Czar celebra a sua história com dois novos vinhos não fortificados únicos no mundo a partir de vinhas centenárias – “O último Czar do século XX” e “Czar 2014”

938 views

“O Último Czar do século XX” fecha um dos ciclos mais importantes da Czar. Este é uma homenagem ao mentor José Duarte Garcia, um dos últimos vindimados por ele, em 1999, e também o último a ser comercializado com vindimas feitas no século passado. Com garrafas especiais gravadas a ouro, esta produção limitada é lançada a par com o “Czar 2014”. Dois vinhos de uma só vez, puros sumos de uva fermentada, de uma marca que nesta década esteve cinco anos em que não atingiu a qualidade de um vinho Czar. A marca celebra assim a sua história e a escassa probabilidade de nos Açores, na pequena Ilha do Pico, se fazer um vinho não fortificado único no mundo, a partir de vinhas centenárias na Criação Velha.

Fortunato Garcia, produtor do vinho Czar, apresenta dois novos lançamentos, o “O último Czar do século XX”, um vinho muito especial de homenagem ao pai, José Duarte Garcia, um dos últimos que produziu em vida; e o “Czar 2014”, que sucede o “Czar 2013”, considerado como um dos melhores vinhos portugueses do ano.

Tal como todos os Czares, são dois vinhos de colheita tardia e completamente naturais, sem nenhum tipo de adição. São puros sumos de uva fermentada, que atingem um mínimo de 18º, e que respeitam a forma como os Czares foram produzidos até aos dias de hoje, o que leva a que, devido às condições atmosféricas incertas, não seja possível ter Czar todos os anos. Sem garantias de produção, sujeita às intempéries próprias da Ilha do Pico, a única certeza é a incerteza, e se, por vezes, existe produção em dois anos consecutivos, a Czar pode estar cinco anos sem vinhos, como sucedeu nesta última década.

E é esta vulnerabilidade que, a juntar a um método de produção único no mundo, faz dos vinhos Czar preciosos néctares, outrora dignos de czares e Papas e que, ainda hoje, faz chegar às ilustres casas do mundo o melhor das referências nacionais.

Uma das barricas deste ano é do exclusivo “O último Czar do século XX”, vindimada em 1999, a preferida de José Duarte Garcia que, por ser a que mais gostava, não a quis adicionar ao lote e guardou-a para beber com a família e amigos. Passados quase 25 anos após a sua colheita, os irmãos uniram-se e decidiram comercializar o restante vinho desta barrica, em homenagem ao pai, a celebrar o que chamam de “bodas de prata”. Este vinho vai ser engarrafado em 86 garrafas especiais de cristal Vista Alegre, com gravação a ouro de 21,3K.

Esta é a última possibilidade de se provar um Czar do século XX, que está intrinsecamente ligado aos vinhos seculares passados do Pico. Trata-se de uma réplica exata destes vinhos antigos, em que o vinho é enviado para a barrica, procede-se à fermentação e, assim que terminar, este vai novamente para a barrica de envelhecimento, onde permanece durante alguns anos sem qualquer tipo de intervenção. Pelas mãos de José Duarte Garcia, é o último dos Czares produzido sem nenhuns cuidados enológicos ou inovações científicas mais modernas.

 “Após as pragas que atingiram as vinhas do Pico, principalmente a filoxera em 1872, o então famoso vinho passado do Pico desapareceu. Vinho que durante séculos passou pelas mesas de reis, Papas, imperadores e czares. Em seu lugar, aparece o que passou a ser conhecido como o Verdelho do Pico. Fruto da teimosia do meu pai, desde os anos 60 que deu continuidade ao que também chamava vinho verdelho, embora fosse elaborado da mesma forma que o vinho passado, nos seus tempos mais áureos. E este Czar 1999 tem a particularidade de ter sido produzido desta forma mais rústica. Hoje em dia, a única diferença em relação à produção de há 500 anos atrás é que agora faço a decantação a frio e depois faço o resto da fermentação em borras limpas, retirando uma quantidade mínima de borras, mas que podem mudar os aromas do vinho”, relata Fortunato Garcia.

“O último Czar do século XX” – Czar 1999 – é um vinho muito querido para Fortunato Garcia, pela ligação emocional ao seu pai e mentor e também por ser o último Czar do século passado a ser comercializado. Uma “jóia” que se apresenta em garrafas personalizadas, gravadas com a inscrição do nome escolhido pelo comprador, com a exclusividade de ser apenas possível uma garrafa por nome. Este processo exige que a gravação seja efetuada antes do ouro ser cozido, para se firmar no cristal. Um luxo que apenas está acessível às pré-compras efetuadas até ao primeiro trimestre de 2024, antes da Vista Alegre produzir as garrafas com o nome gravado a ouro. Posteriormente, as gravações poderão ser elaboradas, mas sem o preenchimento deste metal precioso.

“O último Czar do século XX”* está disponível a 7.500€ cada garrafa e a 6.500€ em pré-compra (até ao 1º trimestre de 2024).

*Rótulo em aprovação na CVR Açores.

Mas as novidades não se ficam “apenas” por esta raridade. Após o “Czar 2013” ter sido considerado um dos melhores vinhos portugueses do ano, surge agora o “Czar 2014”, um vinho engarrafado nove anos após a sua colheita. Com quase uma década a estagiar em barricas velhas, este processo leva a que cerca de 45% do vinho evapore, a famosa “parte dos anjos”, tal como acontece com todos os vinhos da marca. No entanto, na opinião do produtor, justifica-se esta perda tão grande com a riqueza que os vinhos adquirem. “As grandes perdas compensam-se pela oxidação mais rápida, o que garante que o vinho Czar possa ser consumido 6 ou 8 meses após ser aberto e manter exactamente a mesma qualidade”, explica Fortunato Garcia, acrescentando: “Uma das minhas grandes alterações, enquanto responsável pela produção do Czar, foi a de passar a realizar a fermentação somente sobre borras finas e o estágio em barrica crescer de três para cerca de oito anos. Isso permitiu assumir o Czar como um produto topo de gama, condizente com as suas dificuldades de produção – em 2020, por exemplo, nos 3,5 hectares de vinha na Criação Velha produziu-se apenas 350 litros de vinho (uma relação de 100 litros de vinho por hectare)”.

Com uma produção tão baixa, a exclusividade deste vinho só é possível com uma grande dose de dedicação e resiliência. “É puro amor à camisola. Em média, numa década, há pelo menos quatro anos em que não há Czar, devido às condições atmosféricas e, por vezes, devido à fermentação, que não ocorre normalmente. É uma cultura de loucos. Querer uvas passas para produzir vinho só permite produções muito reduzidas”, assume Fortunato. É com estas uvas das vinhas centenárias do Pico, classificado como Património da Unesco em 2004, que se faz o Czar, a partir das castas autóctones da ilha (65% Verdelho, 30% Arinto dos Açores e 5% Terrantez do Pico), plantadas em chão de lava nas curraletas, muros de pedra negra que as protegem dos ventos marítimos, que resistiram aos séculos e à passagem do tempo. As vindimas chegam a ser feitas em três fases para que as uvas fiquem a amadurecer mais tempo nas videiras.

O Czar tem ainda uma outra particularidade: não tem uma categoria clara. Segundo a legislação da União Europeia, um vinho que não é fortificado não pode ser licoroso. Como não tem muitos açúcares e tem muito mais álcool, também não pode ser considerado um “late harvest”. Por serem vinhos em que nada é adicionado, variam consoante o clima de cada ano, fazendo com que sejam todos parecidos e todos diferentes. “O ideal acontece quando a conjugação da acidez, açúcares residuais e álcool se anulam e ao mesmo tempo se complementam, tornando o vinho quase perfeito”, comenta o produtor.

Passas, mel, laranja caramelizada, nozes e limão tangerino são as notas predominantes no nariz do “Czar 2014”. Na boca, o equilíbrio entre o álcool, como sempre natural, a acidez estonteante os açucares restantes, e o sal, faz com que a persistência e, por consequência, a longevidade deste vinho, fique e perdure no palato durante longos minutos, a parecer que o provador não o quer deixar ir embora. O centro da língua não para de salivar, pedindo sempre mais, sensação provocada pela frescura da acidez aliada à salinidade.

O “Czar 2014” será comercializado a 500€ cada garrafa, numa produção limitada a 996 garrafas.

 

Nota: A garrafa do “Czar 1999 – O último Czar do século XX” é um protótipo, com rótulo provisório.

 

Informações úteis:
Morada:
Zona Industrial São Roque do Pico
9940-210 São Roque do Pico, Açores
Contactos:
914 253 646 | verdelhoczar@yahoo.com
Online:
https://www.czarwine.pt/
Czar Wine | Czar Winery | S.Roque do Pico
https://www.instagram.com/czarwinery/
https://www.facebook.com/czarwinery

Sobre Fortunato Garcia:

Filho de picarotos, pelo lado do pai e da mãe, Fortunato Garcia descende de uma família de comerciantes, por via materna, e de baleeiros, por via paterna. Sempre tiveram vinhas, tal como quase todos os habitantes do Pico, pois este era um bem essencial na alimentação da ilha. O pai de Fortunato tirou o curso do magistério primário, e começou a trabalhar no Pico na segunda metade dos anos 50. No início dos anos 60, foi dar aulas para a Criação Velha, onde conhece o Professor José Rodrigues, antigo proprietário da primeira vinha na Criação Velha, com quem cria uma boa amizade. José Rodrigues queria oferecer a sua vinha ao pai de Fortunato, mas este recusou, e ofereceu-lhe o ordenado de um mês de professor. O compromisso era continuar a produzir o vinho passado do Pico, visto que estava em risco de deixar de existir.

 

Fortunato nasceu em São Roque do Pico, onde se manteve até aos 15 anos de idade. Chegada a altura de ir para a Universidade, não entrou logo e em vez disso rumou a San Diego, nos EUA, onde vivia o irmão. Admite que quase por lá ficava, mas regressou à ilha, pois como diz, “a minha América está no Pico”. Tira o curso de professor de Educação Tecnológica e vai lecionar para o Externato da Madalena. Mais tarde é colocado na Escola de São Roque. Após 2000 muda-se para a Escola das Lajes do Pico, onde se mantém a dar aulas depois da Licenciatura.

 

Além das aulas e do vinho, tem ainda outras paixões. Faz mergulho desde os 8 anos – o que o levou ao curso de mergulhador profissional. E a música – tem uma banda e canta. Até foi sócio-gerente de uma discoteca, a Skipper, durante 16 anos. Em 2009, contudo, deixou esta atividade, pois assumir a continuidade do Czar começa a exigir-lhe muita atenção. Manteve a mesma filosofia que o pai, em matéria de vinhas, mas passou a gerir o negócio familiar de outro modo. “A adega do Czar na altura do meu pai recebia uma infinidade de amigos, daí que não haja já muitos vestígios dos Czares dos anos 60, 70 e 80”.

 

De 2007 para cá, Fortunato Garcia tem feito um trabalho de divulgação e posicionamento do Czar, que o colocou num patamar de exclusividade que ele merece. Agora, já não são apenas os picarotos que conhecem este vinho ímpar, que como disse certa vez uma turista numa prova, se bebe “só com um livro”. Fortunato concorda: realmente o Czar consegue contar uma história sozinho.

 

Sobre o Czar:

Há histórias que são únicas, porque desafiam as probabilidades, ou porque acontecem apenas quando vários elementos improváveis se juntam. Afinal, qual a probabilidade de, na ilha do Pico, nos Açores, se fazer um vinho não fortificado único no mundo? O único vinho conhecido que atinge 18º a 20ºC de maturação, apenas com fermentação natural, sem adição de aguardente, açúcar ou leveduras. E qual a probabilidade de os czares da Rússia o conhecerem antes de nós, portugueses, e de o beberem até 1917 – quando um “vinho passado“ do Pico foi encontrado na cave do Czar Nicolau II, na Rússia? Este achado deu o nome ao “Czar”, em 1966, o vinho não fortificado que José Duarte Garcia, pai de Fortunato Garcia, começou a fazer quando “herdou” de um amigo de longa data (o professor José Rodrigues) as suas vinhas na Criação Velha.

 

José Rodrigues quis oferecer a vinha da Criação Velha a José Duarte Garcia, mas este recusou e propôs-lhe o ordenado de um mês de professor, na altura. Aqueles 1000 escudos (5€, nos dias de hoje), apesar de simbólicos, eram sinal suficiente para ambos. Em troca, garantia-se a continuidade da produção daquele vinho “passado”, em risco de extinção. É com uvas destas vinhas velhas, deste local que foi classificado como Património da Unesco em 2004, que se faz o Czar. Plantadas em chão de lava nas curraletas, muros de pedra negra que as protegem dos ventos marítimos, resistiram aos séculos e à passagem do tempo. Há registos de vinho no Pico desde 1460, tendo as vinhas sido atingidas pela filoxera em 1872. As vinhas velhas desta ilha, quase todas concentradas na Criação Velha, são da era pós-filoxera.

 

A partir dos anos 60 do século XX, José Duarte Garcia começou a produzir este vinho extraordinário, a partir de três castas brancas autóctones do Pico – Verdelho maioritariamente, Arinto dos Açores e Terrantez do Pico (cerca de 5%). Após o seu falecimento, em 2007, o filho, Fortunato Garcia, substituiu-o no posto, mantendo a filosofia e perseverança do pai, além da “teimosia” e de certa dose de “loucura”. Arrisca até ao limite na maturação das uvas, que colhe já bastante desidratadas – quase “passa”, daí a designação de “vinho passado” -, com muita concentração de açúcares. As leveduras indígenas fazem o resto, não havendo qualquer intervenção humana em matéria de fermentação, nem qualquer adição de aguardentes ou açúcares.

 

Fortunato Garcia implementou algumas mudanças na forma de gerir o Czar, relativamente ao seu pai. Por um lado, passou a gerir a empresa familiar de modo mais racional – de modo a garantir a sua viabilidade financeira. E por outro lado, apostou na diferenciação e posicionamento do seu produto, que era muito pouco conhecido fora da ilha do Pico. Passou a realizar a fermentação do Czar somente sobre borras finas, e o estágio em barrica cresceu de três para oito anos. Isso permitiu-lhe assumir o Czar como um produto topo de gama, condizente com as suas dificuldades de produção (em 2020, nos 3,5 hectares de vinha que Fortunato possui na Criação Velha, produziu 350 litros de vinho – uma relação de 100 litros de vinho por hectare), compreendemos melhor a exclusividade deste vinho. A produção, muito baixa, apenas é possível com doses elevadas de “amor à camisola”. Em média, há pelo menos quatro anos por década em que não há Czar, devido às condições atmosféricas e, por vezes, devido à fermentação, que não ocorre normalmente. “É uma cultura de loucos. Querer uvas passas para produzir vinho só dá produções reduzidíssimas, assume Fortunato.

 

Fonte: Chefsagency

Este site utiliza cookies para permitir uma melhor experiência por parte do utilizador. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Mais informação

Se não pretender usar cookies, por favor altere as definições do seu browser.

Fechar