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SÍTIO BY INÊS BEJA: UMA GEOGRAFIA COMESTÍVEL QUE INSCREVE SANTAR NO MAPA DA GASTRONOMIA PORTUGUESA

No coração de Santar – Santar Vila Jardim, no concelho de Nelas, entre a Serra da Estrela e a Serra do Caramulo – nasce o SÍTIO Santar, um novo espaço gastronómico que convida à partilha, à contemplação e à descoberta dos sabores da região. Situado no Valverde Santar Hotel & Spa, membro da Relais & Châteaux, em edifício distinto com entrada independente, o restaurante afirma-se como um destino gastronómico por mérito próprio. Sob a direção da Chef Inês Beja, o SÍTIO Santar propõe uma leitura contemporânea da cozinha portuguesa, sensível e profundamente ligada ao território do Dão.

CONCEITO – O DÃO COMO IDENTIDADE GASTRONÓMICA

Assente numa abordagem profundamente enraizada na identidade da região do Dão, o conceito do SÍTIO Santar parte das receitas da herança culinária portuguesa para construir uma cozinha de proximidade, sazonal e intuitiva. O princípio “da horta para a mesa” é um dos pilares estruturantes do projeto: em fase de crescimento, a horta do restaurante cultiva alfaces, cebolas, pimentos, beterraba e aromáticas, complementada pelo fornecimento de produtos biológicos da Quinta da Azenha, em Viseu. Ingredientes locais, produtores da região e uma execução cuidada, simples e criativa dão forma a uma experiência onde gastronomia, paisagem e hospitalidade se cruzam de forma natural e equilibrada.

Mais do que um restaurante, o SÍTIO Santar propõe uma experiência sensorial onde a terra assume um papel central, refletida nos sabores, nas texturas e na apresentação de cada prato. A simplicidade transforma-se em sofisticação e cada detalhe é pensado para criar uma ligação autêntica ao ambiente envolvente.

O menu, criado por Inês Beja, destaca produtos e sabores identitários da região, como enchidos tradicionais, cabrito assado a baixa temperatura, peixes de rio, cogumelos silvestres, legumes da época, azeites locais e vinhos do Dão, sempre com uma abordagem contemporânea e delicada. A cozinha é de partilha à mesa – “como se fosse em nossas casas” – com propostas que a chef define como “uma cozinha das lembranças da infância”. Entre as sugestões de eleição figuram o arroz de pato no forno, o coelho à Mirra, a trouxa de couve com migas e caldo de coentros, os pastéis de massa tenra com vitela de Lafões desfiada e o pão de fermentação natural feito com massa de uvas desidratadas e azeite. Os vinhos do território assumem papel central, com destaque para a parceria com o projeto Santar Vila Jardim Wines, cujo portefólio inclui espumante Memórias de Santar – Encruzado e Alvarinho, parceria com Luís Pato – e os tintos Memórias de Santar, com trabalho enológico da jovem Joana Pereira.

   

“Acredito numa cozinha com raízes, mas também com liberdade para evoluir. O SÍTIO Santar nasce dessa vontade de criar uma ligação verdadeira entre a terra, os produtos, as pessoas e aquilo que servimos à mesa. Queremos que cada refeição conte uma história e que cada pessoa se sinta em casa”, afirma a Chef Inês Beja.

O espaço do restaurante SÍTIO Santar é intimista, acolhedor, moderno e com muita luz natural, alinhado com a identidade do hotel e privilegiando uma experiência tranquila e próxima da natureza envolvente. Com capacidade para cerca de 32 lugares no interior e esplanada exterior integrada na paisagem dos jardins históricos, o restaurante está aberto de segunda a domingo, exceto à quarta e quinta-feira. A experiência começa antes da mesa, num percurso pelos jardins históricos e vinhas de Santar que prolonga a ligação ao território, tornando a refeição parte de um todo mais amplo.

Integrado no Valverde Santar Hotel & Spa, o SÍTIO Santar afirma uma identidade própria e independente, com entrada autónoma e espaço dedicado em edifício distinto, posicionando-se como um destino gastronómico por mérito próprio, para além da experiência hoteleira.

O restaurante reforça, assim, a aposta do hotel numa oferta diferenciada, centrada na autenticidade, no bem-receber e na valorização da cultura e tradição portuguesas. O Valverde Santar Hotel & Spa ocupa a Casa das Fidalgas, mansão senhorial do século XVII, e integra o projeto Santar Vila Jardim, que agrega cinco jardins históricos de quatro famílias, concebido com a visão do arquiteto paisagista Fernando Caruncho. Este projeto, que ganhou dimensão em 2013 pela iniciativa dos irmãos Pedro Paulo e José Luís Vasconcellos e Souza, 16.ª geração da mesma família desde o século XVI, transformou Santar num destino único onde casas solarengas, jardins e vinhedos formam uma paisagem contínua. As “Infusões com História” e as provas de vinho nos jardins, à sombra das videiras que acompanham os declives do terreno, completam uma experiência que celebra o ritmo tranquilo do Dão e a riqueza da sua identidade.

“O SÍTIO não é apenas um restaurante, é um lugar em transformação. Interessa-me cozinhar o lugar, respeitando a sua identidade e produtos endógenos, mas também observar e ajustar aquilo que acontece quando alguém chega até ele e o experimenta. Esta é uma cozinha que se pretende consciente, empática e evolutiva, onde a cerâmica de Molelos, os bordados de Tibaldinho ou o pão feito com massa de uvas não são adorno, são extensão do ato de cozinhar e de servir. Santar tem uma história de mesa aristocrática e campestre amplamente documentada, e é nessa tradição que me inspiro para a reinterpretar com uma sensibilidade contemporânea. A ideia de geografia comestível manifesta-se aqui de forma concreta: o território torna-se presença ativa em cada decisão e em cada momento vivido à mesa.”, acrescenta Inês Beja.

O SÍTIO Santar abre portas para uma experiência gastronómica que celebra o Dão através de uma cozinha portuguesa contemporânea, sensível ao território, às memórias e aos produtos locais.

 

 

INÊS BEJA

A ligação de Inês Beja à cozinha começou desde cedo, num ambiente familiar onde os sabores, os rituais à mesa e o receituário tradicional faziam parte do quotidiano. Foi com a avó que aprendeu os primeiros gestos na cozinha e herdou um antigo caderno de receitas onde eram anotados pratos, técnicas e combinações de sabores passadas entre gerações. Hoje, essa influência continua presente na sua abordagem culinária, marcada pelo respeito pela tradição portuguesa e pela vontade de a reinterpretar de forma contemporânea e pessoal.

Natural de Mangualde, na Beira Alta, Inês Beja iniciou o seu percurso académico nas Artes Visuais antes de se dedicar à gastronomia, área em que se licenciou pela Escola Superior de Turismo e Hotelaria de Seia. Em 2016, recebeu o prémio “Jovem Talento da Gastronomia”, reconhecimento que marcou o início de um percurso sólido e profundamente ligado à cozinha portuguesa. Passou por cozinhas de referência como Quinta de Cabriz, Paço dos Cunhas de Santar e Mesa de Lemos, tendo fundado em 2019 o restaurante DeRaiz, projeto que se destacou pela valorização da tradição, da partilha e dos produtos regionais. Para Inês Beja, divulgar a origem dos produtos é quase uma missão, no que define como “uma cozinha de geografias” sublinhada pelos afetos: “A cozinha tradicional portuguesa não se esgota nesse lema. A criatividade não pode ter barreiras.” Paralelamente, mantém uma forte ligação ao ensino gastronómico e à cultura vínica da região do Dão.

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