O Projecto DME tem o prazer de anunciar o concerto do Ensemble DME, sob a direção do conceituado maestro francês Jean-Philippe Wurtz, integrado na Semana da Pós-Graduação em Composição Musical Aplicada da Escola Superior de Música de Lisboa. Este concerto será dedicado à Nova Complexidade, um movimento que desafia as fronteiras da composição tradicional, recorrendo a técnicas e texturas densas e altamente detalhadas.
Serão interpretadas três obras distintas: La Chute d’Icare, do compositor britânico Brian Ferneyhough, conhecido pela sua abordagem rigorosa e complexa, e duas novas obras encomendadas especialmente pelo Projecto DME aos compositores portugueses Jaime Reis e Pedro Berardinelli.
Vídeos Ensemble DME
https://youtu.be/WdukGInLg3k?si=s4vHAcNE0IqhhbHY
Ensemble DME | 10 Anos
https://youtu.be/dzzmSE9PHFg?si=-X0e02GOtAI_VJYI
A Arquitectura do Sons | Ensemble DME • CAM Gulbenkian
Março 2023| Foyer – Fundação Calouste Gulbenkian
O Ensemble DME foi criado em 2013 no âmbito do Projecto DME, uma iniciativa fundada pelo compositor Jaime Reis para promover a prática musical contemporânea e electroacústica. Tem trabalhado com maestros como Jean-Sébastien Béreau, Pedro Figueiredo, Rita Castro Blanco e Valerio Sannicandro.
O Ensemble DME actuou em numerosas salas de concertos e festivais, dos quais destacamos a Fundação Logos (Gent, Bélgica), a digressão pelo Brasil com mais de uma dezena de concertos, o Auditorio Santa María (Plasencia, Espanha), Casa da Música (Porto), Palácio Foz e Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa).
O Ensemble DME tem quatro edições fonográficas, onde se incluem os monográficos de Mario Mary (editora CMMAS) e de João Pedro Oliveira, e as edições com foco nas obras de autores portugueses contemporâneos para violeta, por Aida-Carmen Soanea, e para piano, por Ana Telles.
Ao longo de uma década de actividade, o Ensemble DME tem interpretado obras de compositores como Brian Ferneyhough, Christopher Bochmann, Elliott Carter, Gerhard Stäbler, Gérard Grisey, Jaime Reis, Jean-Sébastien Béreau, Lula Romero e Ludger Brümmer.
Actualmente, tem orientado o seu trabalho para projectos multidisciplinares, onde se destaca a estreia do espetáculo “Geometrias do Inelidível”, de Jaime Reis, produzido pela EMSCAN em 2022, e o concerto co-organizado com o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa, “Esplorazioni”, dedicado à relação entre espaço e som, com o compositor e maestro italiano Valerio Sannicandro, que incluiu estreias de obras suas e do compositor e arquitecto Diogo Alvim.
Brian Ferneyhough nasceu em Coventry, Inglaterra, a 16 de janeiro de 1943. As suas primeiras experiências musicais deram-se nas bandas marciais e de metais de Coventry, onde, entre outras atividades, tocou trompete. Frequentou a Birmingham School of Music e depois a Royal Academy of Music em Londres, onde estudou composição com Lennox Berkeley. Em 1968, viajou para Amesterdão para estudar com Ton de Leeuw, e depois para Basileia, onde estudou com Klaus Huber. As suas composições, nomeadamente as Sonatas, foram distinguidas no Concurso Gaudeamus durante três anos consecutivos (1968-70); em 1974, o ISCM atribuiu-lhe um prémio especial pela obra Time and Motion Study III, considerada a melhor em todas as categorias. Nesse mesmo ano, várias das suas composições foram apresentadas no Festival de Royan, consolidando a sua reputação como um dos compositores mais originais e uma das personalidades mais marcantes da sua geração.
Ferneyhough foi assistente de Klaus Huber na Musikhochschule de Freiburg-im-Breisgau em 1973, onde permaneceu até 1986. Em 1986, lecionou durante um ano no Conservatório Real de Haia (Países Baixos). Entre 1987 e 1999, foi professor na Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA), tendo posteriormente sido nomeado para um cargo na Universidade de Stanford. Ferneyhough deu também palestras e orientou workshops em diversos locais do mundo, incluindo os Cursos de Verão de Darmstadt entre 1984 e 1996 e, desde 1990, na Fundação Royaumont. Foi professor convidado no Conservatório Real de Estocolmo, no California Institute of the Arts, na Universidade de Chicago e na Universidade de Harvard (2007-2008), bem como na Civica Scuola de Milão, no Conservatoire National Supérieur de Musique de Paris, nas Universidades de Oxford, Cambridge e Durham, entre muitas outras na América do Norte. Dá regularmente cursos no IRCAM no âmbito do programa Cursus.
Em 2007, Ferneyhough foi galardoado com o Prémio Siemens e, em 2012, recebeu um doutoramento honoris causa pelo Goldsmiths College da Universidade de Londres.
A sua obra é publicada pela editora Peters, de Londres, e os seus manuscritos estão arquivados na Fundação Paul Sacher, em Basileia.
Jaime Reis (n. 1983) é um compositor português.
Estudou Composição e Música Electroacústica com João Pedro Oliveira, Emmanuel Nunes e K. Stockhausen. Continuou os seus estudos de doutoramento na Universidade Nova de Lisboa em Etnomusicologia.
O pensamento musical de Jaime Reis é informado pelo seu grande interesse pela investigação em ciências naturais e pela sua permanente atenção às tradições musicais – e, de facto, espirituais – asiáticas.
Um dos seus focos é a dinâmica das formas, forças e fluxos em música. Explora percursos polifónicos espaciais através de sistemas de som imersivos em forma de cúpula.
Outra característica marcante da sua música é a presença de conceitos complexos que sustentam a construção das suas peças, muito embora não distraindo o ouvinte da sua beleza sensível. As ideias funcionam como funções ocultas que, apesar do seu rigor intelectual, geram formas musicais voluptuosas.
Jaime Reis é professor de Composição e Música Electroacústica na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e investigador no Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa. É director artístico do Projecto DME e do Lisboa Incomum, que desenvolvem uma intensa actividade de investigação e criação de música erudita contemporânea.
A sua música foi tocada em todo o mundo por ensembles e músicos como Christophe Desjardins, Pierre-Yves Artaud, Aida-Carmen Soanea, Ana Telles, ensemble Fractales, Ensemble Horizonte, Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, Machina Lírica, Orchestre de Flûtes Français e Aleph Gitarrenquartett.
Bio. por Monika Streitová, flautista e Professora na Universidade de Évora;
retirada de jaimereis.pt; actualizada em Maio 2020
Pedro Berardinelli concluiu a licenciatura e o mestrado em Composição na Universidade de Aveiro, tendo recebido uma bolsa de mérito pelo seu excecional desempenho académico. Durante este período, frequentou regularmente seminários de composição e teve mais tarde algumas aulas particulares com Emmanuel Nunes, que tiveram um grande impacto sobre ele.
Concluiu o Mestrado em Composição Instrumental Contemporânea no Centro Superior Katarina Gurska com a classificação máxima, tendo como orientadores Alberto Posadas e José Luis Torá.
Concluiu com distinção as Pós-graduações na Kunstuniversität Graz e na Kunstuniverstät Wien, tendo estudado com Beat Furrer e Michael Jarrell.
Frequentou vários cursos, seminários e aulas com compositores como Rebecca Saunders, Mark Andre, Philippe Manoury, Chaya Czernowin, Stefano Gervasoni, Yann Robin, Raphaël Cendo, Pierluigi Billone, Dmitri Kourlianski, entre outros.
Participou em várias academias como a Academia de Composição do Festival Musical (Estrasburgo), a Universidade de Altitude (Saint-Martin-Vésubie), a Academia de Compositores Tchaikovsky, Stockhausen-Kurse e Impuls, tendo trabalhado com o Quatuor Diotima, Klangforum Wien, PHACE Ensemble, Schallfeld Ensemble, Ensemble Multilatérale/Alain Billard, entre outros.
Encontra-se atualmente inscrito no Programa de Doutoramento em Composição da Universidade de Aveiro e da Kunstuniversität Graz (instituição de acolhimento) sob a orientação de Sara Carvalho e Beat Furrer, tendo sido bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).
Jean-Philippe Wurtz estudou no Conservatório Nacional da Região de Estrasburgo, onde obteve os primeiros prémios em piano, música de câmara, análise, harmonia e contraponto. Lá, trabalhou com Jean-Louis Haguenauer, de quem se tornou assistente em 1993.
Prosseguiu os seus estudos na Musikhochschule de Karlsruhe e recebeu também os conselhos de Ernest Bour, que conheceu em Estrasburgo. Paralelamente, foi admitido como estudante no International Eötvös Institute, onde estudou com Peter Eötvös. No âmbito desta formação, dirigiu os ensembles Asko, Modern e Contrechamps.
Depois de ter sido assistente de Kent Nagano e de Peter Eötvös, fundou em 1998 o ensemble LINEA, dedicado à criação contemporânea.
Entre 1997 e 2000, foi diretor dos Estudos Musicais nos Óperas de Montpellier e maestro assistente da Orquestra Nacional de Montpellier – Languedoc Roussillon, o que o levou a trabalhar com maestros como Friedemann Layer, Armin Jordan, Stuart Bedford e encenadores como Robert Carsen, Daniel Mesguich, Alfredo Arias, Jacques Nichet…
A sua carreira como maestro levou-o a dirigir, entre outros, o Ensemble Modern, o Ensemble Linea, o Kammerensemble Neue Musik Berlin, o Ensemble Plural, o Ensemble Smash, o Ensemble Accroche Note, a Orquestra Nacional de Pays de Loire, a Orquestra Nacional de Bordeaux-Aquitaine, o Ensemble Intermodulacio, o Ensemble Alternance, o Ensemble Oh-ton, o Ensemble Talea, a Orquestra Nacional de Montpellier, o ensemble ECCE e a Philharmonia Orchestra…
É convidado regular dos grandes festivais: Estrasburgo (Musica), Montpellier (Radio-France), Budapeste (Autumn Festival), Bruxelas (Ars Musica), Huddersfield (HCMF), Madrid, Bucareste, Darmstadt (Ferienkurse), Buffalo (June in Buffalo), Nova Iorque (Lincoln Center), Fundação Royaumont (França), Seul (ACL)… Pedagogo empenhado, colabora regularmente com as Musikhochschulen de Bremen, Essen e Karlsruhe, bem como com o Conservatoire National Supérieur de Musique et Danse de Paris, a Haute École des Arts du Rhin, o Conservatório de Estrasburgo e a Fundação Eötvös.
Intérprete comprometido com a criação contemporânea, estreou mais de trezentas obras, entre as quais partituras de Klaus Huber, Peter Eötvös, Brian Ferneyhough, Michael Jarrell, Wolfgang Rihm, Younghi Pagh-Paan, Unsuk Chin, Raphaël Cendo, Francesco Filidei, Alberto Posadas, Mark André, Frédéric Durieux…
Foi nomeado Diretor Artístico do programa Voix Nouvelles da Fundação Royaumont em setembro de 2015.
Fonte: comunicacao.dme





