A Marta é bonita. A Lídia também era. Quando se ria, a sua boca era monstruosa. Bela, de gargalhada esquisita e hálito espesso. Talvez tenha sido isso que a matou. Talvez tenha sido o hálito da couve-galega daquele jantar. Eu tornei-me feia. Lembro-me do dia em que o pai foi ao quarto das crianças. Fizemos muito barulho, penso eu. Não me lembro onde estava a estimada mãe. Mas o pai vinha zangado. Muito. De onde viria aquilo? Depois não me lembro do resto. Não sei. Lembro-me da luz estar apagada. Diria que escureceu durante anos.
Nó do Hábito começa com o dia de velório do corpo do irmão mais velho de Marta e
Ingrid, na casa de onde nunca saíram.
Reservas: reservas.nodohabito@gmail.com
Ficha técnica:
Associação Cultural Vocês que Vivem no 147. Texto e encenação de Anna Leppänen; com Ana Baptista, Ana Valente e Nuno Pinheiro.



