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No Other Land, o poderoso documentário nomeado ao Óscar estreia nas salas de cinema

No Other Land, galardoado com vários prémios e na corrida ao Óscar na categoria de Melhor Documentário será exibido a partir do 20 de fevereiro no Cinema Ideal, em Lisboa e no dia 27 de fevereiro no Cinema Trindade, no Porto. 

A estreia comercial em sala resulta de uma colaboração entre a Filmin (onde é possível ver o filme) com o Cinema Ideal e o Cinema Trindade.

O filme aborda coletivo palestino-israelita de quatro jornalistas retrata a terrível destruição da Cisjordânia às mãos dos soldados israelitas.

No Other Land, o documentário definitivo sobre o conflito israelo-palestiniano e o grande favorito na corrida ao Óscar de Melhor Documentário, está em exclusivo na Filmin. Em Portugal, o filme foi exibido no festival IndieLisboa, onde venceu o Prémio do Público.

O filme foi realizado por um coletivo de activistas e cineastas (os palestinianos Basel Adra e Hamdan Ballal e os israelitas Rachel Szor e Yuval Abraham) que passaram 5 anos a filmar a destruição das aldeias de Masafer Yatta, no extremo sul da Cisjordânia, às mãos dos soldados israelitas.

O documentário retrata também a aliança entre um dos realizadores palestinianos, Basel Adra, e o jornalista israelita Yuval Abraham. O filme recebeu inúmeros prémios e reconhecimentos, incluindo o Prémio de Melhor Documentário no Festival de Cinema de Berlim e outros prémios em eventos como o Festival de Documentários de Amesterdão, Visions du Réel e o Sheffield DocFest. No Other Land, ganhou também o prémio de melhor documentário no recente European Film Awards, onde os realizadores apelaram a um ‘cessar-fogo’ e ao fim deste ‘genocídio’ contra o povo palestiniano, que está a ser ‘sistematicamente visado e morto’.

O palestiniano Basel Adra, co-realizador do documentário, tem lutado contra a expulsão em massa da sua comunidade desde que se lembra. Três anos depois de ter nascido, em 1999, o exército israelita ordenou a todos os palestinianos de Masafer Yatta que abandonassem as suas casas, uma vez que o terreno seria o seu campo de treino militar. Ao vasculhar fotografias e vídeos da sua infância, depara-se com a sua primeira recordação, aos cinco anos: Fui acordado pela luz, era a prisão do meu pai. Aos sete anos, participou pela primeira vez num protesto contra a ocupação israelita. Lembro-me que, em criança, costumava dormir com os sapatos calçados para o caso de os soldados invadirem a nossa casa. Depressa percebi que não tínhamos escolha: se não lutássemos, seríamos expulsos da nossa terra e perderíamos a nossa comunidade. A necessidade da nossa resistência ajudou-me, de certa forma, a ter menos medo, diz Adra. Após décadas de extermínio e luta sem tréguas, em 2022, o Supremo Tribunal deu luz verde à expulsão dos palestinianos desta região fronteiriça, tornando-se o maior ato de deslocação forçada desde que a Cisjordânia foi ocupada em 1967.

Os quatro cineastas conheceram-se quando os jornalistas israelitas Yuval e Rachel foram a Masafer Yatta, a casa dos colegas Basel e Hamdan, que passaram a maior parte das suas vidas a documentar as políticas violentas que têm sido aplicadas na sua região. Partilhamos os mesmos valores, explica Abraham, partilhamos a mesma oposição à ocupação, acreditamos num futuro em que os palestinianos tenham liberdade, em que palestinianos e israelitas tenham direitos iguais e segurançaNo documentário mostramos a diferença abismal entre a existência deles e a minha. Ambos vivemos sob o controlo do Estado israelita, mas com dois sistemas legislativos diferentes. Mostramos o que é viver em condições de apartheid. Os soldados podem entrar na casa de Basel e prendê-lo sempre que quiserem. Eu posso votar, o Basel não. Eu posso ir ao aeroporto, mas Basel, tal como milhões de palestinianos, não pode. No filme perguntamos se a co-resistência é possível.

Foi na própria casa de Basel, em Masafer Yatta, que o coletivo reuniu as milhares de horas de filmagens de que dispunha, uma vez que os palestinianos do grupo não estão autorizados a sair da Cisjordânia. Basel comenta: Comecei a filmar há mais de uma década. De facto, os meus pais e as gerações anteriores também filmaram, por isso temos uma enorme quantidade de imagens de arquivo histórico. Com o grupo, filmámos cerca de 2.000 horas, passámos semanas na linha da frente a seguir os bulldozers (os bulldozers que destroem os bairros). E conclui: Esperamos que o documentário funcione como um pedido de ajuda, do nosso coletivo de palestinianos e israelitas, sobre a necessidade de acabar com a ocupação e encontrar um novo quadro político de igualdade e liberdade. Esta é a única solução.

No Other Land já está disponível, em exclusivo, na Filmin.

 

Fonte: Filmin

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