SONICA EKRANO

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O Cinema Documental e as Músicas das Margens de regresso ao Barreiro

Segunda edição do SONICA EKRANO apresenta uma estreia mundial e vários filmes pela primeira vez em Portugal

A OUT.RA – Associação Cultural (reconhecida enquanto organizadora do OUT.FEST – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro, que há dias completou a sua 18ª edição) anuncia a 2ª edição do festival SONICA EKRANO – Cinema Documental e as Músicas das Margens, a acontecer entre os dias 21 e 29 de Outubro, no Barreiro.

Esta segunda edição apresenta 15 filmes, com quase metade a ser exibidos pela primeira vez no país – destaque para a estreia mundial de “Na Corda Bamba”, novo filme do realizador Luís Fernandes, que retrata a comunidade de música experimental em Portugal, ou para “Universe”, documentário que aborda uma série de composições escritas por Wayne Shorter para o lendário Miles Davis, que durante décadas permaneceram por estrear. Do restante programa, menção ainda para filmes que retratam artistas como Lydia Lunch, Fela KutiPoly StyreneTangerine Dream ou Telectu, entre outros.

O festival é dedicado a músicas, músicos, sons e movimentos nas margens da massificação e da popularidade, e pretende assegurar a existência de um espaço de oportunidade para assistir a obras cinematográficas às quais – mesmo na era das plataformas digitais – o acesso é limitado, num contributo mais em prol da inclusão audiovisual, atentando à diversidade geográfica e ao equilíbrio entre perspectivas históricas e narrativas contemporâneas.

O nome SONICA EKRANO, escrito em esperanto (significando, em português, “Tela de Som”), procura reflectir a música e o cinema enquanto “linguagens universais”, homenageando simultaneamente a forte tradição esperantista na margem sul do Tejo.

As sessões dividem-se entre os cinemas Castello Lopes do Fórum Barreiro, o Cineclube local, a Biblioteca Municipal e o Auditório Municipal Augusto Cabrita. O preço do bilhete para cada sessão é de 2,50€, estando também disponível, em quantidade limitada, um passe que garante acesso a todos os filmes por apenas 10€. O programa completo pode ser consultado em www.sonicaekrano.com e o festival pode ser acompanhado nas redes sociais em facebook.com/sonicaekrano e instagram.com/sonicaekrano.

O festival é uma realização da OUT.RA – Associação Cultural, com o apoio do Município do Barreiro.

 

PROGRAMA

21 outubro
21h30
Cinemas Castello Lopes Fórum Barreiro

NA CORDA BAMBA
de: Luís Fernandes
2022 | Portugal | 85′ língua: português
sem legendas
[estreia mundial]
[com a presença do realizador]

#música improvisada #música experimental #portugal

Após a estreia com “In the Moment”, focado na improvisação enquanto género musical mas, sobretudo, enquanto ética e prática de individualidade artística, o realizador Luís Fernandes retorna com este novo “Na Corda Bamba”, um documentário que se estende aos mais diversos processos de experimentação sonora no Portugal contemporâneo e aos músicos “visionários” que pelo país nos vão permitindo redefinir o nosso entendimento da música e do Som através da sua busca incessante pelo novo, o imprevisível e o inimaginável. Com diversas imagens recolhidas em concertos programados pela OUT.RA e por tantas das associações e espaços congéneres no país, “Na Corda Bamba” é também uma homenagem aos milagres do som e aos múltiplos esforços do tecido artístico português. É uma honra acolher a estreia mundial deste filme.

 

22 outubro
16h00
Cineclube do Barreiro

A PUNK DAYDREAM
de: Jimmy Hendrickx & Kristian Van der Heyden
2019 | Bélgica | 65′
língua: indonésio
legendado em inglês
[estreia nacional]

#música punk #Indonésia #sociedade

Uma visão pungente da maior comunidade punk muçulmana do planeta – em Jakarta, na Indonésia -, seguindo um grupo de adolescentes e observando a sua posição face aos ambientes sociais, ambientais e políticos extremos em que procuram viver, um dia de cada vez. Um filme cativante e comovente, que revela as profundas camadas de complexidade e de preconceito que vão sobrevivendo e em simultâneo vão sendo combatidas em nome de tradições que já ninguém sabe muito bem porque sustentar.

22 outubro
17h30
Cineclube do Barreiro

VOICE: Sculpting sound with Maja Ratkje
de: Ingo J. Biermann
2015 | Alemanha / Noruega | 93′ língua: inglês / norueguês
legendado em inglês
[estreia nacional]

#jazz #improvisação #voz #género

Retrato íntimo da compositora e performer norueguesa Maja S. K. Ratkje, artista e cantora singular, numa viagem de exploração do som e da natureza da voz humana em todas as suas múltiplas e inimagináveis capacidades. O documentário do alemão IJ Biermann é também a história de uma mulher que fala abertamente sobre a sua necessidade criativa, a sua decisão consciente de trabalhar do lado de fora do mainstream e a forma como consegue equilibrar a vida artística com a familiar.

 

22 outubro
21h30
Cinemas Castello Lopes Fórum Barreiro

MY FRIEND FELA
de: Joel Zito Araújo
2019 | Brasil | 95’
língua: inglês / francês
legendado em português do Brasil

#afrobeat #África #sociedade

“O Meu Amigo Fela”, realizado pelo brasileiro Joel Zito Araújo, oferece uma nova perspectiva sobre o lendário e genial Fela Kuti, contrariando a visão simplista do “ídolo africano excêntrico” tantas vezes cultivada. A complexa vida do músico é narrada através do olhar e das conversas com o seu amigo próximo, e biógrafo oficial, o cubano Carlos Moore, num documentário que revela as múltiplas influências e forças que moldaram a extraordinária vida de Fela: da sua relação com a mãe às muitas e problemáticas relações amorosas, dos laços com o seu conselheiro espiritual aos diversos e prolíficos encontros com figuras afro-americanas de relevo, e claro, da perseguição política de que foi permanentemente alvo.

23 outubro
16h00
Cineclube do Barreiro

BORBETOMAGUS: A Pollock of Sound

de: Jef Mertens
2016 | Bélgica | 63’ língua: inglês
sem legendas
[estreia nacional]

#música noise #música experimental

Documentário realizado pelo belga Jef Mertens que conta a história de uma das mais lendárias formações dos últimos 40 anos – os norte-americanos Borbetomagus, cuja música crua, urgente e rugosa tem vindo a definir e a redefinir as fronteiras da própria Música. Don Dietrich, Donald Miller e Jim Sauter, membros da banda, contam a sua história com a ajuda de artistas, escritores, fotógrafos e realizadores num leque que inclui notáveis como o crítico Byron Coley, o baterista Chris Corsano, o guitarrista Thurston Moore ou o igualmente lendário e longevo grupo japonês Hijokaidan.

23 outubro
17h30
Cineclube do Barreiro

ANONYMOUS CLUB
de: Danny Cohen
2021 | Austrália | 82’ língua: inglês
legendado em inglês

#Courtney Barnett #tournée #depressão

Documentário de Danny Cohen, que é há muitos anos um dos responsáveis pelos evocativos e premiados videoclips da cantautora australiana Courtney Barnett. Cohen acompanhou Barnett ao longo de três anos, através de tournées europeias, americanas e asiáticas e na própria casa da artista, em Melbourne. Famosamente tímida e reservada, Barnett construiu, ao longo desse período, um diário áudio que vai servindo de narração, repleto de reflexões sobre os conflitos internos da artista – ligados à sua auto-imagem, à autoconfiança, às pressões do sucesso e, muitas das vezes, à simples luta para acordar em paz para mais um dia.

 

23 outubro
21h30
Biblioteca Municipal do Barreiro

POLY STYRENE: I am a cliché
de: Celeste Bell & Paul Sng
2021 | Reino Unido | 96’
língua: inglês
legendado em inglês

#X-Ray Spex #música punk #racismo #género #saúde mental

Poly Styrene foi a primeira mulher negra, no Reino Unido, a liderar uma banda rock amplamente conhecida. Trouxe, com a sua voz pouco convencional, palavras de revolta que falavam de identidade, consumismo, pós-modernismo e de todas as transformações que ia testemunhando nas ilhas britânicas na convulsão do final da década de 70. Enquanto vocalista e principal compositora dos X-Ray Spex, a artista anglo-somali inspirou de forma indelével movimentos como o riot grrrl ou o afropunk. A história de Poly Styrene é, também, e no entanto, mais do que a forte pegada cultural que deixou para trás: tendo ficado como a involuntária guardiã da sua memória, a sua filha Celeste Bell recorda, neste filme, as dificuldades que assombraram a sua vida familiar, feitas de histórias de misoginia, racismo e saúde mental, através de imagens de arquivo inéditas e entradas do diário de Poly – não só o ícone cultural, mas também a mãe, filha, e pessoa.

24 outubro
21h00
Biblioteca Municipal do Barreiro

MY LIFE IS A GUNSHOT
de: Marcel Derek Ramsay
2020 | Suíça | 90′
língua: inglês / alemão
legendado em inglês
[estreia nacional]

#música noise #música experimental #saúde mental #família

O músico noise suíço Joke Lanz (mais conhecido como Sudden Infant) tem uma base de fãs leal, construída ao longo de três décadas de discos e atuações ao vivo, muitas vezes exigentes para o estômago e sensibilidade comuns – não é raro o sangue fazer parte dos espetáculos. Para a grande maioria, a sua música não é, afinal, mais do que um barulho insuportável. Mas que personalidade se esconde por detrás desta arte? Este filme revela um artista sensível, assombrado por um trauma de décadas: a visão involuntária, aos 13 anos, do suicídio do seu pai. Desde então, a vida de Joke é uma forma de lidar com este acontecimento, ao mesmo tempo que navega pelo seu próprio papel de pai.

25 outubro
21h00
Biblioteca Municipal do Barreiro

OTHER, LIKE ME: The oral history of Coum Transmissions and Throbbing Gristle
de: Marcus Werner Hed & Dan Fox
2020 | Reino Unido | 80’
língua: inglês

#música industrial #género

Hull, Inglaterra, 1970. Numa casa ocupada desta cidade portuária, um grupo nas franjas da sociedade, de classe operária e autodidata, adopta novas identidades e inicia um movimento de teatro de rua sob o nome COUM Transmissions. As suas performances lúdicas rapidamente dão lugar a um trabalho explícito à volta de temas como o sexo, a pornografia e a violência. Na iminência de uma carreira de sucesso no mundo da arte, o núcleo de Genesis Breyer P-Orridge e Cosey Fanni Tutti volta-se para a música, e, com o nome Throbbing Gristle, desafia todas as regras conhecidas de criação e performance sonora e “inventa” todo um género musical – a música industrial. “Other, Like Me” é o primeiro documentário sobre os Throbbing Gristle e as COUM Transmissions, fazendo uso do rico e diversificado arquivo de imagens e vídeos do grupo e de entrevistas com vários dos seus membros, incluindo Genesis e Cosey. Uma história de criatividade e sobrevivência contra tudo e contra todos, e de uma fusão total entre a arte e a vida, independentemente do custo.

26 outubro
21h00
Biblioteca Municipal do Barreiro

REVOLUTION OF SOUND: Tangerine Dream
de: Margarete Kreuzer

2017 | Alemanha | 85’
língua: alemão
legendado em inglês

#música electrónica

Edgar Froese, líder da banda Tangerine Dream e pioneiro da música electrónica, dedicou a sua vida à missão de encontrar o som perfeito. A sua busca incessante levou-o e a seus companheiros ao sucesso mundial – tão longe quanto Hollywood. Após a sua morte em 2015, Froese deixa para trás um legado de quase cinco décadas de história da música. Este documentário mostra-nos um autêntico filão de imagens inéditas, muitas delas filmadas pelo próprio Froese: dos palcos e camarins europeus e mundiais até lugares paradisíacos junto ao mar e ao seu estúdio privado. Entrevistas com a sua mulher Bianca Froese-Acquaye, membros da banda e outros pioneiros sonoros mapeiam a história única desta banda inigualável.

27 outubro
21h00
Biblioteca Municipal do Barreiro

UNIVERSE
de: Nick Capezzera & Sam Osborn
2020 | EUA | 77’
língua: inglês
legendado em inglês

[estreia nacional]

#jazz #história #Miles Davis #Wallace Roney

No pico de forma e sucesso do quinteto de Miles Davis, em 1966, Wayne Shorter escreveu uma suite de canções orquestrais intitulada “The Universe Compositions”. Escritas para uma orquestra de 24 instrumentos, as composições eram ambiciosas e imensas, partilhando o chamamento do rock psicadélico e do cool jazz com o rigor da música clássica. No entanto, exactamente após se iniciarem os ensaios que levariam à gravação desta música, o quinteto de Miles separa-se e as composições desaparecem. Pouco antes da sua morte, em 1991, Miles pede a Wayne Shorter que “encontre a música”; cinco décadas após o seu desaparecimento, as “Universe Compositions” são recuperadas por Wallace Roney, um protegido de Miles, e são finalmente ouvidas em público. A história de Wallace Roney e destas composições é uma história de elos perdidos. “Universe” é uma obra que poderia ter feito a ponte entre duas eras do jazz, e talvez a obra-prima que Miles deixou por gravar. Para Roney, a ponte entre aprendiz e mestre, mas também um legado encurtado pela sua morte, no início da pandemia, antes mesmo de testemunhar a reação do mundo a esta música.

28 outubro
21h30
Auditório Municipal Augusto Cabrita

LYDIA LUNCH: The war is never over
de: Beth B
2019 | EUA | 78’ língua: inglês legendado em inglês

#avant-garde #género #

Primeiro documentário sobre a longa carreira de Lydia Lunch, figura confrontacional e inseparável do meio artístico nova-iorquino na viragem da década de 1970. Enquanto proeminente ícone da cena no-wave, Lunch partiu para uma carreira de décadas na música e na spoken word focada no direito absoluto de qualquer mulher fazer exatamente tudo o que lhe der na real gana, tão intensamente como qualquer homem – assunto obviamente ainda por resolver, várias décadas depois. Este filme, realizado pela norte-americana Beth B com o envolvimento da própria Lunch, mostra-nos o trabalho da artista à luz das várias questões que a têm, ao longo dos anos, permitido reinventar continuamente as expectativas e significados de se ser uma performer e forjar um vocabulário de rara honestidade emocional e humor filosófico.

29 outubro
16h00
Cineclube do Barreiro

KHAMSIN
de: Grégoire Couvert & Grégoire Orio
2020 | Líbano / França | 64’
língua: inglês / francês / árabe legendado em inglês
[estreia nacional]

#Líbano #sociedade #guerra

Líbano, 2020. Os traços pesados do passado e da guerra civil estão ainda vivos. A corrupção é insustentável. Um grupo de músicos dos mais diversos backgrounds pega nos seus instrumentos e faz ressoar ecos do passado e presente. Khamsin é uma colaboração entre a banda experimental francesa Oiseaux-Tempête e diversos músicos da cena experimental de Beirute. Mais do que um simples documento de um encontro musical, este filme é uma reflexão sobre as dinâmicas de criação entre os contextos humanos e políticos, e um encontro entre a história colectiva e uma pluralidade de jornadas pessoais.

29 outubro
17h30
Cineclube do Barreiro

A WANDERING PATH: The story of Gilead Media
de: Michael Dimmitt
2022 | EUA | 105’ língua: inglês legendado em inglês

#metal extremo #editora #comunidade

Adam Bartlett fundou a editora Gilead Media em 2005. Tendo começado por, como em tantos casos, editar a sua própria banda e projetos de amigos, no espaço de pouco mais de uma década afirmou-se como um dos grandes dínamos da florescente cena de metal extremo norte-americana da atualidade, ao lado, por exemplo, da 20 Buck Spin, com a qual organiza, de dois em dois anos, o Migration Fest, festival que reúne fãs de todo o mundo e fomenta a partilha de fortes laços entre público e artistas. Através de imagens de concertos, entrevistas e momentos de descontração, conhecemos vários dos artistas ligados à editora, e descobrimos como compõem e atuam como forma de lidar com problemas como a fé, a depressão, o abuso ou o luto. Com nomes como Panopticon, Thou, Emma Ruth Rundle, Krallice, Inter Arma, Neurosis, Enslaved, Blood Incantation ou Wiegedood.

29 outubro
21h30
Auditório Municipal Augusto Cabrita

SONOSFERA TELECTU
de: Vasco Bação, Ilda de Castro, Carlos Mendes, Vítor Rua
2022 | Portugal | 115’
língua: português
Legendado em inglês
[com a presença dos realizadores]

#música experimental #Portugal

Sinónimo de vanguarda na música portuguesa desde a década de 80, o duo de Vítor Rua e Jorge Lima Barreto é neste documentário apresentado na sua vida pela estrada, em viagens pelo mundo fora, ao longo dos anos 80, 90 e 2000. A arquitectura do filme é o resultado da curadoria de um vasto arquivo de imagens, até agora conhecido por apenas um pequeno grupo de amigos, a partir da qual os atuais Telectu, Rua e Ilda Castro, em conjunto com Vasco Bação e Carlos Mendes (que já tinham assinado “Ama Romanta: Uma Utopia que Fazia Filmes”) elaboraram a sua estrutura operática. Um filme que fazia muita falta no panorama nacional.

 

Fonte: speak.pt

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