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III Festival Eufémia

A 3ª edição do Festival Eufémia: Género, Memória e Resistência em  Cena decorre, de 29 de Outubro a 8 de Novembro, em Lisboa, na  Biblioteca de Marvila e na Escola Secundária de Camões. A programação  é composta por espectáculos de teatro, dança, performance, formações  em artes cénicas, diálogos e actividades complementares. O III Festival  Eufémia procura ampliar as perspectivas sobre os conceitos de género,  memória e resistência e motivar a discussão das temáticas com eles  relacionadas.

O Festival Eufémia procura responder à urgência de criar, em Lisboa, um projecto que  acrescente visibilidade a iniciativas artísticas concebidas a partir de perspectivas de género  – de carácter interseccional – e das complexidades que afectam os processos identitários e  a inscrição individual e colectiva da memória no espaço das artes performativas. O festival  apresenta-se, assim, como um tempo de celebração artística, reflexão crítica e criação de  comunidade, afirmando-se como um gesto de resistência, encontro e partilha, que convoca  artistas, activistas e comunidades para questionar as estruturas de poder que sustentam  desigualdades sistémicas como as de género, raça e classe. 

O Festival é idealizado e promovido pelo grupo Eufémias, constituído em 2020 por seis  artistas, investigadoras e formadoras da Argentina, do Brasil e de Portugal. Chama-se  Eufémia, porque o nome remete para as lutas pela igualdade de oportunidades, para as  denúncias contra as diferentes violências sistémicas, pelo direito e o dever de dizer não,  assim como pelo direito e o dever de fazer algo para expor as formas de opressão,  dependência e violação de direitos.

Espectáculos: ancestralidade, diáspora e memórias  

As propostas do III Festival Eufémia em termos de espectáculos de teatro, dança e  performance abarcam criações de mulheres oriundas de Portugal, América Latina, África e  Médio Oriente. Destacam-se projectos que dialogam com a ancestralidade, a diáspora, o luto  e a desconstrução de estereótipos e de narrativas clássicas sobre as mulheres, reafirmando  a multiplicidade dos saberes impressos nos seus corpos. Há também projectos que  reinventam em cena memórias autobiográficas ao serviço de uma dimensão política  comprometida que habilita a pensar o colectivo, transcendendo fronteiras geográficas e  culturais. Na sua maioria, os espectáculos decorrem no Auditório da Biblioteca de Marvila,  salvo as excepções assinaladas.  

O espectáculo de abertura, na quarta-feira dia 29 de Outubro, às 21h30, é #3 Musa  Acuminata Cavendish, de Flávia Gusmão com o grupo de Batucadeiras Finka Pé. Um  trabalho de partilha, a partir de processos de luto dos seus intervenientes. Este espectáculo  é a terceira parte (de cinco) do projecto NA LUT@, um projecto de longa duração sobre o luto  e a memória, dedicado à activista e produtora cultural cabo-verdiana Samira Pereira, falecida  em 2021. 

Desta vez no Auditório da Escola Secundária de Camões, no dia 30 de Outubro, às 15h15,  Susana Cecílio apresenta, em ante-estreia, a peça de teatro Penelopíada. Uma obra que se  tece e destece continuamente, percorrendo grandes mitos, mas, desta vez, contados por  animais, ilhas, fios, pedras, a partir de uma relação sensível com as coisas. As mãos de  Penélope vão trabalhando as histórias e, como o seu manto, sabemos que nenhuma história  pode ser verdadeiramente acabada. 

Também dia 30, mas no Auditório da Biblioteca de Marvila, às 21h, Marisa Paulo traz-nos  FRAGMENTOS, uma performance documental que celebra a mulher negra enquanto  produtora de conhecimento sobre a sua própria história. Trata-se de uma narrativa a  diferentes vozes, criada a partir de entrevistas a várias mulheres negras na diáspora, na qual  a artista se desdobra e fragmenta em diversas outras mulheres africanas e afrodescendentes  na diáspora. 

No dia 31, às 21h é a vez de SerEstando Mulheres, um solo de Ana Cristina Colla, actriz e  investigadora da prestigiada companhia brasileira Lume Teatro. SerEstando Mulheres é uma  história “dançada” pela actriz sobre si mesma e sobre outras mulheres. Uma colcha de  retalhos, pedaços conhecidos e sempre ressignificados, espalhados por diversos  espectáculos. Um encontro forte e delicado com o feminino, onde a actriz narra, através das  imagens que cria e corporifica, o seu saber impresso no corpo. 

Domingo, dia 2 de Novembro, pelas 15h, com partida no Ginásio da Escola Secundária de  Camões, acontece a Parada de Rua. Trata-se de uma acção cénica resultante do trabalho  desenvolvido no Laboratório de Pesquisa Teatral orientado por Ana Woolf e Ana Cristina  Colla, na primeira semana do Festival. 

De regresso ao Auditório da Biblioteca de Marvila, no dia 5 de Novembro às 21h, vai ser  apresentada a performance Pai para Jantar, de Gaya de Medeiros. Um jogo com o público  que investiga os pormenores da masculinidade com poesia e bom humor. Brinca com as  formas como utilizamos palavras, sentimentos e arquétipos em torno da ideia de “ser homem”.  Explica-nos Gaya de Medeiros que esta performance “é uma viagem subjectiva em direcção  ao lastro que é o nosso pai, que permanece na nossa personalidade e está na origem de  tantos desejos e fracassos.”

No dia seguinte, 6 de Novembro, às 15h15, no Auditório da Escola Secundária de Camões,  Shadi Alaiek, artista sírio, radicado na Bélgica, apresenta Uma Carta para a Minha Mãe.  Trata-se de uma peça a solo, em desenvolvimento, na qual Shadi Alaiek reflecte sobre o  desafio ao conceito de masculinidade tradicional, sexualidade e expressão de género por  parte de um filho muçulmano, ao mesmo tempo que sublinha a opressão sofrida pelas mães  muçulmanas. Esta performance vai ser em Árabe, legendada em Inglês e em Português, e  será seguida de uma conversa com o público. 

Neste mesmo dia, mas às 21h e em Marvila, será apresentada a obra Mestizage Salvaje (Mestiçagem Selvagem), de Samadi Valcarcel, uma reflexão singular sobre a identidade  mestiça e a identidade boliviana. Esta performance, já com vários prémios e distinções, foi  seleccionada para o festival entre cerca de 500 candidaturas na open call realizada pelo  Grupo Eufémias no âmbito do programa Iberescena.  

No dia 7, às 21h será a vez de Keli Freitas apresentar o primeiro espectáculo da sua trilogia  autobiográfica: Adicionar um Lugar Ausente. Criado a partir de registos da viagem e  arquivos pessoais, é uma peça na qual Keli Freitas procura mulheres da sua árvore  genealógica a partir de lugares que marcam a sua história comum. 

No dia seguinte, dia 8 de Novembro, será o dia de encerramento do festival e vão ser  apresentados dois espectáculos na Biblioteca de Marvila. Às 21h, em estreia, Poliana Tuchia  e Keli Freitas propõe-nos Mulher Enciclopédica, solo autobiográfico, nascido de uma  história familiar que foi cuidadosamente silenciada. Nele, Poliana Tuchia escarafuncha num  território proibido, entre lapsos e actos falhados, decidida a transformar em gesto cénico um  episódio absolutamente radical e atípico. Logo de seguida, pelas 22h30, e para finalizar o  festival, Paolle Berklyn propõe a comédia erótica interactiva Minha Primeira Vez. Nela, a  artista conduz o público por relatos picantes e hilariantes das suas primeiras experiências  com fetiches. Um espectáculo ousado, divertido e irresistivelmente sedutor. 

Formações em artes cénicas e diálogos 

A programação do III Festival Eufémia inclui formações e diálogos. A formação Pesquisa e  Composição Teatral através do Jogo é um laboratório intensivo de pesquisa em artes  performativas conduzido pelas artistas Ana Woolf, artista argentina, especialista em  Antropologia Teatral, colaboradora de longa data do Odin Teatret, e por Ana Cristina Colla,  actriz-investigadora brasileira, integrante do grupo de teatro LUME. Esta formação vai  decorrer de 29 de Outubro a 2 de Novembro, no Ginásio da Escola Secundária de Camões e  culmina na Parada de Rua, protagonizada pelas pessoas participantes do laboratório. 

Manifestação Drag Queer é outra formação a decorrer no âmbito do festival, no dia 8 de  Novembro, entre as 10h e as 14h, na Biblioteca de Marvila. Ministrada por Paolle Santos,  esta formação é um espaço vivo de criação, que respira teatro físico, dança, teoria queer e  estética drag queen. Um convite à performatividade queer, à memória das lutas e à invenção  do presente. Para mais informações e inscrições consultar eufemias.pt

Os Diálogos são momentos de reflexão, discussão e partilha sobre os temas que o festival  propõe e vão decorrer na Biblioteca Histórica da Escola Secundária de Camões. Na quarta feira, dia 5, às 17h, teremos o diálogo Escritas da Resistência, que propõe uma reflexão  sobre a escrita enquanto prática estética e enquanto acto político de resistência. Participam  André Tecedeiro (PT), Samadi Valcarcel (BO) e Shahd Wadi (PT/PLE). No dia seguinte, dia  6, também às 17h, é a vez do diálogo Género, Memória e Resistência em Cena, que reúne Ana Woolf (AR), Paolle Santos (BR) e Poliana Tuchia (BR) para reflectir sobre como os  conceitos de género, memória e resistência atravessam as suas criações. Estas sessões  duram 90 minutos e são de entrada livre.

E ainda jogo, oficina, instalação performance e exposições 

Fazem ainda parte da programação do festival, como actividades complementares, um jogo performance, uma oficina performativa de poesia musicada, uma instalação- performance e  uma exposição.  

O jogo-performance chama-se Atlas da Meritocracia e é uma proposta “desconfortável e  urgente” de André Tecedeiro e Laura Falésia. Vai decorrer dia 31 de Outubro, às 15h15, no  Auditório da Escola Secundária de Camões. 

Shahd Wadi e Bernardo Afonso trazem-nos Com travo de chá de menta, uma oficina  performativa de poesia musicada, que é um momento de escuta, partilha, leitura, escrita e de  aconchego à volta do poema palestiniano. Vai decorrer dia 5 de Novembro, às 15h15, na Biblioteca da Escola Secundária de Camões. 

Pepa Macua, traz-nos a sua instalação-performance Corpos da Desobediência que nasce  de um trabalho de investigação sobre as relações entre género, saúde mental e performance.  A instalação vai estar patente na Biblioteca de Marvila, de 4 a 8 de Novembro e a performance  vai acontecer no dia 7, às 18h. 

Finalmente, é possível visitar duas exposições nos espaços da Biblioteca de Marvila, ao longo  de todo o festival. Ambas inauguram dia 29 de Outubro às 20h.  

Me Apavora a Ideia de Esquecer é uma exposição resultante da investigação criativa de  Poliana Tuchia e Beth Freitas que parte de um episódio familiar radical e atípico para propôr  um percurso sensível entre o que se perdeu e os vestígios que permanecem. Body Building — DIY, de Diana V. Almeida mostra, através de uma série de autorretratos,  uma desconstrução das práticas discursivas que reificam o corpo feminino. 

Entrelaçando Arte e Memória, o Festival Eufémia é uma plataforma para questionar  desigualdades e criar espaços de poder para vozes diversas, contribuindo para o  desenvolvimento de relações interculturais e para a promoção de uma sociedade mais  equitativa e inclusiva. 

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FICHA TÉCNICA 

Conceito, Programação e Produção – Grupo Eufémias: Poliana Tuchia, Pepa Macua,  Catarina Sobral, Elsa Maurício Childs, Mafalda Alexandre, Catarina Amaral Coordenação Técnica: Gi Carvalho 

Design Gráfico: Sofia Dias 

Assessoria de Imprensa: Levina Valentim 

Assistência de Produção: Linda Rosa Campos 

Registo Audiovisual e Vídeo Promocional: Beth Freitas 

Banda Sonora: Poliana Tuchia e Chaya Vazquez 

Parcerias Institucionais: República Portuguesa – Cultura, Juventude e  Desporto/Direcção-Geral das Artes, Câmara Municipal de Lisboa, IBERESCENA,  INATEL/ICD 

Apoios: Biblioteca de Marvila, Escola Secundária de Camões, Pólo Cultural Gaivotas Boavista e Coffeepaste. 

Bilheteira online a partir de 10 de Outubro em eufemias.pt

Fonte:levina.valentim

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