Artigo

CASA DA RÉSSA, UM TRIBUTO AO DOURO E AO VINHOS DE AGRICULTOR

Réssa: palavra antiga do Douro e Minho, significa  réstia de sol — aquela luz quente e clara que resiste entre as folhas,  atravessando as vinhas e iluminando discretamente a terra. É essa luz, ao  mesmo tempo suave e intensa, que simboliza a alma da Casa da Réssa. Os  seus vinhos capturam a essência pura do território, iluminados pela  herança do tempo e pela energia da terra. 

O SONHO DO VIGNERON 

A narrativa da Casa da Réssa é, antes de tudo, uma história inusitada — daquelas que o território parecia guardar à espera de alguém que a  soubesse escutar. Alexandre Dias, empresário e vigneron, chegou ao Douro  vindo de outros mundos, movido pela curiosidade e por uma sensibilidade  rara. Não procurava vinhas, mas encontrou uma. E foi ali, diante da Vinha  das Lages, que algo o tocou profundamente. O que para muitos seria  apenas uma parcela agreste de terreno velho, para Alexandre foi uma  revelação: viu nela uma beleza crua, uma força silenciosa. E apaixonou-se.

Foi o início de um caminho sem mapa. Alexandre começou a procurar, a  aprender com os locais, a caminhar pelas encostas da margem sul do  Douro, onde poucos ousam lançar raízes. Foi comprando parcelas  esquecidas, vinhas de qualidade excecional, cada uma com a sua alma e  identidade, como se colhesse fragmentos de uma história antiga  espalhada pela serra.  

Aos poucos, teceu e deu harmonia a esta manta de retalhos, feita de  encostas, matas, vinhas velhas e solos resilientes. E, porque a soma é  maior que as partes, dessa costura laboriosa, nasceu um projeto com uma  visão: respeitar a alma do território sem a domesticar. Dos 3 hectares  iniciais que compunha a Vinha das Lages, a Casa da Réssa é hoje composta por mais de 50 parcelas, 40 hectares de terra, entre vinha, olival e mato. De vinha são 25hectares, que incluem também vinhas velhas. 

Alexandre quis criar vinhos que respeitassem a alma crua do território, sem  filtros, mas com caráter e profundidade. E foi entre vinhas velhas e solos  resilientes que encontrou o palco perfeito para esse sonho. A Casa da  Réssa reconta esta história ao conglomerar vinhedos dispersos do Baixo  Corgo numa identidade única, explorando a fértil diversidade de um lugar  privilegiado. É essa a essência da Casa da Réssa, cujos vinhos são tão  somente o eco da vida que pulsa nessas vinhas. 

VINHO DE AGRICULTOR 

A Casa da Réssa não segue tendências. Os seus vinhos não foram  pensados para se encaixarem em modas passageiras; são vinhos crus, de  fruta pura e alma rústica, criados como se fazia antigamente — para serem  partilhados à mesa do agricultor, onde o vinho não era apenas uma bebida,  mas alimento, história e comunhão. 

Aqui, o vinho é feito com as mãos calejadas por gerações que aprenderam  a ler a terra como um livro aberto. Cada garrafa traz consigo o espírito do  “Douro genuíno”, aquele que foi, durante muito tempo, esquecido pelas  grandes casas, mas onde se esconde a verdadeira essência do território.

O ÉNOLOGO 

A enologia de Paulo Nunes vai além da técnica — é uma filosofia que se  entrelaça com o território. Natural desta região, Paulo cresceu na margem  sul do Douro, entre vinhas e encostas, respirando o mesmo ar que agora dá  alma aos vinhos que cria. O seu carinho pela região é visceral, moldado por  memórias e histórias passadas entre as vinhas, que o ensinaram a escutar  a terra antes de a interpretar. 

Paulo é um intérprete sensível das vinhas e um apaixonado pela história  que moldou o Alto Douro. Ele vê cada parcela como um capítulo de um livro  antigo, escrito ao longo de séculos por mãos anónimas, pela força da  natureza e pelo passar do tempo. 

Respeita a crueza da fruta, os aromas da mata e os traços do terroir,  conduzindo-os com delicadeza e intuição. Através dessa escuta profunda,  traduz o território intemporal da Casa da Réssa em vinhos que preservam o  espírito genuíno do Douro, mas elevam-no com um toque de finesse e de  equilíbrio. 

Para Paulo Nunes, as vinhas da margem sul do Douro não são apenas  terreno fértil — são a herança viva de gerações que cuidaram desta terra  antes dele. E por isso, trata-as com o mesmo carinho com que se  preservam histórias antigas, respeitando o equilíbrio natural e o ritmo da  terra. O resultado são vinhos que equilibram a alma bruta da vinha com a  sofisticação do enólogo — vinhos que contam histórias, não apenas sobre  o lugar, mas sobre o tempo. 

O TERRITÓRIO FALA MAIS ALTO 

Na Vinha das Lages, de parcelas antigas e vinhas velhas, o vinho ganha uma  profundidade rara. Ali, o tempo parece correr mais devagar: a maturação é  lenta, e os aromas mantêm-se frescos, como o ar que sopra das encostas.  

Pinho resinoso, musgo húmido e eucalipto perfumado desenham vinhos  que equilibram força e elegância de forma natural. 

Mas é junto à margem sul do rio, nas vinhas que se estendem em socalcos  mais baixos, que o Douro mostra o seu lado mais generoso e solar. Nas  vinhas do Baixo Corgo, a uva expressa o Douro clássico — de fruta viva,  robusto, mas equilibrado. Essas vinhas captam o calor e a energia direta do  vale, revelando-se em vinhos mais densos, cheios de estrutura e presença.  Há nelas uma vibração terrosa, um corpo amplo, uma luz mais intensa — como se o rio lhes devolvesse o que a montanha guarda em silêncio. Entre altitude e margem, frescura e calor, silêncio e expressão, a Casa da  Réssa encontra o seu equilíbrio. Cada garrafa é um retrato desse diálogo — entre vertigem e abrigo, entre a alma crua da terra e a sua  intemporalidade. Um Douro que poucos conhecem. Um Douro bruto, mas  em perfeito equilíbrio. 

A PIPA QUE VIAJA 

Antigamente, o agricultor vendia a sua pipa diretamente ao dono do  restaurante no Porto. Era um vinho exclusivo, que não chegava ao público  em geral. Hoje, a Casa da Réssa resgata essa tradição, mas dá-lhe asas: o  vinho que antes se servia apenas nas tascas e restaurantes locais agora 

cruza oceanos, para ocupar lugar de honra nas mesas mais prestigiadas de  Nova Iorque, Londres ou Paris. 

Mas o espírito é o mesmo. Cada pipa, cada lote, é pensado para manter  essa exclusividade. Quem prova um Casa da Réssa não está apenas a  beber um vinho — está a partilhar a alma do Alto Douro, engarrafada,  carregada da intemporalidade do território. 

CASA DA RÉSSA RESERVA BRANCO 2022 (PVP: 47€) 

Este branco de vinhas velhas em field blend expressa a mineralidade e a  vibração fresca do Douro menos óbvio. Após uma vinificação delicada e  fermentação em inox e barrica, estagiou 9 meses sur lies, revelando um  vinho de cor cítrica com laivos esverdeados, aroma floral e cítrico com  

notas subtis de barrica. Na boca, é equilibrado, mineral, com acidez  vibrante e final seco. Um branco com potencial de guarda, que revela o  lado mais luminoso da Casa da Réssa. 

CASA DA RÉSSA RESERVA TINTO 2021 (PVP: 47€) 

Nascido das vinhas da sub-região do Baixo Corgo, este tinto é um tributo à  densidade solar dos socalcos e à autenticidade das vinhas velhas.  Elaborado a partir de Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca, é  vinificado com fermentação espontânea e estágio prolongado em barricas  de carvalho francês e inox. Apresenta cor rubi viva, aroma complexo de  frutos vermelhos, floral e especiarias, com toque balsâmico. Na boca é  redondo, fresco, elegante, com final longo e persistente. 

CASA DA RÉSSA GRANDE RESERVA TINTO 2021 (PVP: 87€) 

O Grande Reserva Tinto revela o caráter profundo das vinhas velhas e a  densidade solar dos socalcos junto ao rio. Um vinho cru, autêntico, feito de  fruta pura, aromas de mata e tempo. Criado a partir de parcelas  selecionadas, sonhado por Alexandre Dias e interpretado por Paulo Nunes,  é o reflexo de um Douro menos evidente — onde elegância, estrutura e  intemporalidade se encontram num equilíbrio raro. Um tinto de identidade  vincada, para grandes mesas e momentos com alma.

Fonte: lemonzest.pt

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