Talking Skins – O Blog que está a dar que falar

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Mário de Carvalho M. estreou-se no mundo da moda aos 13 anos e formou-se em teatro. Actualmente estuda jornalismo. Diz-se um rapaz das artes e da comunicação. Hoje, com 21 anos, é editor do blog Talking Skins já com mais de meio milhão de visualizações. Este jovem multifacetado falou à Bica sobre o seu percurso profissional e sobre o sucesso do seu blog.

Bica: Olá Mário. Fala-nos um pouco do teu percurso antes do Talking Skins.

Mário de Carvalho M: Comecei a trabalhar em moda com treze anos. Dei rosto a algumas marcas, e fiz alguns trabalhos publicitários. Depois, estudei teatro durante três anos e no último ano percebi que estava completamente insatisfeito com aquilo que estava a estudar; percebi que não queria ser actor porque não me apetecia sentir as coisas na pele de terceiros. Não porque as sinta de uma forma muito peculiar, acho apenas que não estou predisposto a sentir coisas com outro nome que não o de Mário. É tão melhor sentir as coisas por mim!

Bica: Tendo chegado a essa conclusão, arrependes-te de ter estudado teatro?

MCM: Não me arrependo de ter estudado teatro, de todo! Ao contrário daquilo que se possa pensar o teatro vive de mãos dadas com a cultura e é impossível estudar e falar de teatro sem falarmos de cultura e foram três anos onde recebi conhecimento por parte de grande nomes com quem tive o prazer de ter sido aluno. Não me arrependo nada!

Bica: Trouxeste contigo algo do teatro ou deixaste tudo para trás?

MCM: Eu tenho uma grande barreira – e sei que a tenho – para chegar aos outros, talvez porque não tenho a cara mais simpática do mundo ou por nem sempre estar disposto a sorrir, mas de facto eu gosto muito de comunicar. Ou seja, ganhei o gosto pela comunicação e acho que posso dizer que desempenho bem o papel de comunicador.

Bica: O que te moveu a criar o Talking Skins?

MCM: Foi no último ano da escola de teatro que, como já disse, descobrir estava perfeitamente insatisfeito com o que tinha andado a estudar. Sabia que queria continuar ligado à comunicação e escolhi fazer o curso de jornalismo na ETIC; na altura vi que o terceiro ano desse curso seria feito no estrangeiro e que a maior parte das universidade me exigiam um portfólio. O Talking Skins nasce para ser o meu portfólio e não era um projecto pretensioso. Era aquilo. Nasceu para ser aquilo! Hoje em dia é tudo menos isso (risos).

Bica: Para quem não conhece, explica o que é o Talking Sins.

MCM: O Talking Skins agora vai consistir em mais coisas, vêm aí novidades, mas não posso contar para já (risos). O TS consiste em entrevistas a figuras ligadas ao meio artístico, que é o meio que eu mais gosto – se calhar por estar inserido nele há alguns anos – sobre a perspectiva dessas pessoas em relação à palavra imagem, que é outra paixão que eu tenho.

Bica: Fala-nos dessa tua paixão pela imagem. O que é que é para ti a imagem?

MCM: Para mim a imagem é a forma como nós absorvemos o mundo. E acho que a forma como cada um absorve o mundo é ilustrativo da pessoa que somos. Aquilo que gostamos de receber do mundo, aquilo que gostamos de partilhar com o mundo… Claro que esta é só a minha perspectiva da imagem. Ah! E para mim a verdadeira imagem é aquela que tem conteúdo, uma imagem que é apenas uma embalagem para mim é tudo menos interessante.

Bica: O TS é a tentativa de desmistificar a ideia de que a imagem é algo meramente superficial?

MCM: Eu quero acreditar que sim, sobretudo porque as pessoas que entrevisto estão relacionadas a um meio que para muitos não passa da imagem. Em miúdo, na escola, sempre fui o diferente, o estranho e sempre senti necessidade, não para me justificar aos outros, mas a mim mesmo, de ter a minha essência em conformidade com a minha imagem. Ou seja, se a minha imagem era tão estruturada então o meu interior também tinha de o ser.

Bica: O TS celebrou recentemente um ano. Em retrospectiva, que análise fazes deste primeiro ano?

MCM: Faço uma análise muito, muito positiva! Eu sei que é mais fácil lançar um projecto destes sendo uma figura pública, eu não o era, e ao inicio foi muito complicado. Como ninguém sabia quem eu era e não sabiam do que se tratava, ouvi muitos nãos e vi muitas portas fecharem-se, mas felizmente hoje em dia oiço mais sins do que nãos. Há pessoas que querem ser entrevistadas, há representantes de agências que dizem: “Fazia bem à tua imagem seres entrevistado para o Talking Sinks”, e é bom sentir essa confiança por parte das pessoas. Uma coisa que nasceu para ser para mim hoje em dia é muito mais dos outros do que meu.

Bica: Quais são os sonhos e ambições para o Talking Skins?

MCM: Eu não sei muito bem quando é que esta entrevista vai sair, por isso não vou revelar o que aí vem, mas posso dizer que vai nascer um novo sector em parceria com o Santiago Romero e com a ajuda da cantora Romana. Se eu espero mais do que isso? Espero que as pessoas continuem a confiar e a gostar do nosso trabalho. Perguntam-me muito porque que não faço vídeo. Não está fora de causa o TS vir a ter vídeo mas se há coisa que me dá prazer é redigir as entrevistas por uma razão muito simples; é a forma de eu, em parceria com aquela pessoa, podermos contar a sua história.

Bica: O TS tem como premissa a imagem e já teve um sector apenas de moda. Queres-nos falar um pouco sobre ele?

MCM: Sim, esse sector já não existe mas todos os conteúdos que estavam lá inseridos passaram para o “By me” que por sua vez é uma secção minha, onde gosto de partilhar o que me apetece, sem grandes quês nem porquês com quem lê.

Bica: Sendo tu um homem das artes, como é que essa paixão pela cultura se transporta para a tua plataforma?

MCM: Pelas pessoas que entrevisto. A nossa cultura é espelhada por imagens e de facto eu escolho pessoas ligadas à cultura para entrevistar e pergunto-lhes o que para elas a palavra imagem quer dizer.
Não sei muito bem responder a isso (pensa) o que posso dizer é que a imagem não vive sem cultura e a cultura não vive sem a imagem nem sem os seus intervenientes, portanto, eu dou voz aos intervenientes da cultura para me falarem sobre a imagem.

Bica: O Talking Skins acaba então por se tornar numa plataforma cultural através dos diferentes intervenientes de diversas áreas?

MCM: Nunca tinha pensado dessa forma, mas sim! Gosto de pensar que o TS é visto assim. Não sei de que forma quero que isto cresça mas vou sempre escutar quem me lê. Espero que continue a crescer de forma orgânica. Afinal de contas as coisas só são válidas quando vêm de dentro.

 

www.talkingskins.com

Por: Isaura Riethmuller

Fotografia: João Santos

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