26 mil peças da Viúva Lamego dão vida ao “Bolo de Noiva” de Joana Vasconcelos

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Cerca de 25 mil azulejos e quase 1.300 peças de cerâmica da histórica casa Viúva Lamego constituem o “Bolo de Noiva”, criação de Joana Vasconcelos que é oficialmente inaugurada a 15 de junho pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no âmbito de uma visita ao Reino Unido para celebrar os 650 anos da Aliança Luso-Britânica.

O pavilhão escultural com raízes fixas em Waddesdon Manor, nos arredores de Londres, assume a forma de um bolo de noiva de três andares em tamanho real – contam-se 12 metros de altura, todos eles forrados com 365 metros quadrados de azulejos e estatuário original do espólio da Viúva Lamego, empresa fundada em 1849. Sereias, golfinhos, velas, fontanários, querubins e até um Santo António manualmente produzidos, juntam-se aos muitos azulejos decorativos. Todas as peças foram produzidas manualmente em Portugal e aí montadas para, posteriormente, serem transportadas para Inglaterra.

Para a conceção deste trabalho moroso, que durou cerca de cinco anos até ficar totalmente concluído, a artista portuguesa Joana Vasconcelos fez uma viagem no tempo aos arquivos históricos da Viúva Lamego. Moldes de décadas passadas foram recuperados e muitas peças decorativas de edifícios e de fachadas do começo do século XX renasceram a mando da criatividade. “A Viúva Lamego foi essencial em todo este processo e abriu-nos as portas desde o momento zero. O intenso trabalho de pesquisa ao arquivo histórico da marca resultou na reabilitação de peças que já antes faziam parte do nosso imaginário coletivo e que agora voltam a ter o merecido destaque”, salienta Joana Vasconcelos.

O “Bolo de Noiva”, encomendado pela Fundação Rothschild para a Waddesdon Manor, dá novo fôlego a peças de cerâmica, nomeadamente peças utilitárias e ornamentais que no passado assumiam uma importância de maior: pinhas, esferas e bustos, com uma forte associação à arquitetura do século XX, estão agora aplicadas neste “Bolo de Noiva”. Como o exemplo da peça de cerâmica em relevo com a imagem de uma sereia, utilizada para encimar as entradas principais de edifícios, e que, segundo alguns dos colaboradores mais antigos da fábrica, os respetivos moldes em alto e baixo-relevo terão sido da autoria do escultor Abel Baptista dos Santos (1924-2012).

Para Gonçalo Conceição, CEO da Viúva Lamego, esta nova obra permite reavivar um legado intemporal criado pelas mãos dos artesãos da casa centenária. “Estamos muito contentes por fazer parte desta escultura imersiva, um projeto de grande dedicação da parte da nossa equipa interna em colaboração com a Joana Vasconcelos que vasculhou os nossos arquivos à procura de referências que já não se faziam há muitos anos. É a prova de como a Viúva Lamego permanece atual, sem nunca esquecer o seu passado.”

A obra que a partir de 18 de junho estará aberta ao público é, assim, resultado de uma profunda e imersiva inspiração da Artista Joana Vasconcelos em estreita colaboração com os Artesãos da Viúva Lamego, no melhor exemplo de criatividade e saber fazer.

Fundada em 1849, a marca tem cultivado uma relação especial com artistas e arquitetos de renome nacional e internacional, dos quais Joana Vasconcelos é exemplo – desde 1930 que a Viúva Lamego promove a realização de residências artísticas, também conhecidas como “casulos”, que puseram nomes conhecidos do panorama artístico a trabalhar lado a lado com os artesãos da fábrica que também é um atelier industrial.

Fonte: global-press.com

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