Fréwaka, o primeiro filme de terror em irlandês, premiado no Festival de Sitges, chega à Filmin

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O filme irlandês de folk horror Fréwaka, realizado por Aislinn Clarke (The Devil’s Doorway), estreia-se na Filmin na próxima segunda-feira, dia 1 de dezembro. É uma das propostas mais singulares do recente cinema fantástico europeu, por se tratar da primeira longa-metragem de terror com o dialecto  quase inteiramente em irlandês. A obra passou por alguns dos festivais mais prestigiados, destacando-se a estreia no Festival de Locarno, a apresentação no BFI London Film Festival, no Festival de Sitges — onde ganhou o prémio de Melhor Banda Sonora Original — e no Festival de Gijón.

A história acompanha Shoo (Clare Monnelly), uma mulher marcada pelo suicídio da mãe, que chega a uma remota aldeia costeira para cuidar de Peig (Bríd Ní Neachtain), uma idosa que vive isolada e está convencida de que os Na Sídhe, seres da mitologia irlandesa semelhantes a fadas, a raptaram na noite de núpcias. Shoo enfrenta tanto os fantasmas pessoais do seu passado como os horrores colectivos de uma comunidade que guarda mais segredos do que aparenta. Fréwaka não é apenas uma história de terror, mas uma exploração do trauma intergeracional, da maternidade e das marcas que o folclore deixa na memória íntima e coletiva.

Um filme “orgulhosamente irlandês”, “Fréwaka” – que significa “raízes” ou “raízes profundas” – envereda pelo trauma histórico e intergeracional entranhado no solo de um país até hoje dividido, conjurando tensões sincréticas entre o passado e o futuro, o católico e o pagão, o natural e o sobrenatural.

Na Sídhe: Mitologia viva e sombria

O elemento central de Fréwaka é o folclore celta, em particular os Na Sídhe, conhecidos popularmente como “fadas” ou “seres do outro mundo”. Ao contrário das versões adoçadas da tradição anglo-saxónica, estas criaturas são profundamente ambivalentes: podem ser belas e sedutoras, mas também cruéis ou vingativas. Habitam os sídhe, montículos sagrados ou entradas para o outro mundo, e ao longo dos séculos protagonizaram lendas em que raptam crianças, trocam bebés (changelings) ou castigam quem profana o seu território.

Na tradição gaélica, estas criaturas não são apenas personagens de contos para assustar; representam os perigos de violar o sagrado, o ancestral, o natural. São símbolos de uma realidade paralela, mas permeável, onde passado, medo e memória se entrelaçam.

A realizadora, Aislinn Clarke, dá ao mito dos Na Sídhe uma visão pessoal e política: na Irlanda, explica, criamos criaturas que nos odeiamreflexo do trauma histórico e do sentimento de culpa derivados da colonização. Nas suas palavras, “é como se os irlandeses tivéssemos inventado uma raça de seres que colonizámos e empurrámos para debaixo da terra como forma de autolesão, porque nós próprios fomos colonizados. Assim, os Na Sídhe do filme encarnam tanto figuras lendárias do folclore como símbolos de uma memória histórica e emocional marcada pela opressão.

Fréwaka estreia, em exclusivo na Filmin, a 1 de dezembro. 

Fonte: Filmin

 

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