The Day After

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Sim ou sim vai sempre haver um Day After.

Estamos todos trancados em casa para dar ao SNS o tempo que nos pediram. Somos ordeiros. Somos bons! Espero que quem esteja a pensar ir passar a Páscoa à terrinha reconsidere a possibilidade de se converter num serial killer dos idosos que , felizmente, estão lá longe dos focos de contágio, esquecidos anos a fio lá na aldeia no fundo do horizonte. Neste momento é bom que nem a Google se lembre desses! Depois, é bom que repensemos as nossas relações familiares, cuidados aos idosos, abandono dos mesmos, etc…

Mas vai haver um Day After após esta quarentena, estado de emergência, estado de calamidade ou o que se vier a chamar. Um dia vamos todos voltar a sair à rua, como já acontece na China. Ora eu não sou epidemiologista. Sou físico e mais ou menos apenso a desenhar estratégias, e portanto se existe algo em que eu posso contribuir para o que quer que seja…vou manifestar aquilo que seria a minha estratégia para o dia seguinte já que a mesma tem que ser desenhada já!

Alguém comentou no meu texto anterior dizendo que eu defendia a teoria do desenrascanço típica dos portugueses. Não, os Portugueses já não são desenrascados. Isso era quando não tinham a formação que têm hoje o que os obrigava a juntar variáveis empíricas em vez de científicas para estabelecer soluções práticas para colmatar o conhecimento que não tinham. Hoje os portugueses têm formação que aliada ao espírito não convencional de juntar variáveis (chamo-lhe criativo) nomeadamente em momentos de necessidades, os transformam em máquinas de soluções, de otimização de recursos, de multiplicação dos pães.

Voltemos à estratégia de um não epidemiologista:

Sabemos que este vírus é particularmente mortal para a franja da população acima dos 70 anos

Sabemos que também é particularmente grave para doentes de diversas patologias

E temos que estar cientes de que o vírus não vai desaparecer enquanto não acontecer uma de duas coisas:

Ou já não há ninguém infetado no mundo, ou já todos conquistámos “imunidade de grupo” perante o vírus!

 

Entram então em campo os mais novos como potencial escudo dos mais velhos. O Boris tinha razão no plano desenhado para o UK! Deixa rolar e quando todos estiverem infetados, o vírus pode passear-se no país sem que isso cause transtornos! O que ele não considerou foi o numero de mortos que iria haver antes disso acontecer. Ora se estamos todos em isolamento e se esse é o instante zero quando controlarmos a proliferação do vírus, retirar todos de “quarentena” como fez a China parece-me no mínimo insensato.

Se queremos salvaguardar os mais idosos e os doentes e ao mesmo tempo é impreterível termos alguns níveis de Imunidade de Grupo, então o que o meu pensamento estratégico faria era fazer uma retirada de isolamento faseada baseada nos grupos de risco, sustentada por pareceres e dados técnicos, mas algo sempre do género do que explico na tabela:

 

 

O levantamento do isolamento parcial não só o permite fazer mais cedo, com ganhos óbvios para a economia, como permite a tal obtenção da imunidade de grupo necessária para evitar novas levas da doença. Com isto, o SNS fica também mais aliviado nos casos, já que os casos mais graves tendem a acontecer em idades mais avançadas.

Digamos que com esta estratégia estamos a lançar para a frente os mais robustos sempre antes de lançar os restantes. O que não podemos correr, é o risco de de um dia para o outro enviar todos para as ruas e voltarmos a ter um surto ainda maior do que o que temos. É que se Portugal se está a portar brilhantemente no que diz respeito aos contágios, também é verdade que quanto menos contágios tivermos, mais vulneráveis estamos a novas levas.

 

Enquanto escrevo este artigo, Trump acabou de anunciar que pretende levantar completamente as normas de isolamento urgentemente…

 

Por Bernardo Mota Veiga

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