A chegada das vindimas é sempre um momento especial no calendário vitivinícola português. Este ano, a Quinta da Torre prepara-se para mais uma colheita marcada pela dedicação à qualidade e ao respeito pelo terroir. Para conhecer melhor este processo e as expectativas para a vindima de 2026, conversámos com o enólogo Anselmo Mendes, que nos revelou os desafios, cuidados e novidades desta época tão aguardada.
Conheça de perto os segredos desta tradição e descubra como a Quinta da Torre mantém vivo o espírito da vinha, conciliando técnicas modernas e práticas sustentáveis.
Revista Bica – Como tem sido este ano em termos climáticos para as vindimas na Quinta da Torre? Que impacto prevê na qualidade das uvas?
Anselmo Mendes – Houve uma primavera quente, com um mês de junho e julho extremamente quentes que anteciparam a maturação. Em termos de qualidade das uvas, como choveu bastante durante o inverno e a primavera, houve bastante água no solo o que favoreceu a antecipação da vindima. O facto de prevermos não haver chuvas na vindima faz-nos antecipar que teremos qualidade excepcional, já que as uvas estão em bom estado sanitário e com bom equilíbrio de açúcares e acidez. Esperamos apenas pela descida de temperatura nos próximos dias para arrancar com a vindima e assim garantir maior qualidade nas uvas.
O que torna esta vindima de 2026 especial ou diferente face às colheitas anteriores?
2026 vai ser parecido com 2024 que foi uma das melhores colheitas deste século. 2024 foi um ano quente mas não excessivamente e com bastante água no solo. Os vinhos de 2024 têm se revelado ter uma evolução muito positiva e acreditamos que 2026 será parecido.
-Quais são os principais cuidados e preparativos que a equipa da Quinta da Torre tem vindo a fazer antes do início das vindimas?
A nossa equipa, antes da vindima, fez a desfolha de forma a melhorar a qualidade dos cachos e facilitar o trabalho dos vindimadores. Organizamos a vindima de forma a vindimar muito cedo (entre as 6h da manhã e as 13h) de forma a garantir que a vindima é feita a baixas temperaturas e que as uvas chegam à adega a baixas temperaturas. Isto é um fator determinante de qualidade.
-Pode falar-nos um pouco sobre as castas protagonistas desta colheita e o seu potencial para os vinhos que iremos degustar?
A casta protagonista da Quinta da Torre é o Alvarinho, considerando que temos 50ha nesta quinta sendo a maior extensão de vinha de Alvarinho do país.
-A sustentabilidade é cada vez mais importante no vinho. De que modo a Quinta da Torre incorpora essas práticas neste processo?
Na Quinta da Torre seguimos práticas sustentáveis, nomeadamente arrelvamento natural de toda a superfície de vinha, introdução quer de lenha de poda quer de engaços e bagaços no solo de forma a melhorar o teor de matéria orgânica no solo e por sua vez a estrutura e biodiversidade do solo. Não aplicamos herbicidas nem adubos químicos, apenas introdução de matéria orgânica proveniente da vinha devidamente compostada.
-Que desafios têm surgido nestas últimas semanas, enquanto se prepara para as vindimas?
O grande desafio é, para além de controlar os parâmetros de acidez e açúcar na maturação, aguardar mudanças climáticas que permitam ter noites frias para assim melhorar ainda mais a qualidade da uva – saber esperar, portanto.
Poderia partilhar connosco alguma inovação ou projeto especial que esteja a ser desenvolvido na Quinta da Torre para esta vindima?
Vamos fazer uma vindima noturna este ano. Reunimos um grupo de pessoas que nos irão ajudar a vindimar à noite pois acreditamos que vindimando as uvas a temperaturas muito baixas e com taxa de oxidação mínima conseguiremos brancos de ainda maior qualidade. Estamos muito entusiasmados com o resultado desta experiência!
-Qual é o papel da Quinta da Torre dentro da região vitivinícola onde está inserida, e como vê o futuro deste terroir?
A Quinta da Torre é o maior espaço vinhateiro da sub-região de Monção e Melgaço e fica enquadrada num vale onde os vinhos são de excepcional qualidade, conjugando o solo, o clima e as boas praticas culturais. O futuro da Quinta da Torre é o da criação de vinhos com identidade de lugar e que elevam a sub-região Monção e Melgaço para um patamar de excelência. Além disso, é também um local que dá a conhecer a qualidade dos vinhos produzidos na região através do Enoturismo.
-Para finalizar, que conselho daria a jovens enólogos ou amantes do vinho que queiram conhecer melhor esta arte?
Estudar e experimentar!





