Artigo

366 IMAGENS Um ano de fotografias no Parque de Serralves mostradas em livro e exposição

Fundação de Serralves apresenta um ano no parque, uma exposição de fotografia de Jorge Sarmento, a partir do livro homónimo, que resulta de uma experiência que recolheu 366 fotografias no Parque de Serralves. O projeto regista, em imagem, a biodiversidade do Parque e a passagem das estações, revelando a transformação cíclica da Natureza ao longo de um ano.
Com uma instalação visual que conjuga fotografia, som, projeção e elementos materiais do próprio Parque, a exposição  é uma homenagem ao Parque de Serralves enquanto entidade viva e guardiã de memórias, propondo um diálogo entre a matéria e o intangível, entre o processo criativo e o ato de observação.
O percurso expositivo assenta numa dualidade entre o livro e o que dele se desprende. De um lado, a presença física do objeto, o livro impresso, apresentado em forma de fita de Möbius, evocando o ciclo contínuo da Natureza e um tempo sem princípio nem fim. Do outro, a exposição abre-se ao espaço e ao tempo, revelando aquilo que escapa à página: as marcas, os resíduos, os reflexos e os múltiplos olhares possíveis sobre uma realidade em constante reinvenção.
No Celeiro, uma fita de Möbius apresenta o livro em forma contínua e suspensa, convidando à leitura visual ininterrupta do tempo através do livro reescrito: páginas encadeadas em sequência, sem início nem fim, nem dentro nem fora, num percurso suspenso dobrado sobre si mesmo.
A fita flutua no espaço, sustentada por fios quase invisíveis, elevando-se à altura do olhar e da atenção.
Como no livro, o tempo desenrola-se imagem a imagem, memória a memória, em que o caminho se prolonga, contínuo, num ciclo onde cada regresso é também uma partida.
No Lagar, o livro é apresentado em negativo através de chapas tipográficas dispostas em quadricromia, que revelam a fragmentação da imagem e sugerem o que escapa à perceção humana.
Nas paredes, as chapas repetem-se como um painel de azulejos, evocando o ciclo contínuo do processo de impressão, enquanto uma sequência genética da Drosophila melanogaster inscrita nas tintas tipográficas estabelece uma ligação simbólica entre vida e técnica.
No centro da sala, as 366 fotografias do livro são projetadas sobre uma tela translúcida, permeável ao espaço e ao tempo do visitante.
Um lagar contém mil litros de água do Parque — símbolo da matéria e do processo de criação — onde se projetam imagens aquáticas que se transformam com o movimento.
O outro reúne resíduos de produção e matéria orgânica recolhida no Parque, transformando o refugo em matéria expositiva que preserva a memória do seu percurso.
Mais do que um registo documental, um ano no parque é um convite à contemplação do tempo, da Natureza e da memória através da fotografia. As imagens e os textos que dão origem à exposição exploram o silêncio e a subtileza da paisagem, desvendando a beleza imprevisível e efémera que o olhar atento do fotógrafo soube capturar.
A exposição um ano no parque é organizada pela Fundação Serralves — Parque de Serralves, com fotografia de Jorge Sarmento e coordenação de Marta Tavares. A conceção e o desenho expositivo são de Paula Lopes e Ricardo Lopes.
// Sobre Jorge Sarmento 
Jorge Sarmento é antropólogo e fotógrafo documental. O seu trabalho centra-se na observação de fenómenos naturais em contextos ecológicos, etnográficos e culturais distintos, explorando as conexões entre o ser humano e os ecossistemas.
Até 31 de janeiro de 2026 // Celeiro e Lagar da Quinta de Serralves
Fotos: Magda de Carvalho – Fundação de Serralves
Fonte: serralves.imprensa
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