A cantora Cremilda Medina, afirmada por muitos como “a voz da morna” na geração de novos artistas cabo-verdianos, continua a apresentar o seu mais recente álbum “Lágrima”, agora numa série especial de Fnac Sessions em Portugal. A artista recebeu recentemente o prémio “Morna do Ano”, nos CVMA (Cabo Verde Music Awards), consolidando, assim, a força e o respeito no mercado da música daquele arquipélago.
Cremilda Medina lançou em abril último o álbum “Lágrima” e agora faz um périplo intimista por alguns espaços para apresentar o trabalho. As próximas datas são a 28 de junho na Fnac Chiado (17h), a 12 de julho na Fnac Cascais (18h) e a 19 de Julho na Fnac Almada (18h), depois de já ter passado pela Fnac NorteShopping (no Porto). Os concertos são de entrada livre e contam com dois virtuosos instrumentistas de cordas: Rolando Semedo, no baixo, e Dany Fonseca, na guitarra clássica e guitarra de 12 cordas.
Lançado a 13 de abril de 2026, “Lágrima” é o terceiro álbum de estúdio de Cremilda Medina e um dos trabalhos mais emotivos da sua carreira. Num registo raro no panorama musical atual, trata-se de um disco exclusivamente de cordas – guitarra clássica, guitarra de 12 cordas, baixo e cavaquinho – profundamente inspirado nas tradicionais serenatas cabo-verdianas.
“Trata-se de um álbum só de cordas, num trabalho totalmente orgânico e sentido, que me inspirou a fazer uma viagem no tempo, regressando às tradicionais serenatas no antigamente”, explica a artista.
A profundidade de “Lágrima”
O álbum nasce de um processo de pesquisa iniciado em 2022, no âmbito de uma candidatura ao Ministério da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, inicialmente pensado para a edição de dois singles. No entanto, a riqueza do material recolhido levou Cremilda a expandir o projeto para um álbum completo, composto por 13 mornas que refletem uma ligação profunda às raízes culturais do arquipélago.
Produzido pelo multi-instrumentista Palinh Vieira, “Lágrima” conta ainda com colaborações de nomes incontornáveis da música cabo-verdiana, como Armando Tito e Kaku Alves. O disco inclui também encontros especiais com Ana Firmino, Maria Alice e Nancy Vieira, em duetos intimistas onde a saudade, a memória e a emoção se tornam protagonistas.
Maioritariamente composto por reinterpretações de clássicos da música de Cabo Verde, com temas de autores como B. Léza e Manuel d’Novas, o álbum inclui igualmente duas canções inéditas assinadas por Miguel Silva e Constantino Cardoso.
Mais do que um disco, “Lágrima” afirma-se como um tributo à herança cultural cabo-verdiana, reafirmando o compromisso de Cremilda Medina com a preservação, valorização e divulgação da morna – género reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO.
Biografia da artista
Natural da ilha de São Vicente, berço também de Cesária Évora, Cremilda Medina é hoje uma das mais respeitadas intérpretes da música tradicional e clássica cabo-verdiana e uma das grandes vozes da morna da nova geração.
Com uma carreira construída entre a tradição e a contemporaneidade, a artista editou anteriormente os álbuns “Folclore” e “Nova Aurora”, consolidando-se como uma referência na preservação da identidade musical cabo-verdiana.
Ao longo de mais de uma década de percurso artístico, Cremilda tem passado por diversos palcos internacionais, incluindo o Festival Metis, em França, a Philharmonie, no Luxemburgo, e a Fundação Gulbenkian, em Lisboa, além de atuações em vários países da Europa e América.
Reconhecida pela suavidade e emoção da sua voz, venceu por duas vezes os International Portuguese Music Awards (EUA), na categoria Best World Music, e continua a afirmar-se como uma das mais autênticas embaixadoras da música cabo-verdiana no mundo.
Em maio de 2026 recebeu o prémio CVMA “Morna do Ano”, pelo tema “Amizade”: single de antecipação ao álbum “Lágrima”. Esteve igualmente nomeada para “Artista Feminina do Ano”.
Fonte: hausdown.com


