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RODA

A Fundação INATEL e a Mundo em Reboliço apresentam o espetáculo RODA, uma coreografia de Filipa Francisco, com estreia absoluta a 30 de abril às 17h, na Academia Almadense.

ENTRADA LIVRE

A convite da Fundação INATEL, a coreógrafa Filipa Francisco regressa ao folclore e à etnografia para nos propor múltiplas perguntas numa nova viagem entre a dança tradicional e a contemporânea. Com mais de oito décadas de História, a Fundação INATEL tem um percurso vincadamente marcado nas áreas da tradição, culturas pop e populares, dos patrimónios expressivos e imateriais. Neste sentido, na senda de um conceito de património vivo, mas com raízes, desenvolve projetos e parcerias que visem mostrar novas visões dos objetos e práticas de outrora, desconstruindo imagens e criando novas abordagens.

Assim nasceu a RODA, que resulta de um trabalho de investigação sobre as danças que existem, atualmente, em Lisboa e o modo como refletem, entre outros aspetos, as migrações entre os mundos rural e urbano, a relação com o ambiente político ao longo dos tempos e aquilo que nos trazem enquanto urgência. O processo de investigação iniciou-se com encontros junto de pessoas com diferentes conhecimentos, práticos e teóricos, sobre dança tradicional e contemporânea, como David Marques, Domingo Morais, Fábio Gonçalves Luís (Rancho Folclórico da Ribeira de Celavisa), Joaquim Pinto (Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho), Ludgero Mendes e Paulo Lima. Paralelamente, o trabalho foi acompanhado por leituras, discussões e reflexões de materiais diversos escritos, visuais e áudio.

O elenco cruza artistas profissionais com não profissionais de distintas áreas e proveniências. Oito intérpretes sobem ao palco, quatro da área da dança contemporânea e quatro da área da dança tradicional, vindos do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Castro Daire, o qual fará ainda uma participação especial. A música original é composta pelos Live Low e interpretada ao vivo pela banda e com a participação de dois músicos do Rancho Folclórico da Ribeira de Celavisa e outros dois do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Castro Daire.

Desde o primeiro ensaio desta RODA procurou-se convocar todo o grupo de criação a ensaiar corpo e pensamento perante questões instigadoras: o que é para ti uma RODA? O que significa caminhar? Que danças atravessam o teu corpo? O que é uma dança tradicional? E uma dança contemporânea? Estamos abertos à profanação?

“RODA ensaia, assim, uma outra forma de estar, enfrenta o medo de colocar em confronto corpos e culturas, deixa-se atravessar por um espaço-tempo orgânico, procura um terreiro em 2023 onde se experimenta um outro folclore, vivo e pulsante. Um folclore, uma dança tradicional aberta, porvir, a dança do presente, porque futuro, que se compõe num ato de profanação construído com alicerces suportados no respeito e admiração pelo/a outro/a. Um ato que procura desbloquear encontros e celebrações que emergem a partir de tantas danças tradicionais múltiplas.”

“Corpos e movimentos que experimentam e desconstroem continuamente, trazendo outros tempos e outras culturas para a RODA, onde afinal sempre estiveram. Em RODA, a dançar, questionamos os papéis e padrões rígidos do folclore português, impostos por uma ditadura que teima em agarrar-se aos nossos corpos e ações. (…) A RODA, volta a abrir, ensaia uma afirmação intemporal coletiva no terreiro, espaço público da vida. Integra a beleza e intensidade do ritual de convocação da pluralidade e ancestralidade. Profanar para evoluir. Dança tradicional e contemporânea em corpos tensos e dialogantes que se expandem numa contaminação mútua”. (Hugo Cruz)

O cruzamento de Filipa Francisco com o folclore e a etnografia “A Viagem” foi o primeiro trabalho de Filipa Francisco com Grupos Folclóricos. Estreou no Teatro Virgínia, em Torres Novas, no âmbito do Festival Materiais Diversos de 2011 e contou com a participação do Grupo Folclórico dos Riachos. Em 2012, estreia uma nova montagem com o Grupo Folclórico da Corredoura, no âmbito da Coimbra Capital da Cultura, que viria a ser considerada pela imprensa nacional um dos melhores espetáculos do ano. A partir de então, “A Viagem” circulou, em continuidade até ao presente, por vários teatros em Portugal e no estrangeiro. Em 2022, O Festival Inventa, a CIM do Douro, Tâmega e Sousa, a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e a Bússola, convidam Filipa Francisco para a sua segunda criação com grupos folclóricos, “A Festa”, desta vez com bailarinos e músicos de dez grupos folclóricos da região, num processo de partilha, construção e desconstrução da dança tradicional, das procissões e dos bailaricos, apresentada na rua, em percurso.

Em 2023, a convite da Fundação INATEL, surge o projeto “Roda”, uma criação coletiva, para o espaço do teatro, com elementos de dois ranchos da região de Lisboa, região ainda não trabalhada por Filipa Francisco. Confrontando as danças tradicionais com percursos na música e na dança contemporâneas, a coreógrafa aprofunda a sua reflexão em torno da dimensão social, política e poética da arte, deslocando mais uma vez o seu trabalho artístico para espaços e linguagens que aumentam as possibilidades de encontro com o público.

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30 de abril de 2023, 17h, Academia Almadense
Rua Capitão Leitão, n.o 64, 2800-253 Almada.
Entrada livre, mediante reservas.
Reservas Fundação INATEL: cultura@inatel.pt | tel.: 210 027 150 (chamada para a rede fixa
nacional | dias úteis das 9h às 18h).

Duração: aprox. 70 min
Classificação etária: M/06
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
Organização: Fundação INATEL, Mundo em Reboliço
Direção artística, criação e interpretação: Filipa Francisco
Assistência direção artística e interpretação: Mariana Tengner Barros
Dramaturgia: Hugo Cruz
Composição musical: Live Low
Interpretação musical: A. Basilio, J. Fernandes (Rancho Folclórico da Ribeira de Celavisa);
Adelaide Ferreira, Afonso Ferreira (Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Castro Daire);
Miguel Ramos, Pedro Augusto (Live Low)
Interpretação e cocriação: Alexandre Magno aka Emiliano Manso e Gio Lourenço
Interpretação | Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Castro Daire: Liliana Fernandes,
Luís de Portugal II, Marcos Silva, Rita Fernandes
Consultores: David Marques, Domingo Morais, Fábio Gonçalves Luís (Rancho Folclórico da
Ribeira de Celavisa), Joaquim Pinto (Grupo Etnográfico Danças e Cantares do Minho), Ludgero
Mendes, Paulo Lima
Direção técnica e desenho de luz: João Chicó
Figurinos: Helena Guerreiro
Costureira: Aldina Jesus
Fotografia: José Frade e Bruno Simão
Vídeo e edição: Tiago Pereira
Assessoria de Imprensa: Levina Valentim
Design e Comunicação: Eduardo Quinhones Hall
Difusão e Produção: Mundo em Reboliço / Rita Maia, Fundação INATEL
Financiamento: Fundação INATEL e República Portuguesa – Cultura | DGArtes – Direção-Geral das Artes
Com a participação especial do Rancho Folclórico da Casa do Concelho de Castro Daire
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MAIS INFORMAÇÕES
WEBSITE: https://www.mundoemrebolico.pt/ | http://www.inatel.pt
FACEBOOK: https://www.facebook.com/MundoemRebolico | https://www.facebook.com/Fund açãoINATEL
INSTAGRAM: https://instagram.com/mundoemrebolico | https://instagram.com/fundacaoinatel

 

Foto: José Frade

Fonte: Levina Valentim

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