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Lisboa, Cidade COM VIDA Para Todas as Idades

Lisboa, Cidade COM VIDA Para Todas as Idades

O preconceito baseado na idade é um tema de grande importância nas nossas sociedades, pois afeta a forma como os indivíduos são tratados ao longo da vida, especialmente na velhice. Esse tipo de discriminação pode limitar oportunidades de trabalho, acesso a serviços de saúde e participação social, reforçando estereótipos negativos sobre o envelhecimento.

A revista Bica quis saber a posição da Câmara Municipal de Lisboa (CML) sobre o idadismo. Entrevistou Sofia Athayde, Vereadora responsável pelo pelouro dos Direitos Sociais e Humanos

 

O programa “Lisboa, Cidade COM VIDA Para Todas as Idades” está na sua 3.ª fase. Quais são os grandes objetivos a atingir?

Como Vereadora responsável pela área do envelhecimento, não posso de deixar de começar esta resposta – pelo marco que é –  por referir a criação do Plano de Saúde 65 +. Um serviço totalmente  gratuito para esta faixa etária da população, permitindo a disponibilização de teleconsultas, prescrição médica, deslocação de ambulância (caso se justifique). Para os beneficiários do complemento solidário de idosos, temos também as consultas de medicina dentária (e os respetivos tratamentos), bem como consultas de optometria e disponibilização de óculos. Esta medida é reveladora do compromisso que o Município tem com os “nossos maiores”.

Sobre este projeto específico, afirmo que tenho o enorme privilégio de acompanhar e contribuir para o programa “Lisboa, Cidade COM VIDA Para Todas as Idades”, que tem como principal objetivo melhorar a qualidade de vida das pessoas com 65 anos ou mais. Este programa é uma oportunidade para promover o bem-estar, fortalecer a autonomia, estimular a participação social e oferecer respostas personalizadas e inclusivas.

Nesta etapa, estamos focados em reforçar a participação comunitária, fomentar redes de solidariedade e cooperação, e garantir apoios sociais integrados e flexíveis. Acreditamos que estes eixos de ação são essenciais para tornar Lisboa uma cidade mais justa e inclusiva, para todas as idades.

Um dos marcos mais significativos desta terceira fase é a criação do CLIC-LX (Centro Local de Informação e Coordenação de Lisboa). Este espaço, desenvolvido em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o Instituto da Segurança Social, o SNS, a Polícia de Segurança Pública e a NOVA Medical School, é um lugar de apoio fundamental para a população mais velha de Lisboa, no âmbito do Projeto Radar. Trata-se de um passo decisivo para consolidar o programa, oferecendo proximidade e apoio aos lisboetas.

O primeiro pilar da Década do Envelhecimento Saudável 2020-30 tem como objetivo mudar a forma como pensamos, sentimos e agimos em relação ao envelhecimento. Esta é também uma das preocupações em Lisboa, uma vez que sabemos que há uma carga muito negativa associada ao envelhecimento, numa sociedade em que se impõe o culto da juventude? Ações desenvolvidas em Lisboa a pensar nesta população especial?

Considero o combate ao idadismo uma das prioridades do Município de Lisboa e tenho dedicado esforços concretos para enfrentar este problema, em várias frentes. Uma das iniciativas que tivemos, foi o convite feito à Escola Profissional de Imagem, desafiando os alunos a refletirem sobre o idadismo e a criarem uma campanha que desconstrua os estereótipos associados às pessoas idosas – como as ideias de inatividade, inutilidade ou a perda de beleza e atratividade.

O resultado deste trabalho será uma exposição itinerante, organizada com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, que dará visibilidade às imagens criadas pelos jovens. Mais do que isso, as criações poderão ser aproveitadas em diversas iniciativas e até exibidas nos mupis espalhados pela cidade.

Esta iniciativa vai além da sensibilização do público em geral. O nosso objetivo é, sobretudo, alcançar os jovens, reconhecendo que os preconceitos e estereótipos começam a ser formados desde cedo. Acreditamos que envolver a juventude neste processo não só promove um convívio intergeracional mais saudável, mas também os ajuda a olhar para o envelhecimento de forma mais positiva. Queremos contribuir para que estes jovens encarem esta etapa da vida com mais aceitação e empatia, fortalecendo o respeito por todas as idades na nossa cidade.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou, em 2021, a Campanha Global #AWorld4AllAges. Que ações têm sido realizadas para combater o idadismo?

A constituição do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, em outubro de 2024, foi um marco importante. Este órgão consultivo, criado após um processo participativo, ajudou-nos a identificar as principais áreas de intervenção no envelhecimento ativo em Lisboa. Com o apoio deste Conselho, estamos prontos para desenhar o futuro Plano Municipal.

Além da campanha que mencionei anteriormente, criada para combater o idadismo junto dos jovens, estamos a desenvolver um projeto piloto muito especial; na Freguesia da Ajuda, em parceria com a Associação do Bairro 2 de Maio, estamos a criar um espaço intergeracional. A nossa visão é clara: Queremos que Lisboa tenha, de forma gradual e consistente, Centros Intergeracionais que funcionem como polos de encontro entre gerações. Esses espaços serão locais de partilha de afetos, apoio mútuo, troca de conhecimentos e valorização das competências de todos. A convivência próxima entre diferentes gerações é uma das formas mais poderosas de desconstruir preconceitos ligados à idade.

Em colaboração com a Coordenação Nacional do Plano de Ação do Envelhecimento Ativo e Saudável, estamos também a desenvolver o Plano Municipal para o Envelhecimento Ativo e Saudável de Lisboa. A nossa ambição é tornar Lisboa uma “Cidade Amiga das Pessoas Idosas”, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde, e uma referência no envelhecimento ativo. Este plano será uma ferramenta essencial para responder às necessidades específicas da nossa população mais velha, promovendo bem-estar, autonomia e qualidade de vida.

Também temos investido em iniciativas regulares para sensibilizar a comunidade, incluindo os próprios idosos, sobre os seus direitos. Desde há dois anos, celebramos o Dia Internacional do Idoso, a 1 de outubro, com atividades como “viagens pelos Direitos Humanos” para grupos de idosos, no Universo D.

Assinalámos, ainda, o Dia Mundial da Consciencialização da Violência Contra a Pessoa Idosa, a 19 de julho, em parceria com a APOIARTE – Casa do Artista, com uma mesa-redonda que incentivou o debate sobre este tema tão importante.

Em outubro, organizámos um Encontro sobre Envelhecimento e Longevidade no auditório do MUDE – Museu do Design. Este evento, voltado para profissionais e estudantes da área social e da saúde, reuniu 111 participantes para refletir sobre como construir uma cidade que promova o envelhecimento ativo e saudável. Contámos com especialistas em urbanismo, design, cultura e saúde mental, para nos ajudar a imaginar uma Lisboa verdadeiramente amiga das pessoas mais velhas.

A palavra “idadismo” entrou no dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, em 2023, com o significado que se segue: “atitude de discriminação e preconceito com base na idade.” Uma vez que o conceito de “idadismo” foi criado, em 1969 por Robert Butler, que importância dão a este facto?

A criação de um termo com tanto impacto e significado é, para mim, uma grande vitória na luta contra o idadismo. É um símbolo claro de que esta realidade está a ganhar o reconhecimento social que merece, ajudando a divulgar a causa e a sensibilizar a comunidade para a importância deste combate. Sinto-me verdadeiramente orgulhosa por este avanço.


Foi criada, em Portugal, a Associação Stop Idadismo, como resultado do movimento iberoamericano #StopIdadismo da sociedade civil. Que avaliação fazem do trabalho desta e de organizações que pugna por um Portugal Para Todas as Idades?

Acompanhei de perto o nascimento da Associação Stop Idadismo em Portugal, em 2023. Inspirada pelo movimento #StopEdadismo, iniciado em Espanha, e pelo desafio global da OMS, #Aworld4AllAges, esta associação chega com uma missão essencial: Produzir e divulgar informações, reflexões e dados que apoiem ações organizadas no combate ao idadismo.

Reconheço a importância desta iniciativa e parabenizo a criação da Associação. Todo o trabalho efetuado em prol dos nossos maiores   é sempre bem acolhido e bem vindo.

Por Revista bica

Foto Vereadora: Vítor Gordo
Foto CLIC: Ana Luísa Alvim / CML

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