No sábado, 27 de junho, realiza-se o primeiro de três debates públicos que antecedem a exposição ‘Manobras de Aproximação’, com curadoria de Francisco Moura Veiga, que inaugura no Polo Cultural da Trienal de Arquitectura de Lisboa, no Palácio Sinel de Cordes, a 05 de novembro. Esta iniciativa reúne duas gerações de arquitetos portugueses — nascidos nas décadas de 1960 e 1980/90 — num diálogo único sobre os valores por detrás do conceito de uma “boa casa”, ao longo das gerações.
No centro destas conversas está o formato de debate ‘turncoat’ (vira-casacas) onde cada participante apresenta e discute um projeto desenhado por um colega de outra geração. Esta abordagem pretende desafiar preconceitos e promover um intercâmbio construtivo de ideias, referências e modos de habitar.
“A série de debates é um elemento chave na construção da moldura conceptual da exposição ‘Manobras de Aproximação’, que investiga os valores de uma ainda nova geração de arquitetos portugueses e de como estes foram influenciados pela geração anterior durante os seus anos formativos. Basicamente, ao apresentar-se uma posição externa, abre-se a porta a uma atitude crítica construtiva que permite fazer avançar os limites do conhecimento”, referiu Francisco Moura Veiga.
A partir deste enquadramento, a exposição vai desencadear uma avaliação da evolução do conceito de “casa” da geração dos anos 2000 à atual geração, e uma reflexão sobre a interpretação social do que era uma “boa casa” há 20 anos e do que é atualmente.
O primeiro debate, que decorre no dia 27 de junho, às 12h00, no Palácio Sinel de Cordes, vai contar com a presença da arquiteta Inês Lobo, que apresentará a Casa Silvosa, de Nuno Melo Sousa; e do arquiteto Nuno Reis Pereira, que apresentará a Casa na Trafaria, de José Adrião.
Este formato repete-se em duas tardes de julho, com novas duplas de arquitetos e projetos: dia 11, sábado, às 12h00, Paula Santos (Gardeners House, do atelier Cabinet) e Soraia Fernandes (Casa em Ofir, de Cristina Guerra e José Fernando Gonçalves); e dia 23, quinta-feira, às 18h30, Manuel Aires Mateus (Casa de Férias, do Atelier da Costa) e Rui Filipe Pinto (Casa Santa Isabel, de Ricardo Bak Gordon).
Em paralelo aos debates públicos, dezasseis ateliers emergentes foram convidados a desenvolver projetos otimistas face aos desafios atuais — instabilidade ambiental, transformação social e escassez de materiais. Estes trabalhos serão parte integrante da exposição de novembro, oferecendo uma visão sobre como a arquitetura pode adaptar-se, inovar e inspirar em tempos de incerteza.
Informação sobre o ciclo de debates:
27 de junho, 12h00 – Inês Lobo & Nuno Reis Pereira
11 de julho, 12h00 – Paula Santos & Soraia Fernandes
23 de julho, 18h30 – Manuel Aires Mateus & Rui Filipe Pinto
Local Palácio Sinel de Cordes, Campo de Santa Clara, 144, Lisboa
Entrada Gratuita
Inauguração da exposição ‘Manobras de Aproximação: casas otimistas para o agora’ 05 de novembro de 2026
Curadoria Francisco Moura Veiga
Ateliers participantes Atelier da Costa, Atelier JQTS, Atelier Tiago Antero, Banga, Cabinet, Conde Paradela, Cossement Cardoso, Experimental, Girão Lima, Nuno Melo Sousa, Nuno Reis Pereira, Patrícia da Silva, Ponto Atelier, Pura, Sotnas Studio, Studiolo
Manobras de Aproximação: casas otimistas para o agora
A exposição ‘Manobras de Aproximação’ reúne uma nova geração de arquitetos, entre os 35 e os 40 anos, em torno de um exercício comum: o projeto de uma casa do agora. Num contexto marcado por instabilidade ambiental, transformação social e escassez material, a exposição propõe a casa como campo crítico para observar como se projeta hoje e, sobretudo, a partir de que valores se escolhe projetar. Mais do que apresentar soluções, a exposição revela formas de pensar a casa como construção cultural, social e material, tornando visíveis os critérios e valores que informam o projeto de arquitetura hoje, em Portugal.
Francisco Moura Veiga – biografia
Francisco Moura Veiga é arquiteto, investigador e curador, fundador dos ateliers de investigação prática CAL Architecture (Portugal) e A Forschung (Suíça) e das plataformas editoriais Publishing in Architecture e CARTHA Magazine. Ao longo de mais de uma década, integrou a direção editorial da CARTHA, com a qual curou e produziu publicações, exposições e instalações apresentadas em eventos internacionais como a Bienal de Arquitetura de Veneza e a Trienal de Lisboa. É também criador dos podcasts “When Socrates Was an Architect” e “DISCORD”, dedicados à pedagogia e à crítica arquitetónica. Trabalhou como arquiteto em Basileia entre 2008 e 2018, colaborando com ateliers como Christ & Gantenbein e Burckhardt+Partner. Desde 2018, integra a cadeira VOLUPTAS no ETH Zürich, onde é responsável por publicações e pela investigação sobre pedagogia de arquitetura e a relação entre jogo, ludicidade e arquitetura. Foi editor-chefe da revista Territories of Play Magazine. É doutorando no D-ARCH ETH Zürich e membro do Joint Doctoral Program in the Learning Sciences (ETHZ/EPFL), desenvolvendo investigação sobre pedagogia crítica em arquitetura. Lecionou projeto no ISCTE no semestre de outono de 2025, em Lisboa, com o seu The Good Life Research Studio, e, na EPF Lausanne, o seminário EdX University of the Future.
Sobre a Trienal de Arquitectura de Lisboa:
A Trienal de Arquitectura de Lisboa é uma associação sem fins lucrativos dedicada a promover a investigação espacial, fomentar o discurso arquitetónico e catalisar a mudança. A cada três anos, realiza um importante fórum internacional para a reflexão, debate e divulgação da arquitetura que atravessa fronteiras geográficas e disciplinares.
As edições anteriores incluíram diversas exposições, projetos independentes, instalações urbanas, performances e conferências em alguns dos espaços culturais mais relevantes da capital portuguesa, três prémios – Carreira, Début e Universidades –, dezenas de atividades, e coleções de livros que aprofundam os temas abordados em cada uma das edições.
Ao longo das últimas duas décadas, construiu um atlas diversificado, reunindo profissionais, decisores políticos, investigadores, universidades, instituições culturais e um vasto público internacional. Reinventando-se em cada edição, a sua principal constante é servir como uma plataforma coletiva mutável para explorar os desafios arquitetónicos contemporâneos

Fonte: Assessoria de Imprensa — Trienal de Lisboa



