Quando Marco Martins ponderava trabalhar a partir de Um Inimigo do Povo, de Ibsen, como um desenvolvimento lógico do seu interesse pelo conflito entre o indivíduo e o coletivo — um tema central na sua criação —, a 19 de dezembro de 2024, a Polícia de Segurança Pública (PSP) realizou uma operação especial de prevenção criminal na Rua do Benformoso, em Lisboa. Esta artéria é habitada e frequentada, maioritariamente, por imigrantes do subcontinente asiático, em particular do Bangladesh. A rua foi encerrada e cerca de 60 pessoas foram forçadas a encostar-se à parede, com as mãos sobre a cabeça, durante cerca de duas horas. Os seus corpos foram obrigados a manter uma posição fisicamente extenuante e, simultaneamente, a esconder os rostos.(…) Tendo como ponto de partida a imagem daqueles corpos indefesos privados de dignidade, Marco Martins propõe uma reflexão sobre a forma como os media e os partidos políticos de várias esferas manipulam a imagem destas pessoas sem jamais lhes dar verdadeiramente voz. (…)
Interpretado em português, inglês, bengali e outras línguas, legendado em português
Espetáculo com interpretação em Língua Gestual Portuguesa no dia 15 de março
Ficha técnica:
CCB/rede Prospero NEW. Direção e dramaturgia de Marco Martins; texto de Marco Martins, a partir de testemunhos do elenco, da investigação de Joana Pereira Bastos e Raquel Moleiro, e de obras de Henrik Ibsen, Thomas Ostermeier, Florian Borchmeyer, Elias Canetti, Georges Didi-Huberman, Roger Caillois, Hannah Arendt, Cesare Pavese, Hein De Haas, Claire Touzard, Adília Lopes, Robert Peckham, Marguerite Duras e Pier Paolo Pasolini; com Amin Nurul, Dil Bahadur Ale, Janit Fernandes, Kamal Chowdhury, Kamal Sarder, Niraj Khadka, Rajib Al Mamun, Sabera Parvin, Sharker Nasrin, Shohel Rana e Rita Cabaço, Rodrigo Tomás.



