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ANIMAIS ERRANTES

Em Portugal, a presença de animais errantes, sobretudo cães e gatos, constitui um problema social, ético e de saúde pública que persiste ao longo dos anos. Estes animais, que vivem nas ruas sem cuidados adequados, são maioritariamente o resultado do abandono por parte dos seus tutores, da reprodução descontrolada e da forte influência da comercialização de animais de raça. Apesar dos esforços desenvolvidos por associações de protecção animal, por alguns municípios, e muitos cidadãos anónimos, o fenómeno continua a ter um impacto significativo na sociedade.

O abandono de animais é uma das principais causas do aumento do número de animais errantes. Muitos tutores adquirem animais por impulso, sem reflectirem sobre a responsabilidade a longo prazo que estes exigem. Mudanças de residência, dificuldades económicas, falta de tempo ou comportamentos considerados indesejados são frequentemente usados como justificação para o abandono. Este acto, para além de ilegal, expõe os animais a situações de sofrimento, fome, doenças e acidentes, comprometendo seriamente o seu bem-estar.

Outro factor determinante é a procriação descontrolada. A ausência de esterilização, tanto em animais com tutor como nos que já se encontram na rua, contribui para o crescimento exponencial das populações errantes. Uma única fêmea pode dar origem a dezenas de descendentes ao longo da sua vida, perpetuando um ciclo difícil de travar. A falta de sensibilização da população para a importância da esterilização e o acesso limitado a programas gratuitos ou de baixo custo agravam este problema.

A comercialização de animais de raça também tem um impacto relevante nesta realidade. A valorização social de determinadas raças, muitas vezes associada a modas ou estatuto, leva muitas pessoas a optarem pela compra em detrimento da adopção. Esta procura alimenta criadores ilegais e práticas pouco éticas, onde o bem-estar animal é frequentemente negligenciado. Paralelamente, milhares de animais sem raça definida permanecem em canis e associações, à espera de uma oportunidade de adopção que muitas vezes nunca chega.

As consequências da existência de animais errantes vão além do sofrimento animal. Existem riscos para a segurança rodoviária e muitas vezes conflitos com a população. Além disso, os municípios enfrentam elevados custos associados à recolha e manutenção destes animais.

Para combater este problema, é essencial investir em educação e sensibilização da sociedade, promovendo a adopção responsável, a esterilização e o respeito pelos animais enquanto seres sencientes. A aplicação rigorosa da legislação existente e o controlo da comercialização de animais de raça são igualmente fundamentais. Apenas através de uma acção conjunta entre cidadãos, instituições e o Estado será possível reduzir de forma sustentável o número de animais errantes em Portugal.

VIDAS NÃO SE COMERCIALIZAM! ADOPTE, NÃO COMPRE!

Por Susana Andrade

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