Artigo

bcecada com a luz: a arte única de Loïe Fuller

Antes de Isadora Duncan, houve Loïe Fuller. Um olhar sobre a incrível carreira desta intérprete revolucionária que protagonizou os primeiros filmes de Georges Méliès e cuja influência se estende até artistas contemporâneos.

Loïe Fuller foi uma bailarina do início do século XX, cujo uso pioneiro do tecido e da luz alterou para sempre o mundo da arte e da moda, e que lhe valeu o título de criadora da dança moderna americana.

Obcecada com a luz é uma meditação sobre a luz e a obsessão duradoura de criar.O filme abre a cortina sobre Loïe Fuller, uma artista extremamente original que revolucionou a cultura visual do início do século XX. Criando um diálogo entre o passado e o presente, o documentário investiga a espantosa influência que o trabalho de Fuller tem em artistas contemporâneos, incluindo Red Hot Chili Peppers, Taylor Swift, Bill T. Jones, Shakira e William Kentridge. No processo, o filme revela pontos em comum que ligam estes luminares criativos a Fuller e uns aos outros.

Criadora americana da dança moderna, Fuller (1862-1928) inventou um tipo de espetáculo completamente novo que combinava dança, tecido e movimento. Foi também pioneira na utilização engenhosa da eletricidade no palco, chegando mesmo a construir um chão de vidro para que pudesse ser iluminada a partir de baixo. Qualquer pessoa que tenha ido a um concerto de rock já viu uma versão moderna dos seus projectos de iluminação. Fuller lançou-se em abstracções rodopiantes que deixavam o público boquiaberto e compreendeu imediatamente a importância de proteger a sua propriedade sobre estas inovações. Sempre lutando contra uma enxurrada de imitadores, Fuller foi a primeira coreógrafa a tentar obter direitos de autor sobre as suas danças e intentou uma ação judicial para proteger o seu trabalho logo em 1893.

Fuller atingiu o estrelato internacional depois de atuar no Folies Bergère em Paris. A sua ascensão à fama esteve entrelaçada com o início do cinema e a sua dança Serpentine tornou-se um tema icónico para os primeiros cineastas, como Georges Méliès e Alice Guy Blaché. Foi também uma das primeiras filmagens a ser colorida à mão.

Obcecada com a luz é um filme sobre transformação. É sobre uma artista de vaudeville do Midwestern que actuou com Buffalo Bill antes de se tornar uma estrela mundialmente famosa da Belle Époque parisiense e a personificação do movimento Art Nouveau com as suas elaboradas produções de abstracções efémeras e mutáveis. É sobre uma mulher, descrita pelos contemporâneos como “estranha e mal vestida”, que se transformava na “Fada da Luz” em palco. É sobre uma mulher que se tornou famosa nos seus próprios termos – sem se desculpar pelo seu tipo de corpo e aberta sobre a sua preferência sexual. E é sobre uma artista visionária que perturbou as noções dominantes de dança e os limites imaginados do corpo humano.

Por último, o filme é sobre um modernista perdido cuja história é crucial para compreender tanto o cinema como a performance.

Obcecada com a luz está disponível na plataforma 22 de Agosto.

 

 

 

Fonte: Filmin

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