Artigo

Quinta do Medronheiro

“As videiras passaram todo o Inverno retorcidas e ásperas a fingir de mortas, mas começaram agora a cobrir-se de vides frescas como água dos ribeiros. As carreiras de cepas ficam cada dia mais verdejantes e há, na erva alta que cresce entre elas, milhares de pequenas flores do prado: dentes de leão amarelos com um coração coruscante de branco, extensões imensas de margaridas como neve de Primavera sobre a erva.”

Paulo Varela Gomes in “Ouro e Cinza”, Edições Tinta da China

Na Quinta do Medronheiro, a pouquíssimos quilómetros de Viseu, é o ambiente bucólico que nos encanta. Como se o tempo tivesse parado algures em meados do século passado para preservar estes 37 hectares dos malefícios de um progresso desenfreado.

A antiga exploração agrícola e pecuária perdeu o fulgor de outrora, mas nem isso transparece ao percorrermos vagarosamente os caminhos graníticos que envolvem o casario tipicamente beirão. Da vinha, no topo da Quinta, virada ao sol matinal da Estrela e irrepreensivelmente cuidada, avista-se uma mata de carvalhos despidos de folhas, onde despontam, aqui e além, pequenos rebentos que indiciam a aproximação da Primavera; num manto verde junto ao rio que corre ao fundo, umas vacas indolentes vão ruminando indiferentes aos nossos olhares curiosos, abanando a cabeça de tempos a tempos para afugentar um ou outro passarito; ao lado, mas devidamente separados das arouquesas não vá a indiferença ao que as rodeia ser apenas aparente, dois cavalos troteiam lado a lado em direcção ao rio; mais abaixo, junto a uma queda de água, um velho moinho de pedra meio encoberto pelo arvoredo serve de poiso a um guarda-rios de asas azuis e dorso alaranjado.

Leia na íntegra aqui

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