de teatro. A propósito do Dia Mundial do Teatro, que se assinala a 27 de março, evocamos as tarefas desses trabalhadores que se movem no outro lado da cena.

Sentado na plateia, fixe o olhar no palco e, se o pano de boca não estiver descido, experimente imaginar tudo aquilo que foi necessário realizar para, dai a instantes, o espetáculo começar. Para além do trabalho obstinado de atores e encenadores, que durante meses ensaiam e estudam texto e personagens e imaginam o espetáculo, o teatro comporta um conjunto de atividades decisivas para que tudo aconteça, como a conceção e a construção do cenário, a criação e execução dos figurinos e do desenho de luz, ou a composição da música de cena.

Antes do espetáculo acontecer, técnicos de palco e maquinistas põem mãos à obra e tornam possível aquilo que até ai é apenas imaginado. Esse trabalho de montagem, invisível ao olhar do espectador, é determinante, tal como aquele que muitos desses técnicos realizam durante o próprio espetáculo, longe do olhar do espectador.

Em montagem

Estamos no Teatro São Luiz e João Nunes, da direção técnica, explica que, “em 90% dos casos”, a montagem de um espetáculo começa “pelo que fica suspenso, por tudo aquilo que é voado”, ou seja, a iluminação. Só depois se passa para a montagem do cenário e do som. A razão prende-se com a movimentação das varas, barras de metal ou madeira que estão suspensas da teia por cordas ou cabos e que servem para baixar cenários ou adereços. A partir do momento em que, “do palco, o cenário não permita descer ou subir varas, elas ficam bloqueadas.”

O caso do espetáculo Outra Bizarra Salada, encenado por Beatriz Batarda, é paradigmático. No palco do São Luiz foi montada uma concha acústica, estrutura cénica disposta em volta dos músicos (nesse caso, da Orquestra Metropolitana de Lisboa) no sentido de definir da melhor maneira o som dos instrumentos musicais para o público. Ora, “as varas que ficam na zona da concha, uma vez que ela tem teto, ficam inutilizadas, sendo apenas operadas aquelas que estão na parte de trás da estrutura.”

Sobe o pano

Chegada a hora do início do espetáculo, no lado oculto da cena, normalmente atrás das pernas (designação das flanelas negras que escondem bastidores), mas que neste caso se encontra atrás da parede do lado direito da concha acústica, encontra-se a mesa da direção de cena. A partir dali, controlam-se os tempos do espetáculo, isto é, “chamam-se os artistas, dão-se as indicações gerais para a luz, os efeitos e a maquinaria ao longo de cada récita.”

Entre o palco e a teia (definição da estrutura que sustenta os urdimentos, ou seja, as cordas, os panos, os varões, os telões, etc.), situa-se a varanda técnica onde o maquinista, por indicação da direção de cena, opera “a movimentação das varas”. Há dois tipos de varas, ambas em funcionamento, e situadas em lados opostos do palco: à direita, as motorizadas, que são operadas através de uma mesa; à esquerda, as contrapesadas, destinadas a “elementos mais leves” e que o maquinista manobra manualmente.

Tudo a postos? À ordem da direção de cena, o espetáculo pode começar…

Por Frederico Bernardino

Créditos: ©Humberto Mouco/CML-ACL

Fonte: Agendalx

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